quarta-feira, 15 de abril de 2026

Faith No More - We Care a Lot

Faith No More - We Care a Lot 
O primeiro álbum da banda norte-americana Faith No More foi We Care a Lot, lançado em 1985 pela Mordam Records. Este disco inaugural apresenta uma formação inicial bastante diferente daquela que posteriormente alcançaria fama mundial, com Chuck Mosley nos vocais, além de Roddy Bottum, Billy Gould e Mike Bordin. Musicalmente, o álbum mistura elementos de funk, punk, pós-punk e rock alternativo, evidenciando desde cedo a proposta híbrida e experimental da banda. A faixa-título We Care a Lot tornou-se o principal destaque do disco, com sua abordagem irônica e crítica social, antecipando a postura irreverente que marcaria o grupo nos anos seguintes. Apesar de uma produção relativamente simples e independente, o álbum já indicava o potencial criativo da banda e sua disposição em romper com os padrões convencionais do rock da época.

A recepção crítica foi discreta no momento de seu lançamento, em grande parte devido à distribuição limitada e ao fato de o grupo ainda fazer parte do circuito underground. Publicações como a Rolling Stone só viriam a dar maior atenção à banda em trabalhos posteriores, enquanto o The New York Times praticamente não cobriu o disco na época. Comercialmente, o álbum teve alcance modesto, mas ganhou certa notoriedade em cenas alternativas, especialmente na Califórnia. Com o passar dos anos e o sucesso posterior do Faith No More — especialmente após a entrada de Mike Patton — We Care a Lot foi reavaliado como um registro importante das origens da banda. Hoje, é visto como um trabalho essencial para compreender a evolução do grupo e o desenvolvimento de sua identidade sonora única, sendo reconhecido como um precursor do metal alternativo e do funk metal que ganharia força no final dos anos 1980 e início dos anos 1990.

Faith No More - We Care a Lot (1985)
We Care a Lot
The Jungle
Mark Bowen
Jim
Why Do You Bother
Greed
Pills for Breakfast
As the Worm Turns
Arabian Disco

Christian De Bella. 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Britney Spears - ...Baby One More Time

Britney Spears - ...Baby One More Time 
O álbum de estreia da cantora norte-americana Britney Spears foi ...Baby One More Time, lançado em 12 de janeiro de 1999 pela Jive Records. O disco marcou o surgimento de uma das maiores estrelas pop da virada do milênio, trazendo uma sonoridade que mesclava pop adolescente com influências de dance e R&B. Produzido por nomes como Max Martin, o álbum foi cuidadosamente elaborado para criar um som altamente comercial e cativante. A faixa-título ...Baby One More Time tornou-se um fenômeno global, impulsionada por um videoclipe icônico que ajudou a consolidar a imagem de Britney na cultura pop. Outros destaques incluem Sometimes, (You Drive Me) Crazy e Born to Make You Happy, que reforçaram o apelo jovem e romântico do disco. O álbum foi fundamental para redefinir o pop adolescente no final dos anos 1990, abrindo caminho para uma nova geração de artistas.

A recepção crítica foi mista na época do lançamento, com publicações como a Rolling Stone reconhecendo o apelo irresistível das músicas, mas também apontando a forte orientação comercial do projeto. O The New York Times destacou o impacto cultural imediato da cantora, mesmo que o conteúdo lírico fosse considerado simples. Apesar das críticas divididas, o sucesso comercial foi avassalador: o álbum vendeu mais de 25 milhões de cópias no mundo inteiro, tornando-se um dos discos mais vendidos da história. Com o passar dos anos, ...Baby One More Time passou a ser visto como um marco definitivo da música pop, simbolizando o retorno do pop adolescente ao topo das paradas e consolidando Britney Spears como um ícone global. Seu legado permanece vivo, influenciando artistas e sendo constantemente revisitado como um dos álbuns mais importantes do final do século XX.

