sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Chuck Berry & Bo Diddley - Two Great Guitars

Chuck Berry & Bo Diddley - Two Great Guitars (1964)
Lançado em agosto de 1964 pelo selo Checker, subsidiário da Chess Records, Two Great Guitars é um álbum especial que reúne dois dos maiores pioneiros do rock and roll: Chuck Berry e Bo Diddley. Diferentemente dos discos convencionais de rock da época, construídos em torno de uma sequência de canções curtas, o trabalho aposta principalmente em longas sessões instrumentais, nas quais os dois músicos exploram o ritmo, improvisam e demonstram suas personalidades musicais. As gravações foram realizadas em março de 1964, no Ter-Mar Recording Studio, em Chicago, cidade fundamental para o desenvolvimento do blues elétrico e do rhythm and blues. O lançamento também possui um significado particular na trajetória de Berry, pois foi seu primeiro álbum de estúdio publicado depois de sua saída da prisão, em outubro de 1963. Enquanto Chuck Berry era conhecido por seus riffs melódicos, solos ágeis e pela combinação de blues com estruturas que ajudariam a definir o rock, Bo Diddley havia desenvolvido uma identidade rítmica própria, marcada por batidas insistentes e sincopadas. O encontro dos dois, portanto, representava muito mais do que uma colaboração entre colegas de gravadora: era uma reunião de artistas que haviam ajudado a estabelecer as bases do rock moderno. 

O álbum original contém apenas quatro faixas, mas duas delas ocupam grande parte de seus aproximadamente trinta minutos de duração. A abertura, “Liverpool Drive”, é uma peça instrumental de Chuck Berry, com pouco menos de três minutos, que apresenta sua guitarra em um formato mais direto e próximo de seu estilo habitual. Em seguida vem “Chuck's Beat”, uma extensa jam instrumental de cerca de dez minutos, na qual Berry e Bo Diddley compartilham o protagonismo, acompanhados por músicos da sessão de Chicago. No segundo lado, Bo Diddley interpreta “When the Saints Go Marching In”, uma versão instrumental do tradicional tema gospel, adaptada ao seu característico senso rítmico. O encerramento fica por conta de “Bo's Beat”, uma improvisação ainda mais longa, com aproximadamente quatorze minutos, que permite explorar a interação entre os guitarristas e a seção rítmica. O disco foi produzido no ambiente profissional da Chess, sob a direção dos irmãos Leonard e Phil Chess, e também apareceu em edição estéreo. Em vez de procurar sucessos radiofônicos imediatos, a proposta era registrar o diálogo entre dois instrumentistas com estilos distintos, deixando espaço para variações, repetições, solos e mudanças de intensidade. Por essa razão, o álbum se aproxima tanto de uma sessão de blues quanto de um experimento de rock instrumental, antecipando o interesse que surgiria posteriormente por improvisações mais longas na música popular. 

A importância de Two Great Guitars está sobretudo no registro do encontro entre duas personalidades essenciais para a história da guitarra elétrica. Embora não seja normalmente considerado um dos álbuns mais acessíveis de Chuck Berry, o disco interessa especialmente aos admiradores do blues de Chicago, do rock instrumental e da evolução da improvisação na música popular. A longa duração de “Chuck's Beat” e “Bo's Beat” permite ouvir os músicos desenvolverem ideias sem a estrutura rígida de versos e refrões que caracterizava grande parte dos sucessos da época. A obra também documenta um momento de retomada para Berry, que voltaria a conquistar destaque comercial naquele mesmo ano com St. Louis to Liverpool, álbum que inclui clássicos como “No Particular Place to Go” e “You Never Can Tell”. Para Bo Diddley, a parceria reforçava sua posição como um dos grandes inovadores rítmicos do rock, cuja influência alcançaria gerações de guitarristas e bandas. Nas décadas seguintes, Two Great Guitars seria relançado em CD com faixas adicionais, ampliando o interesse dos colecionadores e permitindo conhecer outras gravações relacionadas às sessões. Seu valor histórico reside, portanto, na oportunidade de ouvir dois pioneiros em um ambiente mais livre e espontâneo, celebrando a força da guitarra elétrica e a herança musical que ambos ajudaram a construir. 

Chuck Berry & Bo Diddley – Two Great Guitars (1964)
Lista de faixas: edição original norte-americana, Checker Records:

Lado A
1. Liverpool Drive — Chuck Berry
2. Chuck's Beat — Chuck Berry e Bo Diddley
Lado B
3. When the Saints Go Marching In — Bo Diddley
4. Bo's Beat — Bo Diddley e Chuck Berry

Erick Steve. 

Chuck Berry - New Juke Box Hits

Chuck Berry - New Juke Box Hits (1961)
Lançado em março de 1961 pela gravadora Chess Records, New Juke Box Hits é o quinto álbum de estúdio de Chuck Berry e um registro importante de uma fase turbulenta de sua trajetória. No início dos anos 1960, Berry já era reconhecido como um dos principais arquitetos do rock and roll, responsável por canções que ajudaram a definir a linguagem musical e a atitude de toda uma geração. Entretanto, sua carreira começava a enfrentar dificuldades em meio a problemas judiciais que prejudicariam sua imagem pública e culminariam em sua prisão em 1962. O álbum surgiu nesse contexto, reunindo doze faixas que combinam composições próprias com releituras de músicas de outros artistas. Entre as criações de Berry estão “I'm Talking About You”, “Diploma for Two”, “Thirteen Question Method” e “The Way It Was Before”, canções que preservam sua habilidade de construir narrativas diretas, melodias cativantes e ritmos contagiantes. Embora não tenha alcançado o impacto dos discos anteriores, o trabalho mantém os elementos fundamentais de seu estilo: guitarra incisiva, vocal expressivo, humor, balanço e a mistura de blues e rhythm and blues com a energia juvenil do rock. 

