sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Tina Turner - Break Every Rule

Tina Turner - Break Every Rule
Lançado em 23 de setembro de 1986, Break Every Rule foi o segundo grande álbum de Tina Turner na década de 1980 e o trabalho que confirmou que o extraordinário sucesso de Private Dancer não havia sido um acontecimento isolado. Depois de reconstruir sua carreira solo aos 44 anos e conquistar o mercado internacional, Tina voltou ao estúdio acompanhada por alguns dos principais compositores e produtores da música pop daquele período. O álbum contou com contribuições de nomes como Terry Britten, Rupert Hine, Mark Knopfler e Bryan Adams. Musicalmente, o disco combinou rock, pop, soul e R&B com uma produção típica da segunda metade dos anos 1980. Tina manteve a voz poderosa e rouca que havia marcado sua carreira, mas agora inserida em arranjos mais modernos e direcionados às rádios internacionais. Canções como "Typical Male", "Two People", "What You Get Is What You See" e "Girls" mostraram que ela conseguia continuar relevante em uma indústria musical que passava por rápidas transformações. Break Every Rule foi, portanto, fundamental para consolidar a nova fase de Tina Turner como uma das maiores estrelas femininas da música mundial.

A recepção da crítica foi bastante positiva, embora alguns jornalistas considerassem o álbum menos inovador que Private Dancer. A Billboard destacou a extraordinária presença vocal de Tina e a capacidade de produtores e compositores de adaptar seu estilo a uma sonoridade pop contemporânea. A revista também observou que a cantora continuava demonstrando uma energia que muitos artistas mais jovens não conseguiam reproduzir. A Rolling Stone elogiou a interpretação de Tina, destacando sua "voz áspera e irresistivelmente poderosa", mas considerou que algumas das produções eram excessivamente calculadas para o mercado pop. A New Musical Express recebeu o álbum de forma favorável, especialmente pela presença de elementos de rock e soul. A crítica britânica também valorizou a capacidade de Tina de trabalhar com diferentes compositores sem perder sua identidade. O consenso geral era de que Break Every Rule não pretendia reinventar a fórmula de Private Dancer, mas demonstrava que Tina havia encontrado uma maneira extremamente eficiente de combinar sua personalidade artística com a música pop contemporânea.

Os grandes jornais também deram atenção ao fenômeno Tina Turner. O The New York Times destacou a extraordinária trajetória da cantora e sua capacidade de permanecer relevante depois de décadas de carreira, observando que sua voz continuava sendo seu maior patrimônio artístico. O Los Angeles Times elogiou especialmente a energia das gravações e a presença de Tina em canções como "Typical Male". A participação de Bryan Adams em "Back Where You Started" também recebeu atenção, assim como a colaboração de Mark Knopfler em "Private Dancer" e outros trabalhos associados à fase de Tina. A The New Yorker, em retrospectivas posteriores, destacou Tina como um dos exemplos mais impressionantes de longevidade na música popular, ressaltando que sua transformação em estrela pop internacional durante os anos 1980 aconteceu em uma idade em que a indústria normalmente começava a afastar cantoras veteranas dos grandes mercados. Break Every Rule demonstrava que Tina não apenas havia retornado: ela havia se estabelecido definitivamente entre as grandes estrelas da música mundial.

Comercialmente, o álbum foi um enorme sucesso internacional. Break Every Rule alcançou o 4º lugar na Billboard 200 nos Estados Unidos e chegou ao 1º lugar em diversos países, incluindo Alemanha, Suíça e Áustria. No Reino Unido, alcançou a 2ª posição da UK Albums Chart. O primeiro grande single, "Typical Male", chegou ao 2º lugar da Billboard Hot 100, tornando-se um dos maiores sucessos americanos da carreira solo de Tina. "Two People" e "What You Get Is What You See" também tiveram excelente desempenho em diversos mercados. O álbum vendeu milhões de cópias em todo o mundo, recebendo certificações de ouro e platina em numerosos países. Seu sucesso foi acompanhado por uma gigantesca turnê mundial, que reforçou ainda mais a imagem de Tina como uma das maiores performers de sua geração. Assim, Break Every Rule provou que o fenômeno comercial de Private Dancer havia se transformado em uma carreira solo duradoura e extraordinariamente bem-sucedida.

O legado de Break Every Rule está diretamente relacionado à extraordinária trajetória de Tina Turner durante os anos 1980. Embora Private Dancer continue sendo considerado seu álbum mais importante e artisticamente revolucionário, o segundo grande trabalho da década demonstrou sua capacidade de sustentar o sucesso em escala mundial. Especialistas destacam principalmente a força vocal de Tina, sua presença cênica e a capacidade de transformar material pop convencional em performances carregadas de personalidade. Para os fãs, músicas como "Typical Male", "Two People" e "What You Get Is What You See" continuam associadas ao período de maior popularidade internacional da cantora. O álbum também ajudou a consolidar uma imagem que se tornaria inseparável de Tina Turner: a de uma artista veterana que não apenas sobreviveu às mudanças da indústria musical, mas conseguiu dominar as paradas em uma nova geração. Mais de três décadas depois, Break Every Rule permanece como um importante registro da extraordinária segunda fase de sua carreira e como prova de que Tina Turner foi uma das grandes sobreviventes e vencedoras da história da música popular.