Britney Spears – ...Baby One More Time (1999)
...Baby One More Time
(You Drive Me) Crazy
Sometimes
Soda Pop
Born to Make You Happy
From the Bottom of My Broken Heart
I Will Be There
I Will Still Love You
Thinkin' About You
E-Mail My Heart
The Beat Goes On

Christian de Bella. 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Stereophonics - Just Enough Education to Perform

Stereophonics - Just Enough Education to Perform
O terceiro álbum de estúdio da banda galesa Stereophonics, Just Enough Education to Perform, foi lançado em 11 de abril de 2001 e marcou um momento decisivo na consolidação do grupo como um dos principais nomes do rock britânico do início dos anos 2000. Produzido por Bird & Bush (parceria entre Marshall Bird e Steve Bush), o disco apresenta uma sonoridade mais refinada em relação aos trabalhos anteriores, equilibrando o rock alternativo com elementos mais melódicos e introspectivos. Liderado pela voz característica de Kelly Jones, o álbum trouxe composições que exploram temas como fama, cotidiano e observações sociais, muitas vezes com um tom crítico e pessoal. Entre os destaques estão Have a Nice Day, um dos maiores sucessos da banda, além de Mr. Writer, que aborda diretamente a relação conflituosa com a imprensa musical, e Handbags and Gladrags, um cover que ganhou enorme popularidade.

A recepção crítica ao álbum foi geralmente positiva, com publicações como a Rolling Stone destacando a evolução sonora e a maturidade nas composições da banda. O The New York Times também ressaltou o talento narrativo de Kelly Jones, comparando-o a cronistas do cotidiano urbano britânico. Comercialmente, Just Enough Education to Perform foi um enorme sucesso, alcançando o topo das paradas no Reino Unido e vendendo milhões de cópias, tornando-se o álbum mais bem-sucedido da carreira do Stereophonics. Ao longo dos anos, o disco consolidou-se como um marco do rock britânico da virada do milênio, ajudando a definir o som da época e influenciando diversas bandas posteriores. Seu legado permanece forte entre os fãs e é frequentemente lembrado como o ponto alto criativo e comercial do grupo, sendo uma referência essencial para compreender a trajetória do Stereophonics.

Stereophonics – Just Enough Education to Perform (2001)
Vegas Two Times
Lying in the Sun
Mr. Writer
Step on My Old Size Nines
Have a Nice Day
Nice to Be Out
Watch Them Fly Sundays
Every Day I Think of Money
Maybe
Caravan Holiday
Rooftop
Handbags and Gladrags

Erick Steve. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Oasis - Be Here Now

Oasis - Be Here Now
O terceiro álbum de estúdio da banda britânica Oasis, Be Here Now, foi lançado em 21 de agosto de 1997 e chegou cercado por uma expectativa gigantesca após o sucesso fenomenal de (What’s the Story) Morning Glory?. Produzido por Noel Gallagher e Owen Morris, o disco representa o auge do britpop em termos de ambição e grandiosidade sonora. As músicas são marcadas por arranjos expansivos, guitarras sobrepostas e durações longas, refletindo tanto a confiança quanto o excesso criativo da banda naquele momento. Faixas como D'You Know What I Mean?, Stand by Me e All Around the World se destacaram como singles importantes, com esta última ultrapassando nove minutos e simbolizando o caráter épico do álbum. O disco também carrega a atmosfera hedonista do período, marcada pelo sucesso, fama e excessos vividos pelos irmãos Liam Gallagher e Noel Gallagher.

A recepção crítica inicial foi extremamente positiva, com publicações como a Rolling Stone e a imprensa britânica exaltando o álbum como um novo marco do rock contemporâneo. No entanto, com o passar do tempo, a avaliação mudou significativamente: veículos como o The New York Times e outras revistas passaram a criticar o excesso de produção e a falta de edição nas composições, apontando o disco como inflado e menos focado que seus predecessores. Comercialmente, Be Here Now foi um enorme sucesso imediato, tornando-se um dos álbuns mais vendidos da história no Reino Unido em sua semana de lançamento e alcançando o topo das paradas em diversos países. Apesar disso, sua reputação foi sendo reavaliada ao longo dos anos, muitas vezes citada como o ponto de saturação do britpop. Ainda assim, o álbum mantém um legado significativo como símbolo do auge e da decadência de um movimento cultural, além de continuar sendo apreciado por fãs por sua energia grandiosa e momentos marcantes.

