quinta-feira, 25 de junho de 2026

John Lennon - Unfinished Music No. 2: Life with the Lions

Segundo álbum de sons experimentais de John Lennon e Yoko Ono. Esse disco nasceu de uma fase bem conturbada na vida do casal. Eles queriam ter um filho para concretizar de vez seu relacionamento mas para Yoko isso estava cada vez mais se tornando distante, principalmente por causa de sua idade. Qualquer gravidez seria de risco por causa disso. Após várias tentativas finalmente Yoko ficou grávida, o que gerou um grande entusiasmo em John. Infelizmente depois de algumas semanas de gestação ela foi internada às pressas em um hospital de Nova Iorque com problemas sérios que acabaram a levando a um aborto. Lennon obviamente ficou bastante arrasado com o fato mas como sempre acontecia resolveu levar sua dor para sua obra. Ao saber que seu filho teria poucas horas de vida, John pediu à equipe de cirurgiões do hospital que gravassem os últimos batimentos cardíacos dele antes de falecer. Essa gravação ele acabou usando justamente aqui nesse disco “Unfinished Music No. 2: Life with the Lions”.

A foto da capa também registrava esse terrível momento com Lennon sentado no chão ao lado de Yoko na cama do hospital. No meio da emergência da situação não havia uma cama para Lennon no leito de Yoko mas ele nem se importou, ficou no chão mesmo, esperando ela se recuperar da cirurgia. Em uma entrevista recordou depois: “Não havia uma cama para o beatle John. Afinal de contas quem precisa de um beatle?”. Esse é um trabalho que segue a filosofia do disco anterior, ou seja, é um tipo muito especifico de proposta que provavelmente só vai interessar mesmo os mais fanáticos fãs de John Lennon e Yoko Ono.

Não tem nada a ver com os discos comerciais de John ao lado dos Beatles. Analisando bem esse tipo de gravação sempre teve muito mais a ver com a arte de Yoko do que a de John. São apenas sons experimentais, sonoridades ao acaso, unidas sem que necessariamente façam algum sentido. Não deixa de ser interessante, temos que reconhecer, mas dificilmente convida o ouvinte a mais de uma audição. O fã de Lennon conhece esse tipo de álbum mais para matar a curiosidade do que por qualquer outra coisa. Tudo soa como alternativo ao extremo. De qualquer maneira fica aqui o registro para os admiradores do membro mais radical dos Beatles. 

John Lennon - Unfinished Music No. 2: Life with the Lions (1969)
Cambridge 1969
No Bed for Beatle John
Baby's Heartbeat
Two Minutes Silence
Radio Play

Pablo Aluísio.

Roberto Carlos - Roberto Carlos Canta Para a Juventude

Como todo brasileiro eu de certa forma também acompanhei a longa carreira do cantor Roberto Carlos. Confesso que não posso ser considerado um fã de carteirinha mas obviamente conheço todos os seus grandes sucessos, até porque é simplesmente impossível ignorar as músicas mais conhecidas dele, já que estavam a todo tempo tocando nas rádios. Também não sou particularmente interessado no trabalho que ele desenvolveu a partir dos anos 70 mas admito que gosto bastante de seus discos dos anos 60, justamente os da fase chamada Jovem Guarda. Naquela época Roberto Carlos era um cantor jovem cujo público também era jovem como ele. Não é de se admirar portanto o nome desse álbum (um dos poucos a receber um título próprio já que o cantor se notabilizou por ter a grande maioria de seus discos chamados simplesmente de "Roberto Carlos"). O clima aqui é de doce inocência, namoro no portão, enquanto a mãe não chama para dentro de casa. Tudo muito puro e juvenil, bem típico dos jovens daqueles anos. A primeira vez que conheci as músicas desse trabalho foi quando veio parar em minhas mãos um compacto duplo da CBS com as seguintes faixas: "História de Um Homem Mau", "Os Sete Cabeludos", "Parei... Olhei" e "Eu Sou Fã do Monoquini".