Tina Turner - Break Every Rule (1986)
Typical Male
What You Get Is What You See
Two People
Till the Right Man Comes Along
Afterglow
Girls
Back Where You Started
Break Every Rule
Paradise Is Here
I'll Be Thunder

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

U2 - The Unforgettable Fire

U2 - The Unforgettable Fire
Lançado em 1º de outubro de 1984, The Unforgettable Fire foi o quarto álbum de estúdio do U2 e representou uma transformação decisiva na trajetória do grupo. Depois da agressividade e do caráter político de War, a banda decidiu explorar uma sonoridade muito mais atmosférica, experimental e sofisticada. O álbum foi produzido por Brian Eno e Daniel Lanois, uma parceria que teria enorme importância na evolução musical do U2. As gravações aconteceram principalmente no castelo de Slane, na Irlanda, e nos estúdios Windmill Lane, em Dublin, permitindo que o grupo experimentasse com texturas, sintetizadores, efeitos de guitarra e ambientes sonoros pouco convencionais. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. abandonaram parte da sonoridade direta dos primeiros discos e construíram músicas mais contemplativas. O resultado foi um álbum fundamental para compreender a passagem do U2 de uma importante banda pós-punk para um grupo com ambições artísticas internacionais. Faixas como "A Sort of Homecoming", "Pride (In the Name of Love)" e "Bad" demonstraram essa nova direção.

A recepção crítica foi bastante positiva e, em muitos aspectos, marcou uma mudança na maneira como o U2 era percebido pela imprensa especializada. A Rolling Stone elogiou a produção de Brian Eno e Daniel Lanois e destacou a maneira como o grupo havia conseguido ampliar sua sonoridade sem abandonar sua identidade. A revista considerou o álbum uma evolução importante em relação a War, ressaltando principalmente o trabalho de guitarra de The Edge e a intensidade vocal de Bono. A Billboard também destacou a qualidade da produção e observou que o U2 estava desenvolvendo um som cada vez mais sofisticado e internacional. No Reino Unido, a New Musical Express recebeu o disco favoravelmente, destacando sua atmosfera cinematográfica e a disposição da banda em correr riscos. A crítica reconheceu que The Unforgettable Fire não era simplesmente uma continuação de War, mas uma tentativa deliberada de reinventar a identidade artística do grupo.

Os grandes jornais também perceberam a importância dessa transformação. O The New York Times destacou a crescente ambição artística do U2 e a capacidade da banda de transformar temas políticos e sociais em composições de grande força emocional. O Los Angeles Times elogiou especialmente "Pride (In the Name of Love)", canção inspirada na vida e no assassinato de Martin Luther King Jr., observando que o grupo conseguia transformar uma mensagem política em uma canção de grande apelo popular. A The New Yorker, em análises posteriores da trajetória do U2, destacou The Unforgettable Fire como o momento em que a banda passou a utilizar o estúdio como ferramenta criativa, em vez de simplesmente registrar suas apresentações. Críticos também deram atenção especial a "Bad", considerada uma das interpretações vocais mais emocionantes de Bono. A combinação entre poesia, política, espiritualidade e experimentação sonora fez do álbum um dos trabalhos mais importantes do rock alternativo da primeira metade dos anos 1980.

Comercialmente, The Unforgettable Fire foi um sucesso expressivo e confirmou o crescimento internacional do U2. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada britânica, tornando-se o segundo disco consecutivo da banda a chegar ao topo do Reino Unido. Nos Estados Unidos, chegou à 12ª posição da Billboard 200, resultado bastante significativo para um grupo que poucos anos antes ainda era conhecido principalmente no circuito pós-punk europeu. O single "Pride (In the Name of Love)" tornou-se o maior sucesso do álbum, chegando ao 33º lugar da Billboard Hot 100 e alcançando posições ainda melhores em diversos países. "The Unforgettable Fire" também teve boa repercussão internacional. O álbum recebeu certificações de ouro e platina em diferentes mercados e continuou vendendo após o lançamento de The Joshua Tree. Seu desempenho comercial demonstrou que o U2 havia conseguido ampliar consideravelmente seu público sem abandonar a experimentação artística.

O legado de The Unforgettable Fire é enorme porque o álbum preparou diretamente o caminho para o fenômeno mundial que seria The Joshua Tree, de 1987. Especialistas frequentemente apontam este trabalho como o momento em que o U2 encontrou a combinação entre rock de arena, experimentação sonora e consciência política que definiria sua carreira. A influência de Brian Eno e Daniel Lanois tornou-se particularmente importante, pois a dupla ajudou a criar uma linguagem sonora baseada em atmosferas, espaços e texturas que seria aperfeiçoada nos trabalhos seguintes. Para os fãs, o álbum permanece como um dos períodos mais criativos da banda, especialmente por apresentar músicas como "Bad", "Pride (In the Name of Love)" e "A Sort of Homecoming". Embora The Joshua Tree tenha alcançado maior sucesso comercial, The Unforgettable Fire é frequentemente considerado mais aventureiro e experimental. Mais de quatro décadas depois de seu lançamento, continua sendo um dos discos essenciais da história do U2 e uma obra fundamental do rock dos anos 1980.