Oasis – Be Here Now (1997)
D'You Know What I Mean?
My Big Mouth
Magic Pie
Stand by Me
I Hope, I Think, I Know
The Girl in the Dirty Shirt
Fade In-Out
Don't Go Away
Be Here Now
All Around the World
It's Gettin' Better (Man!!)
All Around the World (Reprise)

Erick Steve. 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Nirvana - In Utero

Nirvana – In Utero
Inicialmente Kurt Cobain quis chamar esse disco de “Eu me Odeio e Quero Morrer!”. Isso mesmo, mais direto impossível. Depois de muitos debates e brigas com a gravadora finalmente ele concordou em desistir do título. Os advogados lhe convenceram que um nome como esse poderia lhe trazer muitos problemas legais, inclusive acusações de incentivo ao suicídio de seus fãs. Mesmo relutando o líder do Nirvana recuou e escolheu o nome de “In Utero” que havia retirado de um verso escrito para uma canção por sua esposa, Courtney Love. Mas afinal porque Kurt Cobain estava tão desiludido com sua própria vida? Na realidade não foi apenas um motivo que o levou a isso mas vários. A gravação do disco ocorreu em uma das fases mais conturbadas da vida do músico. Sua filha Frances acabara de nascer mas ele corria o risco de perder sua custódia por causa de seu abuso de drogas. A justiça americana estava querendo tirar a criança dos cuidados do casal uma vez que o vício em heroína de Cobain havia saído do controle e era de conhecimento público. A luta nos tribunais foi desgastante e penosa. Além de ter a vida exposta ao grande público Cobain começou também a entrar em uma rota depressiva que o levaria em pouco tempo ao suicídio, comprovando tragicamente os sentimentos de sua frase onde afirmava que ele se odiava e queria morrer.

As letras das canções de “In Utero” representam bem esse estado de espírito depressivo de Kurt Cobain. Os temas são sombrios, pessimistas, muitas vezes beirando o mal gosto (como na faixa “Rape Me” cuja tradução literal “Estupre-me” já era auto explicativa). Não era para menos. Pensando bem nada ia bem na vida do roqueiro. Ele sofria de sérias dores de estomago, perdia cada vez mais o senso de realidade pelo abuso de drogas e sentia-se perdido com a fama que havia conquistado. Além disso começou a agir como um perfeito paranóico, comprando armas de grande calibre, afirmando que estava sendo perseguido por “forças ocultas”. E havia problemas de relacionamento com as pessoas mais próximas de sua vida. Um desses era o complicado sentimento que Kurt tinha para com seu próprio pai. Eles tinham ficado anos sem se ver, mas o velho Cobain após o sucesso do Nirvana reapareceu para assistir a um show do filho famoso. Isso perturbou bastante Kurt. O encontro deixou Cobain muito mal. Ele tinha reservas contra sua família e não conseguia ficar à vontade na presença deles. Sem reação resolveu desabafar através de sua música. “In Utero” traz vários versos dedicados ao pai, mesmo que de forma bem indireta e obscura. E para piorar o que já era bem ruim seu estado era deplorável. Ele não conseguia mais reagir aos acontecimentos ao redor, estando sempre chapado ao limite. Em casa ficava o tempo todo drogado, caído pela chão. Ainda foi feita uma tentativa de intervenção sobre sua dependência química mas sem sucesso. O resto já sabemos. Kurt Cobain não conseguiu sobreviver a uma crise suicida e se matou na garagem de sua casa após escrever um bilhete de despedida para familiares e fãs tornando assim “In Utero” seu verdadeiro testamento musical. Uma pena. Foi um fim muito precoce para um artista que marcou época e revitalizou o cenário punk alternativo americano.