Um dos aspectos mais interessantes de New Juke Box Hits é a maneira como Chuck Berry dialoga com diferentes tradições da música popular norte-americana. “Route 66”, composição de Bobby Troup que se tornou conhecida na interpretação de Nat King Cole, recebe uma leitura enérgica, conduzida pelo fraseado característico da guitarra de Berry. “Sweet Sixteen”, associada a B. B. King, aproxima o álbum do blues elétrico, enquanto “Rip It Up”, sucesso de Little Richard, reforça a conexão com o rock and roll mais explosivo da época. “Don't You Lie to Me”, por sua vez, recupera uma composição ligada ao repertório do blues, mostrando que as raízes musicais de Berry permaneciam essenciais para sua produção. A faixa “I'm Talking About You” merece destaque especial: embora não tenha se transformado em um grande sucesso comercial na época, seria posteriormente gravada pelos Rolling Stones, demonstrando a influência duradoura de seu repertório sobre o rock britânico. A recepção crítica retrospectiva foi respeitosa, mas não unanimemente entusiasmada. William Ruhlmann, do AllMusic, considera o álbum uma boa coleção de rock and roll, embora inferior aos trabalhos anteriores de Berry, observando que os problemas pessoais e judiciais do músico coincidiram com uma fase menos inspirada em termos de composição e de resultados comerciais. 

Apesar de não figurar entre os álbuns mais celebrados de Chuck Berry, New Juke Box Hits conserva valor histórico por documentar uma transição delicada em sua carreira. Pouco depois de seu lançamento, os problemas judiciais do cantor se agravaram, e ele seria preso em 1962, passando um período afastado das gravações e dos palcos. O álbum também antecede um intervalo significativo até o lançamento de seu próximo disco de estúdio composto por novas canções, St. Louis to Liverpool, em 1964, que marcaria uma retomada importante de sua carreira. Com o passar dos anos, a obra de Berry seria reconhecida como uma das bases do rock moderno, influenciando artistas e bandas de diferentes gerações, dos Beatles e Rolling Stones a inúmeros guitarristas que adotaram seus riffs, solos e seu modo de contar histórias por meio da música. Nesse panorama, New Juke Box Hits talvez não tenha a concentração de clássicos encontrada em Berry Is on Top (1959), mas oferece uma combinação interessante de material original e interpretações que revelam as fontes musicais do artista. É um disco que merece ser ouvido não como o auge de sua produção, mas como um capítulo revelador da trajetória de um compositor fundamental, cuja criatividade e influência ultrapassaram amplamente os limites de seu próprio tempo. 

Chuck Berry – New Juke Box Hits (1961)
1. I'm Talking About You
2. Diploma for Two
3. Thirteen Question Method
4. Away from You
5. Don't You Lie to Me
6. The Way It Was Before
7. Little Star
8. Route 66
9. Sweet Sixteen
10. Run Around
11. Stop and Listen
12. Rip It Up

Erick Steve. 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Bill Haley and His Comets - Bill Haley's Chicks

Bill Haley and His Comets - Bill Haley's Chicks
Bill Haley's Chicks é um álbum de estúdio de Bill Haley & His Comets, lançado em 5 de janeiro de 1959 pela Decca Records. Produzido por Milt Gabler, o disco surgiu durante uma fase de transição para o rock and roll, quando os pioneiros do gênero procuravam manter sua popularidade diante de mudanças no gosto do público e da ascensão de novos artistas. O álbum foi concebido em torno de um tema bastante particular: todas as canções fazem referência a mulheres, seja por meio de nomes femininos, personagens ou histórias românticas. Essa proposta deu origem a uma coleção que mistura rock and roll, rhythm and blues, jazz tradicional e versões de standards populares. Entre as faixas mais importantes está “Skinny Minnie”, uma gravação energética que se tornou um dos sucessos do grupo em 1958 e ajudou a preparar o terreno para o lançamento do álbum. O repertório também inclui “Whoa Mabel!”, “Eloise”, “Mary, Mary Lou” e “B.B. Betty”, composições que mantêm o humor, o ritmo acelerado e a linguagem informal característicos de Bill Haley. Ao lado dessas músicas aparecem interpretações de clássicos como “Dinah”, “Sweet Sue, Just You”, “Charmaine” e “Marie”. Essa combinação de material original e canções conhecidas demonstra a intenção de Haley e de seu produtor de atualizar repertórios anteriores por meio da energia rítmica dos Comets. 