U2 - The Unforgettable Fire (1984)
A Sort of Homecoming
Pride (In the Name of Love)
Wire
The Unforgettable Fire
Promenade
4th of July
Bad
Indian Summer Sky
Elvis Presley and America
MLK

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Elton John - 21 at 33

Elton John - 21 at 33
Lançado em 13 de maio de 1980, 21 at 33 foi o primeiro álbum de estúdio de Elton John na década de 1980 e marcou o início de uma nova etapa em uma carreira que havia sido extraordinariamente bem-sucedida durante os anos 1970. O título fazia referência ao fato de Elton estar lançando seu 21º álbum de estúdio aos 33 anos de idade, embora a discografia oficial apresente algumas particularidades na contagem. Produzido por Clive Franks e pelo próprio Elton, o disco contou com a participação de músicos importantes, incluindo Pete Townshend, James Newton Howard e Steve Lukather. O álbum apresentou uma sonoridade mais próxima do pop e do rock contemporâneo do período, afastando-se parcialmente da grandiosidade dos trabalhos clássicos da década anterior. A parceria com Bernie Taupin voltou a ocupar posição central em algumas das composições. Embora Elton já não estivesse produzindo sucessos com a mesma frequência dos anos 1970, 21 at 33 demonstrou que ele continuava capaz de criar canções fortes e comercialmente atraentes.

A recepção crítica foi relativamente positiva, mas menos entusiasmada do que aquela reservada aos grandes clássicos de Elton John dos anos 1970. A Billboard destacou a habilidade do cantor em continuar produzindo material acessível e observou que sua voz e seu piano permaneciam como os principais elementos de sua identidade. A Rolling Stone recebeu o álbum de maneira mais moderada, considerando que Elton demonstrava competência, mas já não apresentava a mesma ousadia artística de trabalhos como Goodbye Yellow Brick Road ou Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy. Ainda assim, a publicação reconheceu a qualidade de algumas composições e a força interpretativa do cantor. A New Musical Express observou que Elton estava procurando adaptar sua música à nova década, incorporando uma produção mais enxuta e contemporânea. A crítica reconhecia, portanto, uma certa perda de espontaneidade, mas também via 21 at 33 como um registro importante da transição de Elton entre duas épocas musicais.

Os grandes jornais americanos também analisaram o álbum dentro desse contexto de transição. O The New York Times destacou que Elton John continuava possuindo uma das vozes mais reconhecíveis da música popular e que suas melhores composições ainda apresentavam grande força melódica. O Los Angeles Times chamou atenção para a produção mais contemporânea e para a tentativa do cantor de atualizar seu som diante da chegada de novas tendências como a new wave e o synth-pop. A The New Yorker, em avaliações retrospectivas da carreira de Elton, destacou 21 at 33 como um documento de uma fase de transição, quando o artista tentava conciliar sua identidade musical dos anos 1970 com as novas exigências da década seguinte. A participação de músicos convidados também demonstrava a intenção de Elton de explorar novas possibilidades sonoras. Embora a crítica não o tenha colocado no mesmo nível de seus álbuns clássicos, o disco foi reconhecido como um trabalho competente e representativo de seu momento histórico.

Comercialmente, 21 at 33 apresentou um desempenho respeitável. O álbum alcançou a 13ª posição na Billboard 200 nos Estados Unidos e chegou ao 12º lugar na UK Albums Chart. O principal single, "Little Jeannie", foi o grande destaque comercial do trabalho, alcançando a 3ª posição na Billboard Hot 100, tornando-se um dos maiores sucessos americanos de Elton no início da nova década. "Sartorial Eloquence" também foi lançada como single, embora tenha obtido desempenho mais modesto. O álbum recebeu certificação de ouro nos Estados Unidos, demonstrando vendas superiores a 500 mil cópias. Embora esses números fossem inferiores aos gigantescos resultados de Elton John durante o auge dos anos 1970, eles confirmavam que o cantor continuava sendo uma presença importante no mercado internacional. 21 at 33 serviu, assim, como uma ponte entre o extraordinário domínio comercial da década anterior e a carreira mais irregular que Elton teria durante boa parte dos anos 1980.

O legado de 21 at 33 é mais discreto do que o de obras como Goodbye Yellow Brick Road, Honky Château ou Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy, mas o álbum possui importância histórica dentro da carreira de Elton John. Para especialistas, ele representa o momento em que o artista começou a adaptar seu estilo às mudanças musicais dos anos 1980, período marcado pelo crescimento da new wave, do synth-pop e de novas formas de produção. Para os fãs, "Little Jeannie" permanece como o principal destaque do álbum e uma das boas canções da fase inicial de Elton na década. O disco também é interessante por registrar a colaboração de músicos que posteriormente teriam carreiras importantes. Atualmente, 21 at 33 é geralmente visto como um álbum de transição: não possui a importância revolucionária de seus grandes trabalhos dos anos 1970, mas documenta um artista tentando encontrar uma nova linguagem sem abandonar completamente suas raízes. Por isso, continua sendo uma peça relevante para compreender a evolução de Elton John durante os anos 1980.