Nirvana - In Utero (1993)
Serve the Servants
Scentless Apprentice
Heart-Shaped Box
Rape Me
Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle
Dumb
Very Ape
Milk It
Pennyroyal Tea
Radio Friendly Unit Shifter
tourette's
All Apologies

Pablo Aluísio.

terça-feira, 31 de março de 2026

Elton John - The Fox

Elton John - The Fox
O primeiro álbum de Elton John na década de 1980 foi The Fox, lançado em 20 de maio de 1981 pela Geffen Records (nos Estados Unidos) e também pela Rocket Record Company em outros territórios. Produzido por Chris Thomas, o disco marcou uma fase de transição na carreira do artista, que buscava se reinventar após o enorme sucesso obtido nos anos 1970. The Fox apresenta uma sonoridade diversificada, combinando pop, rock e elementos orquestrais, além de manter a tradicional parceria com o letrista Bernie Taupin. O álbum inclui faixas como Just Like Belgium, Chloe e Elton's Song, esta última destacando-se por sua temática sensível e incomum para a época. Embora não tenha produzido grandes sucessos comerciais comparáveis aos clássicos da década anterior, o disco revela um artista experimentando novas direções musicais e explorando diferentes abordagens de composição.

A recepção crítica ao álbum foi mista, com publicações como a Rolling Stone apontando certa irregularidade no material, embora reconhecendo momentos de grande qualidade musical. O The New York Times destacou o esforço de Elton John em renovar seu estilo, mas também observou que o disco não possuía o mesmo impacto imediato de seus trabalhos mais consagrados. Comercialmente, The Fox teve desempenho moderado, alcançando posições razoáveis nas paradas, mas ficando abaixo das expectativas para um artista de sua magnitude. Com o passar do tempo, o álbum passou a ser visto como uma obra de transição importante, que preparou o terreno para o ressurgimento comercial de Elton John ao longo dos anos 1980. Hoje, é valorizado por fãs e críticos como um registro honesto de um período de reinvenção artística, demonstrando a capacidade do músico de se adaptar às mudanças da indústria e manter sua relevância ao longo das décadas.

Elton John - The Fox (1981)
Breaking Down Barriers
Heart in the Right Place
Just Like Belgium
Nobody Wins
Fascist Faces
Carla/Etude
Chloe
Heels of the Wind
Elton's Song
The Fox

Erick Steve. 

sábado, 28 de março de 2026

Bruce Springsteen – Greetings from Asbury Park, N.J.

Bruce Springsteen – Greetings from Asbury Park, N.J.
O primeiro álbum do cantor e compositor norte-americano Bruce Springsteen foi Greetings from Asbury Park, N.J., lançado em 5 de janeiro de 1973 pela Columbia Records. Produzido por John Hammond e Mike Appel, o disco apresentou ao mundo um jovem artista com uma abordagem lírica extremamente rica, frequentemente comparada à de Bob Dylan. O álbum é fortemente enraizado no folk rock, com influências de rhythm and blues e rock clássico, e destaca-se principalmente por suas letras densas, cheias de personagens urbanos, histórias do cotidiano e jogos de palavras elaborados. Faixas como Blinded by the Light e Spirit in the Night se tornaram referências iniciais da carreira de Springsteen, evidenciando seu talento narrativo e sua habilidade de construir atmosferas vívidas. Apesar da produção relativamente simples, o disco já indicava o potencial de um artista que viria a se tornar um dos maiores nomes do rock americano.

A recepção crítica foi bastante positiva, embora o impacto comercial inicial tenha sido modesto. A Rolling Stone elogiou a sofisticação das letras e a energia do jovem músico, enquanto o The New York Times destacou sua originalidade e presença como compositor. No entanto, o álbum não teve grande sucesso nas paradas no momento de seu lançamento, vendendo relativamente pouco em comparação com trabalhos posteriores. Com o passar dos anos e o crescimento da popularidade de Springsteen, Greetings from Asbury Park, N.J. foi reavaliado e ganhou status de obra fundamental em sua discografia. Hoje, é reconhecido como um início promissor que já continha muitos dos elementos que definiriam sua carreira: narrativas urbanas, personagens marcantes e uma profunda conexão com a cultura americana. O álbum permanece como um registro importante do surgimento de um dos maiores contadores de histórias da música contemporânea.