O principal destaque comercial do álbum foi “Skinny Minnie”, lançada como single em 1958 e responsável por manter Bill Haley & His Comets em evidência no mercado americano. A música alcançou a 22ª posição na parada de singles da Billboard e a 25ª na Cashbox, demonstrando que o grupo ainda conseguia produzir sucessos depois do auge de “Rock Around the Clock”, “Shake, Rattle and Roll” e “See You Later, Alligator”. Outra faixa relacionada a esse período foi “Lean Jean”, que também apareceu nas paradas, chegando à 52ª posição na Cashbox. O álbum, entretanto, não alcançou o mesmo impacto comercial dos grandes lançamentos anteriores da banda, e não há evidências de que tenha se tornado um sucesso expressivo nas paradas de álbuns. A crítica especializada da época dedicou menos atenção ao disco do que aos primeiros trabalhos revolucionários do grupo, mas sua proposta temática e a mistura de composições próprias com standards ajudam a compreender a estratégia musical de Milt Gabler. A formação reunida nas gravações incluía Bill Haley nos vocais e guitarra rítmica, Franny Beecher na guitarra solo, Billy Williamson na guitarra de aço, Johnny Grande no piano, Al Rex no baixo, Ralph Jones na bateria e Rudy Pompilli no saxofone. Essa equipe proporcionava à banda uma sonoridade reconhecível, com ritmo marcado, solos instrumentais e vocais descontraídos. Embora Bill Haley's Chicks não tenha redefinido o gênero, preservou a capacidade dos Comets de combinar o rock and roll com elementos de estilos anteriores da música popular americana. 

Atualmente, Bill Haley's Chicks é lembrado principalmente por representar uma etapa específica da discografia dos Comets, quando o rock and roll já havia conquistado o mercado, mas começava a se transformar rapidamente. O álbum permite observar como Bill Haley procurou ampliar seu repertório sem abandonar a fórmula que havia ajudado a popularizar o gênero: guitarras elétricas, saxofone, piano, contrabaixo e bateria trabalhando em conjunto com melodias simples e refrões memoráveis. “Skinny Minnie” continua sendo a faixa mais conhecida da coleção e uma das gravações importantes da fase final da banda na década de 1950. “B.B. Betty” também chama a atenção por apresentar Billy Williamson nos vocais principais, uma escolha pouco habitual que demonstra a participação dos outros integrantes na identidade musical do grupo. Já “Ida, Sweet as Apple Cider”, “Charmaine” e “Marie” revelam o interesse em reaproveitar canções de épocas anteriores, transformando-as em interpretações adequadas ao público jovem. O disco antecedeu Strictly Instrumental, lançado no final de 1959, e encerrou uma sequência de álbuns temáticos que incluía Rockin' the Oldies e Rockin' Around the World. Embora tenha ficado à sombra dos trabalhos mais famosos de Bill Haley, Bill Haley's Chicks conserva valor histórico para colecionadores e admiradores do rock clássico. É um retrato de uma banda experiente tentando acompanhar a evolução do mercado musical e, ao mesmo tempo, preservar o espírito irreverente que ajudou a transformar o rock and roll em um fenômeno internacional. 

Bill Haley and His Comets - Bill Haley's Chicks (1959)
1. Whoa Mabel!
2. Ida, Sweet as Apple Cider
3. Eloise
4. Dinah
5. Skinny Minnie
6. Mary, Mary Lou
7. Sweet Sue, Just You
8. B.B. Betty
9. Charmaine
10. Corrine, Corrina
11. Marie
12. Lean Jean 
    
Erick Steve. 

Bill Haley and His Comets - Strictly Instrumental

Bill Haley and His Comets - Strictly Instrumental 
Strictly Instrumental é um álbum de estúdio de Bill Haley & His Comets, lançado em 14 de dezembro de 1959 pela gravadora Decca Records. O disco ocupa uma posição curiosa na discografia do grupo: foi o último álbum de material inédito gravado pela banda para a Decca durante sua primeira fase de sucesso e apresentou uma proposta diferente daquela que havia consagrado Bill Haley como um dos pioneiros do rock and roll. Como o próprio título sugere, o repertório é essencialmente instrumental, privilegiando os arranjos da banda, a guitarra elétrica, o saxofone, o piano e a seção rítmica, em vez dos vocais característicos de Haley. As gravações foram realizadas em diferentes sessões entre junho de 1958 e setembro de 1959, em Nova York, e reunidas sob a produção de Milt Gabler, colaborador fundamental do cantor durante seus anos na gravadora. A formação dos Comets incluía músicos experientes como Franny Beecher na guitarra solo, Billy Williamson na guitarra havaiana, Johnny Grande no piano, Rudy Pompilli no saxofone tenor e Ralph Jones na bateria. Bill Haley também participou das gravações, embora sua presença instrumental nem sempre fosse evidente para os ouvintes. O resultado foi um álbum que combinava rock and roll, música instrumental popular e influências de ritmos internacionais, refletindo uma época em que o mercado fonográfico explorava diferentes caminhos para manter a popularidade dos artistas pioneiros do gênero. 

A recepção comercial do álbum esteve ligada principalmente ao sucesso de algumas faixas lançadas como singles. “Joey's Song”, composição de Joe Reisman, tornou-se o maior destaque do repertório, alcançando a 46ª posição na parada da Billboard e a 35ª colocação na Cashbox, além de chegar ao primeiro lugar na Austrália durante oito semanas, entre dezembro de 1959 e janeiro de 1960. A música demonstrou que Bill Haley & His Comets ainda conseguiam conquistar o público mesmo sem depender dos vocais de seu líder. Outro destaque foi “Skokiaan”, instrumental baseado em uma composição de August Musarurwa, músico do Zimbábue, que havia ganhado popularidade internacional na década de 1950. A gravação dos Comets ajudou a levar esse tema a um público ainda maior na América do Norte. O álbum também trouxe versões instrumentais de canções conhecidas, como “Mack the Knife” e “Music! Music! Music!”, além de composições originais dos integrantes, entre elas “Two Shadows”, “Shaky” e “The Catwalk”. Apesar desses resultados, o cenário musical estava mudando rapidamente: o rock and roll dos primeiros anos da década enfrentava novas tendências, e o mercado começava a privilegiar outros artistas e estilos. O produtor Milt Gabler considerava que a sonoridade instrumental do disco poderia atrair ouvintes mais velhos, interessados em música de entretenimento orquestral. Assim, Strictly Instrumental representou também uma tentativa de adaptar a banda a um mercado em transformação, embora não tenha recuperado o impacto dos grandes sucessos de meados da década. 