Elton John - 21 at 33 (1980)
Chasing the Crown
Little Jeannie
Sartorial Eloquence
Two Rooms at the End of the World
White Lady White Powder
Dear God
Never Gonna Fall in Love Again
Take Me Back
Give Me the Love
If at First You Don't Succeed

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Culture Club - Kissing to Be Clever

Culture Club - Kissing to Be Clever
O primeiro álbum do Culture Club foi Kissing to Be Clever, lançado em 14 de novembro de 1982 pela Virgin Records. O disco marcou a estreia de uma das bandas mais populares e visualmente características da década de 1980, liderada pelo carismático Boy George. O grupo também era formado por Roy Hay, Mikey Craig e Jon Moss, e sua música combinava pop, soul, reggae, new wave e elementos de ska, criando uma sonoridade muito particular. O álbum surgiu no início de uma década marcada pela expansão da MTV e pela transformação dos videoclipes em instrumentos fundamentais para a construção da imagem dos artistas. Nesse cenário, a aparência andrógina de Boy George tornou-se tão importante quanto sua música, transformando-o rapidamente em um dos rostos mais reconhecidos da cultura pop. O grande sucesso do disco foi Do You Really Want to Hurt Me, uma balada de influência reggae que alcançou o primeiro lugar em vários países. O álbum também apresentou outros singles importantes, como Time (Clock of the Heart), embora essa música tenha ficado de fora da edição britânica original do LP. Com sua mistura de ritmos e a personalidade marcante do vocalista, Kissing to Be Clever estabeleceu imediatamente o Culture Club como uma das grandes novidades do pop britânico.

A recepção crítica ao álbum foi predominantemente positiva, com jornalistas elogiando a capacidade do Culture Club de combinar estilos diferentes sem perder o caráter pop de suas músicas. Publicações britânicas especializadas em música destacaram especialmente a voz de Boy George e a habilidade do grupo em transformar influências de soul e reggae em canções acessíveis ao grande público. A Rolling Stone posteriormente reconheceu a importância do disco dentro da explosão do pop britânico dos anos 1980, enquanto o The New York Times também analisou a ascensão de Boy George como um dos fenômenos culturais mais marcantes daquele período. Comercialmente, Kissing to Be Clever foi um enorme sucesso. O álbum alcançou o quinto lugar no Reino Unido e chegou ao segundo lugar da Billboard 200 nos Estados Unidos. Do You Really Want to Hurt Me tornou-se um sucesso internacional gigantesco, liderando as paradas em diversos países. O álbum acabou vendendo milhões de cópias em todo o mundo e transformou o Culture Club em uma das bandas britânicas de maior projeção internacional. O sucesso foi particularmente significativo porque demonstrava que um grupo com uma identidade visual e musical tão diferente poderia conquistar simultaneamente o mercado europeu e o enorme mercado norte-americano.

O legado de Kissing to Be Clever permanece diretamente ligado à transformação do pop dos anos 1980. O álbum ajudou a abrir espaço para artistas que utilizavam a imagem, a moda e a identidade pessoal como partes fundamentais de sua expressão artística, algo que se tornaria cada vez mais comum com a expansão da MTV. Boy George tornou-se um ícone cultural muito além da música, enquanto o Culture Club demonstrou que reggae, soul e pop poderiam conviver dentro de um mesmo repertório comercialmente poderoso. A influência do grupo pode ser percebida em inúmeros artistas posteriores que passaram a explorar identidades visuais mais ousadas e misturas de gêneros musicais. O disco também permanece importante por registrar o início de uma carreira que produziria outros sucessos gigantescos, especialmente no álbum seguinte, Colour by Numbers. Mesmo que o Culture Club tenha passado por mudanças e períodos de inatividade, as músicas de Kissing to Be Clever continuam presentes em rádios, coletâneas, trilhas sonoras e retrospectivas da década de 1980. Atualmente, o álbum é considerado um dos lançamentos essenciais do pop britânico daquele período e um retrato perfeito de uma época em que a música popular estava se tornando cada vez mais visual, internacional e aberta à diversidade de estilos e personalidades.

Culture Club - Kissing to Be Clever (1982)
White Boy
You Know I'm Not Crazy
I'll Tumble 4 Ya
Take Control
Love Twist
Don't Talk About It
You Really Want to Hurt Me
The Expert
Do You Really Want to Hurt Me
I'll Tumble 4 Ya
White Boy (Dance Mix)

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Duran Duran - Duran Duran (1981)