Bruce Springsteen – Greetings from Asbury Park, N.J. (1973)
Blinded by the Light
Growin' Up
Mary Queen of Arkansas
Does This Bus Stop at 82nd Street?
Lost in the Flood
The Angel
For You
Spirit in the Night
It's Hard to Be a Saint in the City

Erick Steve. 

Duran Duran – Seven and the Ragged Tiger

Duran Duran – Seven and the Ragged Tiger 
O álbum que sucedeu Rio na discografia da banda britânica Duran Duran foi Seven and the Ragged Tiger, lançado em 21 de novembro de 1983 pela EMI. Este terceiro trabalho de estúdio veio em um momento de enorme pressão, já que o grupo precisava corresponder ao sucesso estrondoso de seu antecessor. Gravado em diversos estúdios ao redor do mundo, incluindo locais na França e Austrália, o disco reflete tanto o glamour quanto o desgaste da vida na estrada. Musicalmente, o álbum mantém a base new wave e synth-pop característica da banda, mas com uma produção mais polida e ambiciosa. Faixas como Union of the Snake, New Moon on Monday e The Reflex se destacaram, sendo esta última um enorme sucesso após remix de Nile Rodgers. O disco também evidencia a evolução do grupo em termos de arranjos e experimentação sonora, mantendo ao mesmo tempo o apelo comercial que os tornara ídolos da era MTV.

A recepção crítica foi mista, especialmente quando comparada ao entusiasmo gerado por Rio. Publicações como a Rolling Stone reconheceram o talento da banda para criar hits, mas apontaram certa falta de coesão no álbum como um todo. Já outros veículos, como o The New York Times, destacaram o refinamento da produção e o alcance global do grupo. Apesar das críticas divididas, o desempenho comercial foi impressionante: o álbum alcançou o topo das paradas no Reino Unido e teve grande sucesso internacional, consolidando o Duran Duran como um dos maiores nomes do pop dos anos 1980. Com o tempo, Seven and the Ragged Tiger passou a ser reavaliado de forma mais positiva, sendo visto como um retrato fiel do auge da banda e da cultura pop da época. Seu legado permanece associado à estética extravagante e ao som sofisticado que definiram uma geração, além de reforçar a influência duradoura do grupo na música pop e no videoclipe como forma de arte.

Duran Duran – Seven and the Ragged Tiger (1983)
The Reflex
New Moon on Monday
(I'm Looking For) Cracks in the Pavement
I Take the Dice
Of Crime and Passion
Union of the Snake
Shadows on Your Side
Tiger Tiger
The Seventh Stranger

Erick Steve. 

sexta-feira, 27 de março de 2026

George Michael - Faith

Fim de ano é tempo de organizar algumas bagunças. Remexendo em uma velha pilha de discos de vinil da minha velha coleção acabei me deparando com uma cópia antiga, já bem gasta pelo tempo, desse "Faith". Para matar um pouco a saudade resolvi colocar para tocar algumas faixas. Provavelmente apenas Michael Jackson e Madonna eram mais populares do que George Michael na década de 80. O cantor inglês era um dos maiores vendedores de discos do mundo! Suas turnês lotavam estádios planeta afora e George Michael tinha um fã clube tão forte e organizado como os de Madonna e Michael Jackson. "Faith" foi seu auge absoluto. Depois de um começo de carreira no Wham! (uma espécie de Menudo em versão dupla) o cantor rompeu com o antigo amigo e se lançou em carreira solo.