Com o passar do tempo, Strictly Instrumental passou a ser reconhecido como um registro peculiar, mas significativo, da fase final de Bill Haley & His Comets na Decca. Sua importância histórica reside, em parte, no fato de documentar uma banda que procurava explorar a versatilidade de seus músicos para além do formato tradicional de canções de rock and roll com vocais. A guitarra de Franny Beecher, o saxofone de Rudy Pompilli e o piano de Johnny Grande assumem maior protagonismo, revelando a qualidade instrumental dos Comets. “Joey's Song” continua sendo a faixa mais associada ao álbum por seu desempenho comercial, enquanto “Shaky” e “The Catwalk” oferecem exemplos das composições criadas pelos próprios integrantes. Embora o disco seja predominantemente instrumental, “Chiquita Linda (Un Poquito de tu Amor)” apresenta breves vocais coletivos, uma pequena exceção à proposta sugerida pelo título. O álbum foi o último lançamento de material novo dos Comets pela Decca antes da mudança para a Warner Bros. Records, em 1960, encerrando uma etapa importante da parceria entre Haley e Gabler. A crítica retrospectiva tem opiniões variadas sobre o resultado: alguns ouvintes valorizam a leveza e a competência instrumental das gravações, enquanto outros consideram que o conjunto não possui a energia revolucionária dos clássicos anteriores da banda. Ainda assim, Strictly Instrumental oferece uma perspectiva interessante sobre a evolução do grupo no final dos anos 1950 e sobre as tentativas de Bill Haley de permanecer relevante depois da primeira grande explosão do rock and roll. 

Bill Haley & His Comets - Strictly Instrumental (1959)
1. Joey's Song
2. (Put Another Nickel In) Music! Music! Music!
3. Mack the Knife
4. In a Little Spanish Town
5. Two Shadows
6. Shaky
7. Strictly Instrumental
8. Skokiaan
9. Puerto Rican Peddler
10. Drowsy Waters
11. Chiquita Linda (Un Poquito de tu Amor)
12. The Catwalk 
  
Erick Steve.

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Dean Martin - Collected Cool

Dean Martin - Collected Cool
Está sendo lançado nos EUA e Europa um box maravilhoso com 3 CDs e 1 DVD enfocando os melhores anos da carreira de Dean Martin. Uma verdadeira preciosidade. Tudo de extremo bom gosto acompanhado de um maravilhoso livreto informativo com muitas fotos fantásticas e informações preciosas. Para quem é fã do Dino é realmente um dos melhores lançamentos atuais sobre o artista. Quem acompanha meus textos sabe que eu sempre prezo pela discografia oficial lançada ainda quando o cantor estava vivo. Nesse aspecto tudo me atrai, o vinil original, as capas com direções de arte que refletem as tendências artísticas que estavam na moda no ano em que o disco foi lançado e todo aquele sabor nostálgico que geralmente acompanha esse tipo de material. Infelizmente nem todos os grandes cantores do passado tem sua discografia original relançada em novos formatos, o que dificulta muito chegar nos produtos originais. É o caso de Dean Martin cujo legado ficou esquecido durante muito tempo.

Por isso vou aqui elogiar esse box. É obviamente uma coletânea de seus maiores sucessos mas também traz material inédito, o que por si só já é motivo para comemorar. Praticamente todas as faixas foram remasterizadas digitalmente, procurando trazer as gravações para um padrão de qualidade aceitável na atualidade. O trabalho ficou magnífico – basta comparar até mesmo com os últimos CDs lançados de Martin no mercado há cinco ou dois anos. A diferença é realmente marcante. A lamentar apenas a exclusão de muitas gravações excelentes de Martin na fase em que trabalhou na gravadora de seu amigo Frank Sinatra, a Reprise Records. Ao que parece (nada é confirmado oficialmente) há uma disputa judicial sobre os direitos dessas músicas. De qualquer maneira momentos como “Everybody Loves Somebody” acompanhada de um lindo arranjo de quarteto de cordas faz tudo valer a pena. A gravação é deslumbrante! O terceiro CD traz várias gravações ao vivo de Dean Martin em Lake Tahoe e o DVD traz a histórica apresentação de Dean Martin em Londres no mitológico The Apollo Victoria Theatre. Em suma, um trabalho de resgate com muito bom gosto e elegância. Coisa fina.