Logo que de cara gostei bastante de "História de Um Homem Mau", uma versão de  Roberto Rei para a canção americana "Ol'man Mose". Como sempre fui fã de westerns, ouvir aquela letra, muito bem bolada e simpática, foi realmente gratificante. Já os "Os Sete Cabeludos" de Roberto e Erasmo tinha um certo toque cinematográfico, inclusive com efeitos sonoros bem legais. Uma faixa forte para os padrões da jovem guarda, sempre tão doce e apaixonada. Também gostei bastante de "Eu Sou Fã do Monoquini", que usava uma letra bem cafajeste (no bom sentido) para louvar a nova moda que estava quase estourando nas praias cariocas (e que ficaria conhecida anos depois como "Topless"). Já das faixas do álbum sempre gostei bastante de "Brucutu", outra versão nacional para uma música americana. O estilo satirizando o famoso personagem dos quadrinhos mostrava o quanto o disco era pop e antenado com a cultura jovem da época. Há obviamente faixas bem açucaradas e românticas que são a cara da jovem guarda como por exemplo "Não Quero Ver Você Triste" (que tem uma melodia muito bonita) ou até mesmo a doce "Rosita". No geral Roberto Carlos, apesar da pouca idade, já mostrava sinais de que iria de fato se tornar o cantor número 1 do país. Era um jovem focado, carismático, que acima de tudo cantava muito bem. Um artista talentoso realmente. Além disso discos saborosos como esse ajudaram e muito em sua subida para a fama e o sucesso. Um disco para ser redescoberto, certamente.

Roberto Carlos Canta para a Juventude (1965)
História de Um Homem Mau (Ol'man Mose)
Noite de Terror
Como É Bom Saber
Os Sete Cabeludos
Parei... Olhei
Os Velhinhos
Eu Sou Fã do Monoquini
Aquele Beijo Que Te Dei
Brucutu (Alley-oop)
Não Quero Ver Você Triste
A Garota do Baile
Rosita

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced

O primeiro álbum de estúdio de Jimi Hendrix foi Are You Experienced, lançado em 12 de maio de 1967 no Reino Unido pela Track Records. Embora creditado ao trio The Jimi Hendrix Experience, formado por Hendrix, Noel Redding e Mitch Mitchell, o disco representou a estreia de Hendrix como líder absoluto de um projeto musical e marcou sua chegada ao cenário internacional. Antes desse lançamento, Hendrix havia trabalhado como guitarrista de apoio para diversos artistas norte-americanos, mas ainda não havia encontrado uma plataforma para desenvolver plenamente sua visão artística. Combinando blues elétrico, rock psicodélico, rhythm and blues e experimentação sonora, o álbum revolucionou a forma de tocar guitarra na música popular. Faixas como Foxy Lady, Manic Depression e Fire demonstraram imediatamente seu talento extraordinário. Além disso, canções como Purple Haze e The Wind Cries Mary, incluídas em algumas versões do álbum, ajudaram a transformar Hendrix em um dos músicos mais comentados de sua geração. O disco apresentou ao público uma combinação inédita de virtuosismo técnico, criatividade e intensidade emocional.

A recepção crítica foi excepcional e rapidamente colocou Hendrix entre os artistas mais inovadores dos anos 1960. A Rolling Stone, em avaliações posteriores, classificou Are You Experienced como um dos maiores álbuns da história do rock. O The New York Times destacou o impacto revolucionário de sua guitarra, enquanto inúmeros críticos apontaram o disco como uma redefinição completa das possibilidades sonoras do instrumento. O álbum alcançou enorme sucesso comercial no Reino Unido e também teve excelente desempenho nos Estados Unidos após seu lançamento americano alguns meses depois. A combinação entre técnica, inovação e acessibilidade permitiu que Hendrix conquistasse tanto o público underground quanto as grandes audiências. Muitos músicos da época ficaram impressionados com sua capacidade de criar timbres inéditos utilizando feedback, distorção e efeitos eletrônicos de maneira musicalmente coerente. O disco também ajudou a consolidar Londres como um dos centros criativos mais importantes do rock durante a segunda metade da década de 1960. Em pouco tempo, Hendrix deixou de ser uma promessa para se tornar uma das maiores estrelas da música mundial.