Após assinar com uma grande gravadora ele mudou o visual (saiu o estilo namoradinho de colegial e entrou o jeito motoqueiro de ser). George Michael encarnava naquele momento o cara durão de rua, que arranjava briga em bares de motoqueiro onde só havia caras durões para bater. Com uma jukebox dos anos 50 ao lado e casaco de couro negro, o cantor praticamente se reinventou. O novo design caiu imediatamente no gosto de seu extenso fã clube. "Faith" vendeu quase 30 milhões de cópias ao redor do mundo! George Michael com seu visual de borracharia, barba por fazer e óculos espelhados virou um ícone de sensualidade e perigo para todas as adolescentes do mundo! Depois de conquistar o primeiro lugar nas paradas George Michael partiu para conquistar o mundo através de turnês megalomaníacas! Lotou estádios dos EUA à Europa e até no Brasil o ídolo das massas aterrissou.

Foi um dos primeiros álbuns gravados digitalmente no mundo - uma revolução e tanto para aquela época. George Michael mostrando uma maturidade incomum foi praticamente o único produtor de todas as faixas. Usando a nova tecnologia ao limite ele conseguiu produzir um disco único que até hoje causa admiração em quem ouve. Além disso ele sempre mostrou ser um intérprete muito talentoso, com voz muito agradável. Infelizmente assim como aconteceu com Michael Jackson, sua vida pessoal cheia de problemas e escândalos nublaram a isenção dos que escreviam sobre suas obras. O fato porém é que George Michael nunca mais voltou ao nível comercial e artístico que apresentou nesse "Faith", um álbum que até hoje é um dos maiores representantes da musicalidade da década de 80. Um apogeu que jamais voltaria a acontecer em sua carreira.

1. Faith (George Michael) - Inegavelmente é um pop descartável dos anos 80, música para tocar nas estações de rádio FM. Tudo feito para consumo rápido. A música título "Faith" vai justamente por esse lado. Agora pare para pensar um pouco. Compare essa pop music dos anos 80 com o que se ouve hoje em dia no Dial de sua programação. É algo muito superior a qualquer coisa que se ouça hoje em dia. Os arranjos dessa música são caprichados, lembrando inclusive as guitarras dos anos Rockabilly. Isso fica ainda mais evidente pelo próprio visual de George Michael nesse álbum. Ele surge como um roqueiro dos anos 50, com direito a casaco preto de couro e tudo. Uma antiga guitarra vintage completa o quadro. Ficou muito legal!

2. Father Figure (George Michael) - "Father Figure" foi outro grande sucesso desse álbum. É uma balada, mas que se diferencia justamente pelo estilo vocal de George Michael. Ele a canta em sussurros, causando um efeito de confissão em quem ouve a faixa. O coro feminino só valoriza ainda mais a canção. É aquela sonoridade anos 80 que se você ouviu na época nunca mais esqueceu. Extremamente fixada em sua mente. Coisas de produtor. A letra é também extremamente sensual. Em primeira pessoa George Michael conta para sua garota que quer ser sua figura paterna. Não na linha de se tornar um Sugar Daddy da jovem, mas sim ali lado a lado, desfrutando de momentos mais íntimos possíveis. Um violão espanhol solando ao fundo completam o quadro de sensualidade latente.

3. I Want Your Sex (I & II) (George Michael) - A música que mais fez sucesso desse álbum foi "I Want Your Sex (I & II)", Realmente um belo trabalho de arranjos providenciado pelo próprio George Michael que foi o produtor do disco. É interessante perceber também que essa faixa acabou sendo renegada pelo próprio George Michael alguns anos depois, principalmente depois que ele enveredou por uma linha mais séria em sua discografia. Não é mesmo incomum astros da música renegarem seus maiores sucessos depois de alguns anos. Até parece que sentem uma certa vergonha por terem feito sucesso com determinadas canções. Deixando isso de lado a canção tem um arranjo que mais parece um antigo R&B, com ênfase na parte mais acústica, isso sem deixar de lado o som mais sofisticado que acabou estourando nas rádios durante os anos 80. Já a letra, bem, essa era mais do que direta. Na época não se sabia que George Michael era gay, por isso o apelo de sua sexualidade pegou também as fãs em cheio. Com um visual bem másculo, com jeitão de roqueiro dos anos 50, George Michael logo se reafirmou como símbolo sexual para as garotas, algo aliás que vinha desde os tempos do Wham, só que naqueles tempos numa pegada mais juvenil.