Dean Martin Collected Cool (2013)
CD 1 - Dean's Spoken Word Introductions / My Own, My Only, My All / Powder Your / Face With Sunshine (Smile! Smile! Smile!) / I Don't Care If The Sun Don't Shine / That's Amore / If I Could Sing Like Bing / Sway / Long, Long Ago / Memories Are Made Of This / Pardners / Volare / Rio Bravo / On An Evening In Roma / Sleep Warm / Ain't That A Kick In The Head / Just In Time / Arrivederci Roma / Return To Me / A Hundred Years From Today / CD 2 - Tik-A-Tee, Tik-A-Tay / Senza Fine / Who's Got The Action? / Guys And Dolls / Marina / Everybody Loves Somebody / The Door Is Still Open (To My Heart) / You're Nobody 'Til Somebody Loves You / In The Misty Moonlight / Sophia /  Send Me The Pillow You Dream On / In The Chapel In The Moonlight / Welcome To My World / Houston / I Will / Somewhere There's A Someone / My First Country Song / LA Is My Home / CD 3 - Drink To Me Only With Thine Eyes / Almost Like Being In Love / I Love Tahoe (Paris) / My Kind Of Girl / Break It To Me Gently / Rock-A-Bye Your Baby With A Dixie Melody / Primrose Lane / You Are Too Beautiful / Carolina In The Morning / Love Walked In/ I Love Being A Girl / Beautiful Dreamer / You Made Me Love You / It Had To Be You / Nevertheless / I'm Gonna Sit Right Down And Write Myself A Letter / Volare / On An Evening In Roma / I Love Paris.

Pablo Aluísio. 

Dean Martin - Memories Are Made Of This

Dean Martin - Memories Are Made Of This
Em plena explosão do rock americano em meados dos anos 50, eis que surge nas paradas um grande sucesso romântico cantado por Dean Martin. A bonita e singela "Memories Are Made Of This" acabou derrubando vários roqueiros das primeiras posições, chegando ao número 1, ficando por lá por cinco semanas! Um feito e tanto! Dean Martin conseguiu inúmeras vezes essa proeza. É bem lembrado que foi ele também quem derrubou os Beatles do Top 1 em 1964 com sua "Everybody Loves Somebody", o que fez com que tirasse uma enorme onda com esse feito! Em pleno auge da Beatlemania lá estava o velho e bom Dean Martin ocupando seu espaço. Pois é, Dean Martin era realmente bom de vendas no mercado de singles.

Essa canção tem um swing bem peculiar, poderia inclusive ter feito parte de qualquer disco de Frank Sinatra. Aliás falando em comparações é interessante dizer que Martin não tinha uma voz mais bonita do que a de Sinatra, porém era bem mais forte e impressionante. Frank Sinatra em termos de voz ganhava em beleza, ao que Dean Martin o superava em potência e poderio vocal. Um detalhe sobre essa canção que poucos sabem é que a primeira versão a sair em disco nos Estados Unidos foi gravada pela orquestra de Ray Conniff. Essa primeira gravação tem uma suntuosidade que Martin dispensou em sua versão, já que ele procurava criar um clima de intimidade, romantismo. Já o maestro Ray procurava pela explosão sonora. Outro fato interessante para os fãs do cantor: com o sucesso do single a gravadora Capitol lançou um EP com mais duas faixas, que também venderam muito bem. Então é isso. Entre os grandes sucessos musicais da parada da Billboard de 1956 lá estava o romântico Dean Martin se sobressaindo entre um oceano de roqueiros rebeldes. O romantismo sempre se faz presente, não importando o momento.

Dean Martin - Memories Are Made Of This (1956)
Memories Are Made Of This 
Change of Heart 
I Like Them All (EP)
Ridin Into Love (EP).

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Frank Sinatra - Frankly Sentimental

Frank Sinatra - Frankly Sentimental
Frankly Sentimental é o quarto álbum de estúdio de Frank Sinatra e foi lançado pela Columbia Records em 20 de junho de 1949, durante uma das primeiras e mais importantes fases da carreira do cantor. O álbum surgiu originalmente como uma coleção de quatro discos de 78 rotações e também foi disponibilizado no formato LP de 10 polegadas, ainda uma novidade tecnológica na época. Embora tenha chegado ao mercado em 1949, as oito gravações que formam o repertório foram realizadas anteriormente, entre julho de 1946 e novembro de 1947, em sessões realizadas em Hollywood e Nova York. Axel Stordahl foi responsável pelos arranjos e pela regência da orquestra, continuando a parceria que havia ajudado a definir a sonoridade romântica de Sinatra durante seus anos na Columbia. O repertório é inteiramente formado por standards, com destaque para “Body and Soul”, “Laura”, “Fools Rush In”, “Spring Is Here”, “One for My Baby (And One More for the Road)” e “It Never Entered My Mind”. São canções de forte conteúdo sentimental, exatamente como sugere o título do álbum, e que permitiam a Sinatra explorar sua capacidade de interpretar letras com extrema atenção ao fraseado e à emoção. O disco pertence, portanto, ao período em que o cantor ainda estava construindo sua identidade como intérprete de standards e desenvolvendo a linguagem que posteriormente atingiria plena maturidade em seus grandes álbuns da Capitol Records.