Duran Duran - Duran Duran (1981)
O primeiro álbum do Duran Duran foi Duran Duran, lançado em 15 de junho de 1981 pela EMI Records. O disco marcou a estreia de uma das bandas britânicas mais importantes da década de 1980 e apresentou uma combinação inovadora de new wave, synth-pop, funk, disco e elementos do punk. Formado em Birmingham por Simon Le Bon, Nick Rhodes, John Taylor, Roger Taylor e Andy Taylor, o grupo surgiu em meio à explosão da chamada New Romantic, movimento que valorizava tanto a música eletrônica quanto a estética visual. Desde o início, o Duran Duran demonstrou uma preocupação incomum com a apresentação visual de sua música, algo que posteriormente seria decisivo para seu sucesso na MTV. O álbum trouxe faixas como Planet Earth, primeiro single do grupo, e Girls on Film, que se tornaria uma das músicas mais conhecidas de sua carreira. A produção combinava sintetizadores, linhas de baixo marcantes e guitarras dançantes, criando um som moderno para o início dos anos 1980. A voz de Simon Le Bon acrescentava uma dimensão dramática às canções, enquanto Nick Rhodes contribuía para a atmosfera eletrônica característica do grupo. O disco, portanto, não foi apenas uma estreia comercial, mas também uma declaração estética que antecipava a enorme transformação do pop britânico durante aquela década.

A recepção crítica ao álbum foi positiva, embora alguns críticos tenham considerado a proposta visual da banda mais forte do que sua maturidade musical naquele primeiro momento. A imprensa britânica especializada acompanhou atentamente o surgimento do Duran Duran, especialmente porque o grupo parecia reunir características de várias tendências contemporâneas em uma única formação. A Rolling Stone posteriormente reconheceu a importância do álbum dentro da evolução do pop e da new wave britânica, enquanto outras publicações passaram a destacar a maneira como o grupo ajudou a transformar o videoclipe em parte essencial da experiência musical. Comercialmente, entretanto, o álbum teve uma trajetória bastante curiosa. Inicialmente, alcançou apenas o número 3 na parada britânica, mas seu sucesso cresceu progressivamente com a expansão da popularidade da banda. Nos Estados Unidos, o disco teve desempenho mais modesto em seu lançamento inicial, mas posteriormente conquistou novos ouvintes quando a MTV começou a exibir os videoclipes do grupo. Girls on Film, especialmente, ganhou enorme notoriedade graças ao seu videoclipe provocativo, enquanto Planet Earth ajudou a estabelecer a identidade sonora e visual do Duran Duran. O álbum acabou se tornando um importante ponto de partida para uma carreira internacional que explodiria definitivamente com Rio, em 1982.

O legado de Duran Duran está diretamente relacionado ao nascimento do chamado “MTV pop” dos anos 1980. O grupo percebeu antes de muitos de seus contemporâneos que a música popular estava se tornando uma experiência audiovisual e investiu fortemente em videoclipes sofisticados, figurinos e uma imagem cuidadosamente construída. Essa estratégia seria fundamental para o enorme sucesso internacional alcançado posteriormente pela banda. Musicalmente, o álbum também estabeleceu elementos que seriam aperfeiçoados nos trabalhos seguintes, especialmente a combinação entre sintetizadores, baixo funk, guitarras e batidas dançantes. A influência do Duran Duran pode ser percebida em diversos artistas posteriores de pop, rock e música eletrônica que passaram a tratar a estética visual como parte inseparável de sua identidade. Embora Rio seja frequentemente considerado o grande álbum clássico da banda, a estreia continua sendo fundamental para compreender como tudo começou. Atualmente, Duran Duran é lembrado como um dos registros mais representativos da primeira fase da New Romantic e como um álbum que capturou perfeitamente a atmosfera musical e cultural do início dos anos 1980. Seu legado permanece associado à ousadia estética, à inovação sonora e ao surgimento de uma das maiores bandas pop britânicas de sua geração.

Duran Duran - Duran Duran (1981)
Girls on Film
Planet Earth
Anyone Out There
To the Shore
Careless Memories
Night Boat
Sound of Thunder
Friends of Mine
Tel Aviv

Pablo Aluísio e Erick Steve.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Madonna - Like a Prayer

Madonna - Like a Prayer 
Que Madonna é uma sobrevivente poucos duvidam. Um dos segredos de sua longa carreira é a forma como ela manipula a mídia em seu favor. Madonna nunca deixou de ser, ao longo de todos esses anos, uma notícia quente! Sua vida pessoal e profissional no fundo se resumem a uma só coisa pois tudo no final das contas vai virar produto da mídia. Ela é de certa forma herdeira de Marilyn Monroe nesse sentido, pois a loira ícone do cinema clássico também transformava aspectos de sua vida privada em forma de autopromoção na grande mídia. Nunca saindo das manchetes, mantendo sempre seu nome em evidência (não importando se de forma positiva ou negativa) Madonna foi sobrevivendo como artista. Assim queiramos ou não lá está Madonna de volta ao noticiário, seja causando polêmica contra a Igreja Católica, ou passeando com seu novo namorado garotão fingindo não ver os paparazzis, ora se envolvendo em alguma troca de farpas com outros artistas. Foi sempre assim, eternamente aparecendo na imprensa de alguma forma que Madonna se sustentou por tantos e tantos anos. Um exemplo que ela aprendeu bem cedo na carreira como bem demonstra esse álbum "Like a Prayer".