4. One More Try (George Michael) - "One More Try" começa quase como uma música sacra. Essa balada foi outra que não saiu das paradas na época. De forma em geral esse foi mesmo o auge comercial da carreira do cantor. Praticamente todas as faixas do disco se tornaram hits. Impressionante. George Michael estava ali lado a lado com Michael Jackson e Madonna no domínio das paradas de sucesso. Aliás sempre cito os três artistas como a verdadeira "trindade" da música pop internacional dos anos 80. Seus discos eram formados de um sucesso atrás do outro. Em uma época onde a sonoridade da música comercial era infinitamente superior ao que se ouve hoje em dia eles se destacavam muito nesse aspecto. Sim, música comercial mesmo, feita para vender, mas com inegável qualidade.

5. Hard Day (George Michael) - "Hard Day" também é muito bem arranjada, porém é tal coisa, esse uso excessivo de sintetizadores (tão comum nos anos 80) deixou a gravação também bastante datada. A linha de baixo, instrumento mais tradicional e convencional, acabou salvando a canção de sua sonoridade 80s em excesso. Essa faixa fez relativo sucesso na época. Não é uma música de George Michael que você vai lembrar de imediato, mas bastará mais alguns segundo para que você se lembre bem dela. Tem um ritmo mais cadenciado. A letra não diz muita coisa, porém no conjunto se torna bastante razoável.

6. Hand to Mouth (George Michael) - A música começa com uma bateria digital (que era febre nos anos 80). A voz do George Michael também está modificada, muito remixada. Essa faixa fez um sucesso apenas razóavel em seu lançamento. Seu estrofe principalmente vai soar familiar para quem viveu a época. O refrão então, você lembrará com certeza. Mesmo assim penso que é uma faixa menor dentro do disco. Não chega a se destacar. Apenas seu ritmo mais relaxante vai chamar a atenção hoje em dia.

7. Look at Your Hands (David Austin / George Michael) - "Look at Your Hands" tem um arranjo tão anos 80! Esses saxofones, nesse tipo de linha melódica, me lembra imediatamente de Rob Lowe fingindo ser um músico naquele clássico "O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas". Poderia ter feito parte dessa trilha sonora pois tem tudo a ver. Voltando para o "Faith" podemos perceber que a música tem seu embalo - com destaque também para as vocalistas femininas - mas nunca fez muito sucesso. Um Lado B de Michael. Bom embalo, dançante, bem produzida, mas sem maior brilho. Detalhe importante: foi composta em dupla com David Austin.

8. Monkey (George Michael) - A música "Monkey"ganhou clip, a gravadora se esforçou para fazer sucesso, mas a música nunca virou um hit! Por qual razão? Complicado dizer. O público tem seus próprios mistérios e nenhum analista consegue com certeza dizer se uma faixa vai ou não fazer sucesso. No videoclip temos uma parte em que George Michael, vestido de fazendeiro chic, com direito a suspensórios, dança em boa fotografia preto e branco. Na outra linha uma bem bolada edição mostra o cantor em diversos shows de sua turnê. É como eu escrevi, George Michael se esforçou muito para promover a canção - até fez coreografia própria, mas nunca pegou, nunca tocou bem nas rádios.

9. Kissing a Fool (George Michael) - E que tal beijar um tolo? Essa é a proposta de "Kissing a Fool". Ao contrário das anteriores esse bom swing fez sucesso e se tornou um hit internacional. O que não deixa de ser curioso pois é uma música bem simples, mas que caiu no gosto popular. Esse tipo de sonoridade me lembra muito os antigos cantores dos anos 40, com toda aquela ginga que se perdeu no tempo. Outro fato digno de nota: o arranjo não envelheceu nada e segue sendo tão saboroso e moderno como no dia em que chegou nas lojas pela primeira vez. Quem diria que essa faixa seria uma das mais impermeáveis ao tempo? Pois é... George Michael soando como algo novo, a última novidade.