A recepção de Frankly Sentimental na época foi bastante interessante porque os críticos perceberam tanto as qualidades quanto algumas limitações do projeto. John Riley, escrevendo no The Boston Globe em julho de 1949, considerou que algumas interpretações de Sinatra eram pouco vibrantes, mas observou que em outras canções o estilo mais quieto e simples do cantor aumentava a eficácia da interpretação. Já Harold Ober, do Asbury Park Press, destacou que as canções sentimentais estavam de acordo com o estilo de Sinatra e que o cantor as interpretava de maneira convincente. O Springfield Sunday Republican foi ainda mais favorável, afirmando que as músicas pareciam especialmente adequadas ao estilo vocal de Sinatra, embora o crítico sentisse falta de alguma variedade de andamento. George Mangus, do The Miami Herald, chegou a prever que a coleção poderia rapidamente se tornar rara e valorizada. Comercialmente, entretanto, o álbum não alcançou o mesmo impacto de trabalhos anteriores do cantor. A documentação discográfica indica que Frankly Sentimental vendeu aproximadamente 30 mil unidades nos Estados Unidos, um resultado modesto para Sinatra naquele momento. Também é importante lembrar que o mercado de álbuns ainda era muito diferente do que se tornaria nas décadas seguintes: as paradas de LP ainda estavam em seus primeiros anos, e grande parte do consumo musical acontecia por meio de singles e discos de 78 rotações. Dessa maneira, a importância de Frankly Sentimental não deve ser medida apenas por números comerciais, mas também pelo desenvolvimento artístico que representa dentro da primeira fase da carreira de Sinatra.

O legado de Frankly Sentimental está principalmente na documentação de um Frank Sinatra jovem, ainda trabalhando dentro da tradição do pop orquestral romântico, mas já demonstrando algumas das características interpretativas que posteriormente o transformariam em referência absoluta do gênero. “One for My Baby (And One More for the Road)” é particularmente importante nesse sentido, pois a canção se tornaria uma das interpretações mais associadas a Sinatra ao longo das décadas seguintes. “Laura”, “Body and Soul” e “It Never Entered My Mind” também antecipam o tipo de repertório introspectivo que ganharia enorme importância em seus trabalhos posteriores. A participação de Axel Stordahl é outro elemento fundamental: seus arranjos delicados proporcionavam espaço para que a voz permanecesse no centro da gravação, permitindo que Sinatra trabalhasse nuances, pausas e mudanças de intensidade. Embora Frankly Sentimental não tenha a sofisticação conceitual de In the Wee Small Hours ou a energia de Songs for Swingin' Lovers!, ele ajuda a compreender como Sinatra chegou até esses trabalhos. O álbum registra uma etapa de aprendizado e consolidação, quando o cantor estava transformando standards conhecidos em interpretações cada vez mais pessoais. Por isso, dentro de sua extensa discografia, Frankly Sentimental ocupa um lugar histórico como um retrato precioso do Sinatra da era Columbia e como mais um passo na construção do estilo que posteriormente definiria o grande álbum vocal americano.

Frank Sinatra - Frankly Sentimental (1949)
Body and Soul
Laura
Fools Rush In
Spring Is Here
One for My Baby (And One More for the Road)
Guess I'll Hang My Tears Out to Dry
When You Awake
It Never Entered My Mind

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Frank Sinatra - Songs By Sinatra

Frank Sinatra - Songs By Sinatra
Songs by Sinatra foi o segundo álbum de estúdio de Frank Sinatra lançado pela Columbia Records, chegando ao mercado em abril de 1947, inicialmente como uma coleção de quatro discos de 78 rotações. O trabalho sucedeu The Voice of Frank Sinatra, de 1946, e pertence a uma fase extremamente importante da carreira do cantor, quando sua voz já havia se tornado uma das mais reconhecidas da música popular norte-americana. As gravações reunidas no álbum foram realizadas entre dezembro de 1944 e janeiro de 1947, em diferentes sessões, com arranjos e regência de Axel Stordahl, músico que desempenhou papel fundamental na construção da sonoridade de Sinatra durante seus primeiros anos na Columbia. O repertório reúne oito interpretações de grandes compositores do cancioneiro americano, incluindo Irving Berlin, George e Ira Gershwin, Jerome Kern, Oscar Hammerstein II, Harold Arlen, Johnny Mercer e Cole Porter. “How Deep Is the Ocean?”, “Embraceable You”, “That Old Black Magic” e “I Concentrate on You” mostram Sinatra trabalhando dentro da tradição dos standards românticos, enquanto “Over the Rainbow” e “All the Things You Are” revelam a combinação entre sua interpretação vocal e os sofisticados arranjos orquestrais de Stordahl. O resultado é um álbum curto, com cerca de 25 minutos, mas extremamente representativo da estética de Sinatra na década de 1940.

A importância de Songs by Sinatra está também no momento em que foi lançado. Sinatra havia acabado de viver um período de enorme popularidade entre o público jovem e já possuía uma impressionante sequência de sucessos nas paradas, incluindo “Oh! What It Seemed to Be”, “Day by Day” e “Five Minutes More”. Em 1946, seu álbum de estreia, The Voice of Frank Sinatra, havia chegado ao primeiro lugar da parada de álbuns da Billboard, permanecendo no topo por sete semanas, demonstrando que o formato de álbum começava a adquirir importância comercial. Songs by Sinatra surgiu, portanto, como continuação desse processo de consolidação de Sinatra como intérprete de repertório sofisticado. Ao contrário de uma coleção simplesmente montada a partir de sucessos, o disco apresenta uma unidade artística bastante clara, baseada em canções românticas e arranjos orquestrais elegantes. A colaboração com Axel Stordahl foi particularmente importante porque ajudou a estabelecer uma característica que acompanharia Sinatra durante décadas: a capacidade de transformar standards conhecidos em interpretações pessoais, utilizando a orquestra não apenas como acompanhamento, mas como parte essencial da narrativa musical. O álbum também demonstra o domínio que Sinatra já possuía sobre a interpretação de letras, característica que posteriormente seria considerada uma das marcas fundamentais de seu estilo.