Com o passar das décadas, Are You Experienced consolidou-se como uma das obras mais importantes da história da música popular. O álbum influenciou profundamente gerações de guitarristas, incluindo Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Eddie Van Halen e inúmeros outros músicos. Sua mistura de blues tradicional com experimentação psicodélica ajudou a moldar o rock moderno e abriu caminho para o hard rock, o rock progressivo e até o heavy metal. Muitas das técnicas popularizadas por Hendrix continuam sendo estudadas e utilizadas por guitarristas em todo o mundo. O álbum também é frequentemente citado em listas dos maiores discos de todos os tempos e permanece relevante para novas gerações de ouvintes. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, sua sonoridade continua surpreendentemente moderna e inovadora. O legado de Are You Experienced transcende o simples sucesso comercial, representando um dos momentos mais revolucionários da história da música gravada e o nascimento artístico de um verdadeiro gênio da guitarra.

The Jimi Hendrix Experience – Are You Experienced (1967)
Foxy Lady
Manic Depression
Red House
Can You See Me
Love or Confusion
I Don't Live Today
May This Be Love
Fire
Third Stone from the Sun
Remember
Are You Experienced?

Erick Steve. 

Raul Seixas - Raulzito e os Panteras

Raulzito e os Panteras
Quanto Raul Seixas gravou esse disco (o primeiro de sua carreira) ele era apenas um jovem baiano cheio de sonhos e esperanças de fazer sucesso pelo Brasil afora. Ao ouvir o álbum vemos claramente que Raul tentava, ao lado de seus companheiros de banda, embarcar na onda da jovem guarda. O disco é claramente nesse sentido, com sonoridade bem de acordo com esse movimento musical que fazia grande sucesso no Brasil na época. Só que um artista como Raul jamais ficaria preso numa caixinha, afinal ele era mesmo um cantor e compositor fora da casinha! Tanto isso é verdade que quando você ouve o disco percebe logo que há uma estranha mistura aqui. A sonoridade é da jovem guarda, mas algumas das letras traz toques de pura filosofia! Além disso que artista poderia arriscar de cara uma versão de um dos grandes clássicos psicodélicos dos Beatles logo em seu disco de estreia? E todos vestidos de figurino dos Beatles na primeira fase! Só o maluco beleza mesmo para ter esse tipo de ousadia. 

Infelizmente o disco não fez qualquer sucesso. Como explicaria anos depois numa entrevista, Raul foi percebendo que a gravadora não iria fazer nada pelo disco. Não trabalhou para promover o álbum, não enviou cópias para as rádios, não fez nada. Com isso o disco não vendeu nada. A filial brasileira da EMI apenas gravou o disco para preencher uma cota de LPs que a matriz inglesa exigia. Foi feito apenas para constar no catálogo. Uma pena! Logo o primeiro disco de um dos maiores roqueiros do Brasil ser tratado assim com tanto desprezo pela gravadora. De qualquer forma Raul não iria desistir. Ele continuaria no Rio, trabalhando como produtor na CBS, até o dia em que finalmente teria sua grande chance para mostrar seu talento musical, só que dessa vez como artista solo. O resto é história! 

Raulzito e os Panteras (1967)
Brincadeira
Por quê? Pra quê?
Um Minuto mais (I Will)
Vera Verinha
Você Ainda Pode Sonhar (Lucy in the Sky with Diamonds)
Menina de Amaralina
Triste Mundo
Dê-me tua Mão
Alice Maria
Me Deixa em Paz
Trem 103
O Dorminhoco

Pablo Aluísio. 