O alvo da vez, um dos preferidos da diva, foi a Igreja Católica. Como toda descendente de italianos a cantora sempre teve essa relação de amor e ódio com o catolicismo (afinal seu próprio nome vem da tradição católica romana). Na época Madonna criou polêmica com o clip da música, colocando um Jesus negro em uma igreja de um bairro pobre de Nova Iorque, sofrendo mais uma vez a violência das ruas. Para ser mais ousada ainda surgiu beijando na boca o Messias. Um escândalo! Era o tipo de polêmica que ela queria na época pois se mostrar como uma artista ousada, desafiadora, sempre rendeu bons dividendos de popularidade. E a Igreja Católica com toda sua tradição milenar se mostrou um alvo certeiro mais uma vez. No fundo essas exibições polêmicas de Madonna não possuem qualquer valor mais à sério para se debruçar, pois é queiram ou não seus admiradores, apenas mais uma jogada de marketing. A diva sabe se promover, isso é um fato incontestável. Deixando isso tudo de lado temos aqui uma boa seleção musical com faixas que viraram grandes hits nas rádios. Por essa época de extrema popularidade praticamente todas as canções dos álbuns de Madonna viravam mais cedo ou mais tarde hits radiofônicos. Musicalmente os arranjos, como não poderiam deixar de ser, seguem o receituário da época, ou seja, muitos sintetizadores, melodias dançantes e letras derivativas. Mesmo assim são gravações deliciosamente descartáveis que hoje funcionam como pura nostalgia para quem viveu na época. Uma receita de sucesso que se mostrou imbatível por anos e anos a fio.

Madonna - Like a Prayer (1989)

Like a Prayer 
Express Yourself 
Love Song 
Till Death Do Us Part 
Promise to Try 
Cherish 
Dear Jessie 
Oh Father 
Keep It Together 
Spanish Eyes 
Act of Contrition.

Pablo Aluísio.

A-ha - East of the Sun, West of the Moon

A-ha - East of the Sun, West of the Moon
Não cheguei a comprar na época de seu lançamento, só alguns anos depois. Claro que apesar disso foi impossível escapar de ouvir nas rádios o maior hit do grupo nesse disco, uma nova versão do clássico "Crying in the Rain", composição de Howard Greenfield e Carole King. Já achava essa canção extremamente linda, desde que a ouvira pela primeira vez na interpretação do grupo The Everly Brothers, um dos melhores da história nesse tipo de canção. A versão dos Brothers foi lançada em 1962 e até hoje é considerada a melhor, mesmo assim não vou tirar os méritos do A-ha. Eles fizeram uma bela gravação do standart. Aliás uma das maiores qualidades do A-ha vem justamente dessa sutileza. Eles jamais inventam em músicas que precisam ficar na sua simplicidade original para não perderem sua essência melódica. Nesse ponto acertaram em cheio.

Além dessa excelente faixa inicial o disco ainda traz outros atrativos, como por exemplo, a simpática "Early Morning". Ela foi lançada como single e seu clip foi gravado em pleno Rock in Rio II. A música fez sucesso nas rádios, o que acabou impulsionando suas vendas (no total o álbum conseguiu vender mais de três milhões de cópias ao redor do mundo desde seu lançamento original, um número digamos de respeito). Pois bem, depois dessas duas faixas mais conhecidas o álbum segue em frente com uma coleção de boas canções, todas agradáveis. O A-ha também sempre se mostrou muito bom em álbuns justamente por essa capacidade de os preencher com um bom repertório aos ouvidos. Certo, não existem obras primas, mas todas valem ao menos uma audição descompromissada e relaxante. Curiosamente no meio desse retalho sonoro bem ok, a única que nunca me agradou muito foi justamente a canção título do disco, "East of the Sun". Apesar do bom arranjo de voz e violão (e quarteto de cordas ao fundo) nunca consegui realmente gostar de seu refrão. Já "Cold River" se sobressai por causa de seu ritmo mais voltado a um jazz sofisticado. Só peca por ser curta demais. Então basicamente é isso. Não é o meu disco preferido do A-ha, mas certamente vale a pena ter em sua coleção.

A-ha - East of the Sun, West of the Moon (1990)
Crying in the Rain
Early Morning
I Call Your Name
Slender Frame
East of the Sun
Sycamore Leaves
Waiting for Her
Cold River
The Way We Talk
Rolling Thunder
(Seemingly) Non-stop July

Pablo Aluísio.

Michael Jackson - Dangerous

Michael Jackson - Dangerous
O álbum anterior de Michael Jackson intitulado "Bad" havia vendido a metade das cópias de "Thriller". Por essa razão a indústria fonográfica queria saber se Michael Jackson ainda tinha força para vender milhões de discos novamente como havia ocorrido com seu mais famoso e bem sucedido álbum. E ele conseguiu com esse disco "Dangerous" amenizar bastante os críticos que diziam que ele estava em decadência. "Dangerous" vendeu 32 milhões de cópias ao redor do mundo. Ele ainda era capaz de abalar as estruturas da indústria musical. Aliás é bom deixar claro que nenhum disco de Michael Jackson pode ser considerado um fracasso comercial. Até mesmo seu álbum menos vendido ainda era capaz de vender muito mais cópias do que qualquer outro artista de sua época. Isso é um fato inegável. 