Atualmente, Songs by Sinatra é lembrado principalmente como um documento da primeira grande fase fonográfica de Frank Sinatra e como uma peça importante para compreender sua evolução antes da transformação artística que ocorreria no início dos anos 1950. O álbum ainda pertence ao período em que Sinatra estava desenvolvendo sua linguagem dentro do universo da música popular tradicional, antes de seus trabalhos conceituais para a Capitol Records estabelecerem definitivamente o modelo do chamado “álbum de canções”. Mesmo assim, algumas características que se tornariam fundamentais em sua carreira já estão presentes: a atenção extrema às letras, o fraseado econômico, o controle da dinâmica vocal e a interação sofisticada com os arranjos orquestrais. A reedição do material em 1950, no formato de LP de 10 polegadas, mostra como essas gravações continuaram sendo consideradas relevantes dentro do catálogo da Columbia. Também é interessante observar que o título Songs by Sinatra acabou associado a diferentes produtos fonográficos e radiofônicos ao longo dos anos, inclusive ao famoso programa de rádio apresentado pelo cantor. No contexto de sua discografia, porém, o álbum de 1947 permanece como um registro específico e fundamental de sua juventude artística, quando Sinatra começava a transformar a interpretação de standards americanos em uma verdadeira forma de expressão pessoal.

Frank Sinatra – Songs by Sinatra (1947)
I'm Sorry I Made You Cry
How Deep Is the Ocean?
Over the Rainbow
She's Funny That Way
Embraceable You
All the Things You Are
That Old Black Magic
I Concentrate on You

Pablo Aluísio e Erick Steve.

Frank Sinatra - Christmas Songs By Sinatra

Frank Sinatra - Christmas Songs By Sinatra
Christmas Songs by Sinatra é o terceiro álbum de estúdio de Frank Sinatra e foi lançado pela Columbia Records em 4 de outubro de 1948, em uma época em que os álbuns ainda eram conjuntos de discos de 78 rotações reunidos em uma capa própria. O lançamento também apareceu em formato de LP de 10 polegadas, algo ainda relativamente novo naquele período, reunindo oito gravações natalinas. O projeto pertence à primeira grande fase da carreira de Sinatra, quando o cantor ainda trabalhava para a Columbia e construía sua reputação como um dos principais intérpretes da música popular americana. O repertório inclui algumas das mais conhecidas canções natalinas do século XX, entre elas “White Christmas”, “Jingle Bells”, “Silent Night”, “Adeste Fideles”, “O Little Town of Bethlehem”, “It Came Upon a Midnight Clear”, “Have Yourself a Merry Little Christmas” e “Santa Claus Is Comin' to Town”. As gravações não foram realizadas todas em uma única sessão: “White Christmas”, por exemplo, havia sido registrada em 1944, enquanto outras faixas foram gravadas entre 1945 e 1947. Axel Stordahl, colaborador fundamental de Sinatra na Columbia, participou dos arranjos de parte desse material, ajudando a criar o acompanhamento orquestral suave e elegante que caracteriza muitas das primeiras gravações do cantor.

A importância de Christmas Songs by Sinatra está justamente na maneira como essas gravações ajudaram a estabelecer a relação de Sinatra com o repertório natalino. “White Christmas”, gravada originalmente em 14 de novembro de 1944, já era um sucesso conhecido quando foi incluída na coleção, enquanto “Have Yourself a Merry Little Christmas”, registrada em julho de 1947, acrescentava uma canção que posteriormente se tornaria um dos grandes clássicos interpretados por Sinatra. A edição original de 1948 continha oito faixas, mas a Columbia modificou o conteúdo em reedições posteriores, o que acabou criando diferentes versões do título. Em 1957, por exemplo, o material foi relançado em LP de 12 polegadas sob o título Christmas Dreaming, com a inclusão de “Christmas Dreaming (A Little Early This Year)” e “Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!”. Em 1994, a Columbia lançou uma nova compilação em CD com quinze faixas, ampliando consideravelmente o repertório natalino associado ao título. O AllMusic, ao avaliar essa edição de 1994, destacou a suavidade e o calor das interpretações de Sinatra, observando que os arranjos de Stordahl realçavam a qualidade vocal do cantor. Assim, embora o conceito original seja bastante diferente dos grandes álbuns natalinos que Sinatra gravaria posteriormente, Christmas Songs by Sinatra representa uma etapa essencial na construção de seu repertório de Natal.

O legado de Christmas Songs by Sinatra tornou-se ainda maior com o passar das décadas, principalmente porque várias das gravações presentes no projeto continuaram sendo redescobertas a cada temporada de Natal. A interpretação de “White Christmas” permaneceu como uma das gravações natalinas mais conhecidas de Sinatra, enquanto “Jingle Bells” também ganhou enorme longevidade e passou a aparecer regularmente nas paradas de músicas natalinas décadas depois de sua gravação original. “Have Yourself a Merry Little Christmas” tornou-se particularmente importante dentro da discografia do cantor e continuou sendo associada à sua imagem durante toda a carreira. É importante distinguir o álbum de 1948 de A Jolly Christmas from Frank Sinatra, lançado em 1957 pela Capitol Records: este último é o famoso álbum natalino de Sinatra que contém gravações posteriores e uma produção muito mais sofisticada. Christmas Songs by Sinatra, por outro lado, documenta o jovem Sinatra da era Columbia, acompanhado por arranjos mais delicados e pela estética da música popular americana dos anos 1940. Por isso, o disco possui valor histórico especial: ele registra uma das primeiras ocasiões em que Sinatra reuniu formalmente seu repertório natalino em um álbum e antecipa a relação duradoura que o cantor teria com as canções de Natal.