10. Hard Day (Shep Pettibone Remix) (George Michael) - Numa época em que era raro termos remixes em álbuns de cantores e bandas, o George Michael inovou ao colocar essa faixa "Hard Day (Shep Pettibone Remix)". Era basicamente a mesma Hard Day, só que obviamente turbinada com todos os efeitos sonoros que eram possíveis nos anos 80. Ficou bem dançante, bem moderna, ideal para as pistas de dança. Importante chamar a atenção para o fato de que embora ainda não tivesse assumido publicamente que era gay o cantor era figurinha fácil em bailes e festas LGBTs. E ele bem sabia disso, tanto que contratou um grupo de DJs de Los Angeles especialmente para a elaboração desse remix. Um presente de George Michael para seu público mais fiel, obviamente.

11. A Last Request (I Want Your Sex Part III) (George Michael) - A mesma lógica fonográfica vem com "A Last Request (I Want Your Sex Part III)", só que aqui saiu o lado mais dance, frenético, para a entrada de uma balada bem calma, relax, bem diferente da "I Want Your Sex" original. Era fácil para George Michael brincar de produtor com esse tipo de faixa, afinal ele tinha à disposição o melhor dos mais modernos estúdios de gravação de Los Angeles e Nova Iorque ao seu dispor. Assim ele poderia dar diversas vertentes sonoras às músicas que havia gravado para o álbum "Faith". O resultado iria inspirar outros artistas a fazerem o mesmo, trilharem o mesmo caminho. Não deixou de ser uma inspiração bem interessante para quem gostava de música e sonoridade em geral. Foi até uma pequena revolução no mundo do disco que ele deu o pontapé inicial, quase sem querer.

Pablo Aluísio.

terça-feira, 24 de março de 2026

U2 - The Joshua Tree

U2 - The Joshua Tree
O álbum The Joshua Tree, da banda irlandesa U2, foi lançado em 9 de março de 1987 e representa o auge artístico e comercial do grupo durante a década de 1980. Produzido por Brian Eno e Daniel Lanois, o disco consolidou a sonoridade épica e atmosférica do U2, combinando rock com influências do folk americano, blues e gospel. Inspirado pela cultura e pela paisagem dos Estados Unidos, o álbum também traz uma forte carga política e espiritual, abordando temas como desigualdade social, fé e crítica à política externa americana. Faixas como With or Without You, I Still Haven't Found What I'm Looking For e Where the Streets Have No Name tornaram-se hinos instantâneos, destacando a voz emocional de Bono e o estilo de guitarra inconfundível de The Edge. O álbum também se beneficia de uma produção sofisticada, que equilibra minimalismo e grandiosidade, criando uma atmosfera sonora única que ajudou a definir o som do rock alternativo da época.

A recepção crítica foi extremamente positiva, com publicações como a Rolling Stone classificando o disco como uma obra-prima e destacando sua profundidade lírica e ambição sonora. O The New York Times elogiou a maturidade artística da banda, enquanto outras revistas como a The New Yorker reconheceram a habilidade do U2 em unir mensagem política e apelo popular. Comercialmente, The Joshua Tree foi um enorme sucesso, alcançando o topo das paradas em diversos países e vendendo mais de 25 milhões de cópias ao redor do mundo. O álbum rendeu vários prêmios Grammy, incluindo Álbum do Ano, e consolidou o U2 como uma das maiores bandas do planeta. Seu legado permanece até hoje como um dos discos mais importantes da história do rock, influenciando gerações de músicos e sendo constantemente citado em listas de melhores álbuns de todos os tempos. É uma obra que transcende seu contexto histórico e continua relevante tanto musical quanto culturalmente.

U2 – The Joshua Tree (1987)
Where the Streets Have No Name
I Still Haven't Found What I'm Looking For
With or Without You
Bullet the Blue Sky
Running to Stand Still
Red Hill Mining Town
In God's Country
Trip Through Your Wires
One Tree Hill
Exit
Mothers of the Disappeared

Erick Steve.