"Dangerous" foi lançado em um período complicado de sua vida. Michael Jackson havia se tornado uma celebridade de tabloides e sua música inegavelmente havia ficado em segundo plano. E isso se refletiu nesse disco. Ele é um tanto irregular, alternando grandes momentos, com algumas mediocridades complicadas de engolir. A faixa de maior sucesso foi "Black or White" que pegava carona naquelas polêmicas que diziam que o artista queria ficar branco, renegando suas origens de homem negro. O clip foi um grande sucesso, com uso inovador de computação gráfica. Curiosamente o próprio Michael quase nem aparecia nele. Das músicas do disco as que mais aprecio são "Heal the World" e "Will You Be There". As demais sempre me soaram bem genéricas. Nunca consegui gostar nem ao menos da faixa título do álbum. Enfim, essa é minha opinião sobre esse disco. Foi bem sucedido comercialmente, mas artisticamente falando deixou um pouco a desejar. 

Michael Jackson - Dangerous (1991)
Jam
Why You Wanna Trip on Me
In the Closet
She Drives Me Wild
Remember the Time
Can't Let Her Get Away
Heal the World
Black or White
Who Is It
Give In To Me
Will You Be There
Keep the Faith
Gone Too Soon
Dangerous

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Bruce Springsteen - The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle

Bruce Springsteen - The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle
O segundo álbum de estúdio de Bruce Springsteen foi The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle, lançado em 11 de setembro de 1973. Lançado apenas oito meses após seu disco de estreia, Greetings from Asbury Park, N.J., The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle representou um enorme salto artístico na carreira de Bruce Springsteen. Produzido por Mike Appel e Jim Cretecos, o álbum abandonou parte da influência folk do primeiro trabalho para abraçar uma sonoridade muito mais ampla, incorporando rock, soul, jazz, rhythm and blues e música latina. Foi também o primeiro disco a destacar plenamente a E Street Band como elemento fundamental da identidade musical de Springsteen. As letras tornaram-se mais cinematográficas e românticas, retratando a juventude, os bairros operários de Nova Jersey, os sonhos e as desilusões da vida urbana. Embora tenha sido um fracasso comercial em seu lançamento, o álbum é hoje considerado um dos trabalhos mais criativos e inspirados de toda a carreira do artista, antecipando muitos dos elementos que seriam aperfeiçoados em Born to Run dois anos depois.

A recepção crítica foi extremamente positiva. A Rolling Stone elogiou o álbum como "uma obra exuberante de imaginação musical", destacando a capacidade de Springsteen de criar personagens memoráveis e narrativas ricas em detalhes. A revista Billboard ressaltou a maturidade das composições e a energia da E Street Band, afirmando que Bruce possuía potencial para se tornar um dos grandes nomes do rock americano. A Variety destacou a riqueza instrumental do disco e a mistura de estilos musicais, observando que o álbum exigia várias audições para revelar toda a sua complexidade. Embora alguns críticos considerassem o trabalho pouco acessível para o rádio, a maioria reconhecia que Springsteen estava desenvolvendo uma linguagem artística extremamente pessoal.

Os grandes jornais americanos também ficaram impressionados com o talento do jovem compositor. O The New York Times escreveu que Springsteen demonstrava "uma rara capacidade de transformar cenas cotidianas em histórias épicas", elogiando particularmente "Rosalita (Come Out Tonight)" e "New York City Serenade". O Los Angeles Times destacou a influência de Bob Dylan e Van Morrison, mas observou que Bruce já possuía uma identidade própria como compositor. Décadas depois, a Rolling Stone incluiria The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle entre os maiores álbuns da história do rock, destacando faixas como "Incident on 57th Street", "Kitty's Back" e "Rosalita" como verdadeiras obras-primas. Atualmente, muitos críticos consideram este um dos discos mais subestimados da década de 1970.

Do ponto de vista comercial, o álbum teve um desempenho decepcionante em seu lançamento. Assim como seu antecessor, não conseguiu alcançar posições significativas na Billboard 200 e vendeu apenas algumas dezenas de milhares de cópias nos primeiros meses. Nenhum single tornou-se um grande sucesso nas rádios, o que limitou sua divulgação. No entanto, as apresentações ao vivo de Springsteen começaram a ganhar enorme reputação, e várias músicas do álbum, especialmente "Rosalita (Come Out Tonight)", transformaram-se em momentos obrigatórios de seus shows. Após o enorme sucesso de Born to Run em 1975, as vendas de The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle cresceram continuamente, levando o disco a receber certificações de ouro e, posteriormente, de platina nos Estados Unidos.

O legado de The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle é hoje extraordinário. Muitos historiadores da música o consideram um dos álbuns mais criativos da carreira de Bruce Springsteen, destacando sua combinação de poesia urbana, exuberância instrumental e liberdade artística. Diversos músicos apontam o disco como influência importante por sua mistura de rock, soul, jazz e narrativas cinematográficas. Para os fãs, ele representa o Bruce Springsteen mais espontâneo e aventureiro, antes da consagração mundial com Born to Run. Faixas como "Rosalita", "Incident on 57th Street" e "New York City Serenade" continuam sendo celebradas como algumas das melhores composições de sua carreira. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle permanece como uma joia do rock americano e uma obra essencial para compreender a evolução artística de Bruce Springsteen.