Frank Sinatra – Christmas Songs by Sinatra (1948)
White Christmas
Jingle Bells
Silent Night
Adeste Fideles (O Come All Ye Faithful)
O Little Town of Bethlehem
It Came Upon a Midnight Clear
Have Yourself a Merry Little Christmas
Santa Claus Is Comin' to Town

Pablo Aluísio e Erick Steve.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Norah Jones - The Fall

Norah Jones - The Fall
The Fall é o quarto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana Norah Jones, lançado em 17 de novembro de 2009 pela Blue Note Records. O disco marcou uma mudança significativa na trajetória da artista, que havia conquistado reconhecimento internacional com a delicadeza de Come Away with Me (2002), Feels Like Home (2004) e Not Too Late (2007). Depois de estabelecer uma identidade musical fortemente associada ao jazz, ao folk e ao piano, Norah decidiu explorar novos caminhos, aproximando-se do rock alternativo, do pop contemporâneo e de uma sonoridade mais elétrica. Produzido por Jacquire King, conhecido por seu trabalho com artistas como Kings of Leon e Tom Waits, o álbum apresenta guitarras, teclados, bateria e arranjos mais modernos, sem abandonar a interpretação intimista que caracteriza a cantora. As gravações também contaram com músicos como Joey Waronker, James Poyser e Marc Ribot, além da participação de Ryan Adams e Will Sheff em composições. Entre as principais faixas estão “Chasing Pirates”, escolhida como primeiro single, “Young Blood”, “It's Gonna Be” e “Light as a Feather”. O repertório também revela uma Norah mais direta nas letras, explorando relacionamentos, mudanças pessoais, desilusões e a busca por independência emocional. The Fall surgiu, assim, em um momento de transformação artística, demonstrando que a cantora estava disposta a ampliar sua linguagem musical e evitar a repetição da fórmula que havia garantido seu sucesso inicial.

A recepção crítica foi, em geral, positiva. No Metacritic, The Fall obteve 73 pontos em 100, com base em 22 avaliações profissionais. A revista Billboard destacou a ousadia criativa do álbum e a decisão de Norah de abandonar parte do piano delicado que caracterizava seus trabalhos anteriores. O The New York Times considerou que o disco representava uma expansão sonora e emocional necessária para a carreira da cantora, enquanto a revista Q elogiou canções como “I Wouldn't Need You”, “Light as a Feather” e “Chasing Pirates”. A Rolling Stone observou que o resultado combinava raízes musicais alternativas com uma abordagem roqueira discreta. Houve, entretanto, avaliações menos entusiasmadas: o The Guardian considerou que a voz suave de Norah contrastava com os arranjos mais ásperos, e a Mojo criticou algumas distorções instrumentais. Comercialmente, o álbum estreou na terceira posição da Billboard 200, com aproximadamente 180 mil cópias vendidas nos Estados Unidos em sua primeira semana, tornando-se o primeiro álbum de estúdio da cantora a não alcançar o primeiro lugar naquela parada. No Reino Unido, também obteve destaque nas paradas, e o single “Chasing Pirates” recebeu execução nas rádios norte-americanas. Apesar de não repetir os números extraordinários dos primeiros trabalhos, The Fall demonstrou que Norah Jones continuava atraindo um público expressivo mesmo ao modificar sua direção musical. 

Com o passar dos anos, The Fall consolidou-se como um dos registros mais importantes da fase de experimentação de Norah Jones. O álbum mostrou uma artista interessada em ultrapassar as expectativas criadas pelo sucesso de Come Away with Me, aproximando-se de uma linguagem que combina rock alternativo, soul, blues e pop de caráter intimista. “Chasing Pirates” permanece como uma das músicas mais representativas dessa transformação, com sua batida marcada e letra sobre pensamentos que não permitem dormir. “Young Blood” apresenta uma sonoridade mais enérgica, enquanto “Back to Manhattan” e “Stuck” exploram ambientes musicais mais densos e introspectivos. A participação de compositores como Ryan Adams, Jesse Harris e Will Sheff também ampliou o universo criativo do disco. A edição original contém 13 faixas, encerrando-se com “Man of the Hour”, uma composição delicada que recupera parte da atmosfera intimista dos primeiros álbuns. Atualmente, The Fall é lembrado como uma obra de transição que ajudou a preparar o terreno para projetos posteriores, nos quais Norah continuaria alternando estilos e colaborações. Sua importância dentro da discografia da cantora está na demonstração de que o sucesso comercial não precisava significar repetição artística. Ao explorar novas texturas instrumentais e temas mais pessoais, Norah Jones reafirmou sua identidade como compositora e intérprete, mantendo a voz e a sensibilidade musical como elementos centrais de sua obra. 

Norah Jones - The Fall (2009)
Chasing Pirates
Even Though
Light as a Feather
Young Blood
I Wouldn't Need You
Waiting
It's Gonna Be
You've Ruined Me

Erick Steve.