sexta-feira, 6 de novembro de 2026

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 5

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 5
Finalizando a análise desse álbum dos Beatles, vamos tecer os últimos comentários sobre ele. Sempre que se fala em "Beatles For Sale" se afirma que foi um álbum criado meio às pressas, tentando cumprir obrigações contratuais dos Beatles com a gravadora EMI. Era necessário ter um disco novo dos Beatles nas festas de fim de ano e o grupo estava exausto por essa época. Tudo isso tem mesmo seu fundo de verdade, mas não vamos desmerecer essas gravações. Afinal se trata de um dos 13 álbuns oficiais dos Beatles em sua carreira. Sua importância jamais poderá ser subestimada. 

"I Don't Want to Spoil the Party" nunca chegou a fazer sucesso, nem na época em que o disco foi lançado e nem muito menos depois. Eu considero, por outro lado, um dos bons momentos do "Beatles For Sale". É uma composição da dupla Lennon e McCartney que de certo modo foi usada apenas para completar o disco, mas isso não tira seus méritos. Considero ela muito bem gravada e executada. E a letra, mesmo sendo simples, tenta inovar de alguma forma. 

John Lennon tinha uma personalidade bem incisiva. Isso não atraía a simpatia de todas as pessoas, muito pelo contrário. Geralmente John, com seu jeito sincero, criava muitos problemas, seja com a imprensa, seja até mesmo com outros artistas. Não foram poucos os jornalistas que o encontraram no auge da Beatlemania, dizendo depois que ele era um tanto rude. Uma característica da classe trabalhadora de Liverpool que Lennon levou para sua vida. 

Quando essas reclamações chegavam até Brian Epstein ele costumava se encontrar com John Lennon, perguntando: What You're Doing (O que você está fazendo?). John aproveitou a deixa e escreveu essa música. Para disfarçar tentou colocar os recados que mandava para Epstein no meio de uma letra que supostamente falava do amor entre dois adolescentes. Foi praticamente uma piadinha interna entre ele e seu empresário. O bom é que tudo isso resultou em mais uma boa música do disco. 

Pablo Aluísio. 

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 4

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 4
É curioso e interessante, mas eu sempre ouvi a canção "Baby's in Black" como uma espécie de ensaio para o que viria depois, com "Eleanor Rigby". Diria que as duas músicas são almas gêmeas, com o mesmo tipo de feeling! Sim, porque fato inegável é que essa faixa do Beatles For Sale foge mesmo da antiga fórmula das primeiras músicas dos Beatles. Pense bem. A protagonista é uma "garota de preto" cuja letra soa muito mais sombria do que poderia se imaginar. Paul McCartney, já nessa época, nessa fase primeira dos Beatles, já deixava claro que estava pronto para alcançar horizontes bem mais amplos. 

Paul costuma dizer que muitas de suas melhores músicas trazem personagens de mera ficção que ele utilizou ao longo dos anos. Nesse caso a tal garota vestida de preto seria mais uma delas, ou melhor dizendo, a primeira personagem de literatura que Paul inseria nos álbuns dos Beatles. Enfim, mostrava mesmo como Paul era diferenciado na criação de suas próprias canções. 

"Every Little Thing" não é tão inovadora como a faixa anterior, mas isso não significa que ela não seja outra bela surpresa. Eu iria além e penso que essa canção tem um sabor claramente oriental. Ela me lembra músicas criadas em um mundo antigo, em uma grande cidade de fusão cultural entre a tradição ocidental e oriental, como Constantinopla!

Veja sua marcação de ritmo, inclusive com pontuação de refrão que realmente foge do que se costumava ouvir na música pop dos anos 60. Ela tem um estilo diria até mesmo épico, por mais estranho que isso possa parecer. O vocal está com John Lennon, aqui com voz duplicada em estúdio. Enfim, uma faixa que até hoje impressiona por sua singularidade fora dos padrões. 

Pablo Aluísio. 

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 3

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 3
Há duas músicas de Carl Perkins nesse disco dos Beatles. "Honey Don't" é a primeira. Esse country music foi escolhido a dedo por John Lennon para ser a faixa que Ringo Starr cantaria no álbum. Como se sabe os Beatles sempre deixavam uma música para Ringo cantar nos discos oficiais do grupo. Era uma maneira de valorizar o baterista, fazendo com que ele ganhasse auto confiança em si mesmo. E o timbre de Ringo era muito adequado para esse tipo de sonoridade. Nos primeiros discos dos Beatles sempre que surgia um country no estúdio, todo mundo já sabia, essa faixa seria gravada pelo Ringo.

"Everybody's Trying to Be My Baby" foi a outra composição de Carl Perkins que os Beatles escolheram para fazer parte do disco. Carl Perkins era um artista da Sun Records, a mesma gravadora de Memphis que havia descoberto Elvis Presley e Johnny Cash, entre outros tantos pioneiros da primeira fase do rock americano. Os Beatles eram fãs dessa geração de artistas. 

Na época era bem complicado achar um disco de Perkins na Inglaterra, mas eles conheciam suas músicas, principalmente por causa do rádio. O fato de Liverpool ser um dos portos mais movimentados da Inglaterra também ajudava aos rapazes. Havia sempre algum marinheiro disposto a vender cópias de discos para eles. E assim os Beatles foram conhecendo a nata da música dos Estados Unidos.  

"Kansas City / Hey-Hey-Hey-Hey!" era outro cover do rock americano. Essa foi composta pela excelente dupla Leiber e Stoller, que escreveram alguns dos maiores sucessos da carreira de Elvis Presley. É interessante que a ideia do medley surgiu quando os Beatles estavam em turnê nos Estados Unidos. Eles iriam tocar na cidade de Kansas City e improvisaram esse número para homenagear o público dessa cidade americana. A coisa deu tanto certo, teve tão boa receptividade, que John e Paul decidiram fazer uma versão de estúdio. Ficou, como era de esperar, realmente excelente.

Pablo Aluísio.