Bruce Springsteen - The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle (1973)
The E Street Shuffle
4th of July, Asbury Park (Sandy)
Kitty's Back
Wild Billy's Circus Story
Incident on 57th Street
Rosalita (Come Out Tonight)
New York City Serenade

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Elton John - Tumbleweed Connection

Elton John - Tumbleweed Connection 
O terceiro álbum de estúdio de Elton John foi Tumbleweed Connection, lançado em 30 de outubro de 1970. Lançado poucos meses após o sucesso de seu álbum homônimo, Elton John (1970), Tumbleweed Connection representou um notável avanço artístico na carreira do músico britânico. Embora Elton John fosse inglês, ele e seu principal parceiro de composições, Bernie Taupin, criaram uma obra profundamente inspirada na cultura, na história e no imaginário do Velho Oeste americano. O álbum não é uma trilha sonora nem um disco conceitual tradicional, mas suas canções compartilham uma atmosfera comum, evocando soldados da Guerra Civil Americana, fazendeiros, viajantes e personagens típicos da fronteira dos Estados Unidos. Musicalmente, o disco mistura rock, country, folk, gospel e blues, apresentando uma sonoridade mais orgânica e madura do que seus trabalhos anteriores. Embora inicialmente não tenha produzido grandes sucessos em forma de singles, Tumbleweed Connection consolidou Elton John como um artista de enorme profundidade criativa e demonstrou que sua carreira iria muito além do pop convencional.

A crítica musical recebeu o álbum com entusiasmo, reconhecendo sua maturidade e originalidade. A Billboard destacou que Elton John havia criado "uma obra de rara consistência", elogiando especialmente a qualidade das composições e dos arranjos. A Rolling Stone publicou uma crítica extremamente favorável, afirmando que o cantor "encontrou uma identidade artística própria", destacando a parceria entre Elton John e Bernie Taupin como uma das mais promissoras da música contemporânea. A Variety ressaltou a riqueza musical do disco e observou que sua ausência de singles óbvios era compensada pela excelente qualidade do conjunto. No Reino Unido, a New Musical Express (NME) elogiou o refinamento das composições e a impressionante capacidade de Taupin de escrever letras inspiradas na cultura americana, apesar de jamais ter visitado os Estados Unidos quando escreveu grande parte delas.

A imprensa também destacou o caráter incomum do projeto. O The New York Times observou que Elton John e Bernie Taupin conseguiram criar "uma visão romântica e surpreendentemente convincente do Oeste americano", ressaltando a força emocional de músicas como "Burn Down the Mission". O Los Angeles Times destacou a maturidade vocal de Elton e a riqueza instrumental do álbum, afirmando que ele "soa muito mais como uma obra completa do que uma simples coleção de canções". A The New Yorker chamou atenção para a combinação entre lirismo, melodias sofisticadas e produção elegante, observando que o disco fugia completamente dos padrões comerciais da época. Décadas depois, diversas publicações passaram a considerar Tumbleweed Connection um dos melhores trabalhos de toda a carreira de Elton John.

Comercialmente, Tumbleweed Connection obteve um desempenho bastante sólido, mesmo sem o apoio de um grande single de sucesso. O álbum alcançou a quinta posição na Billboard 200 dos Estados Unidos, desempenho superior ao obtido em seu país de origem, onde chegou ao segundo lugar na UK Albums Chart. Ao longo dos anos, vendeu milhões de cópias em todo o mundo e recebeu certificações de ouro e platina em diversos mercados. O sucesso do disco consolidou Elton John no mercado norte-americano, que rapidamente se tornaria sua principal base de fãs durante toda a década de 1970. Além disso, músicas como "Country Comfort", "Burn Down the Mission" e "Amoreena" tornaram-se favoritas do público e passaram a integrar frequentemente suas apresentações ao vivo. O álbum também abriu caminho para a extraordinária sequência de sucessos comerciais que Elton lançaria nos anos seguintes.

O legado de Tumbleweed Connection cresceu continuamente ao longo das décadas. Atualmente, críticos e historiadores da música frequentemente o classificam entre os maiores álbuns da carreira de Elton John e um dos melhores discos de singer-songwriter da década de 1970. Muitos especialistas destacam a perfeita integração entre as letras cinematográficas de Bernie Taupin e as melodias inspiradas de Elton John, formando uma das parcerias mais importantes da história da música popular. Para os fãs, o álbum representa uma fase em que Elton privilegiava a construção de obras completas em vez da busca por sucessos imediatos nas paradas. Sua influência pode ser percebida em diversos artistas que posteriormente combinaram rock, folk e música americana em trabalhos conceituais. Mais de cinco décadas após seu lançamento, Tumbleweed Connection continua sendo considerado uma obra-prima discreta, porém fundamental, da discografia de Elton John.

Elton John - Tumbleweed Connection (1970)
Ballad of a Well-Known Gun
Come Down in Time
Country Comfort
Son of Your Father
My Father's Gun
Where to Now St. Peter?
Love Song
Amoreena
Talking Old Soldiers
Burn Down the Mission

Erick Steve e Pablo Aluísio.