Janis Joplin - Big Brother and the Holding Company featuring Janis Joplin

Janis Joplin - Big Brother and the Holding Company featuring Janis Joplin
O primeiro álbum da cantora Janis Joplin foi Big Brother & the Holding Company, lançado em agosto de 1967 pela Mainstream Records. Embora seja creditado à banda Big Brother and the Holding Company, este foi o primeiro trabalho de estúdio a apresentar Janis Joplin como vocalista principal e, consequentemente, o início oficial de sua carreira fonográfica. Na época, a cena musical de San Francisco vivia o auge do movimento psicodélico, e o grupo era uma das atrações mais populares do circuito underground local. O álbum reúne elementos de blues, rock psicodélico e folk, mas ainda não captura totalmente a força artística que Janis demonstraria pouco tempo depois. Mesmo assim, sua voz poderosa, rouca e profundamente emocional já se destacava em faixas como “Bye, Bye Baby” e “Women Is Losers”. As gravações ocorreram antes da explosão de popularidade da cantora no lendário Monterey Pop Festival de 1967, evento que transformaria Janis em uma das artistas mais comentadas do rock americano. Por isso, o disco possui um caráter quase documental, registrando uma artista em pleno processo de descoberta e amadurecimento artístico. Embora a produção seja relativamente simples, ela permite perceber o talento extraordinário que estava prestes a conquistar o mundo.

A recepção crítica inicial foi modesta e o álbum passou quase despercebido no momento de seu lançamento. Muitos críticos consideraram a produção fraca e apontaram limitações técnicas da gravadora, que não conseguiu registrar adequadamente a energia que a banda apresentava ao vivo. No entanto, após a consagração de Janis Joplin em Monterey e o enorme sucesso de seu álbum seguinte, Cheap Thrills, o interesse por este trabalho aumentou consideravelmente. Análises posteriores da Rolling Stone destacaram o álbum como um importante retrato das origens da cantora, ainda que inferior artisticamente aos trabalhos posteriores. O The New York Times também observou que o disco oferece uma oportunidade rara de ouvir Janis antes de sua transformação em ícone cultural. Comercialmente, o álbum teve vendas discretas inicialmente, mas ganhou nova vida após a fama da cantora, sendo relançado diversas vezes ao longo das décadas. Muitos fãs passaram a vê-lo como uma peça essencial para compreender sua evolução artística. Além disso, o disco documenta um período importante da contracultura americana, quando o rock psicodélico começava a se tornar um fenômeno internacional.

Com o passar dos anos, Big Brother & the Holding Company passou a ser valorizado menos por sua perfeição técnica e mais por sua importância histórica. O álbum registra os primeiros passos de uma das vozes mais marcantes da história do rock, uma artista cuja intensidade emocional redefiniu os limites da interpretação vocal dentro da música popular. A influência de Janis Joplin pode ser percebida em cantoras como Stevie Nicks, Melissa Etheridge, Pink e inúmeras outras intérpretes do rock e do blues. Embora não seja considerado seu melhor trabalho, este álbum permanece essencial para quem deseja compreender suas raízes musicais e a evolução de seu estilo. Atualmente, é visto como um importante documento da cena psicodélica de São Francisco e um registro do nascimento artístico de uma das figuras mais influentes da história da música. Mais de meio século após seu lançamento, continua despertando interesse entre críticos, colecionadores e admiradores da cantora. Seu legado está diretamente ligado ao surgimento de Janis Joplin como uma força transformadora dentro do rock dos anos 1960.

Janis Joplin - Big Brother and the Holding Company featuring Janis Joplin  (1967)
Bye, Bye Baby
Easy Rider
Intruder
Light Is Faster Than Sound
Call on Me
Women Is Losers
Blindman
Down on Me
Caterpillar
All Is Loneliness
The Last Time (presente em algumas edições posteriores)
Coo Coo (presente em algumas reedições)

Erick Steve. 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Rolling Stones - Out of Our Heads

Rolling Stones - Out of Heads
Nem adianta negar. Na década de 1960 os Rolling Stones andaram lada a lado com os Beatles. Sonoridade, letras, arranjos, os Stones realmente seguiam o modelo padrão das bandas de rock daquela época e quem determinava esse padrão era justamente o quarteto de Liverpool. Veja o caso desse Out of Our Heads, terceiro disco dos Stones. O álbum segue os passos dos Beatles, mesmo que alguns centímetros atrás. Enquanto os Beatles começavam a mudar ainda que discretamente seu som, os Stones também procuravam trazer inovações para o grupo. Esqueça os Stones de hoje em dia. Aquilo ali é uma empresa multinacional, uma corporação S.A. e não mais um conjunto de Rock mas em 1965 eles ainda eram de fato um grupo de rock. Hoje em dia Jagger e Keith Richards se odeiam tanto que mal se falam mas na época do lançamento desse trabalho eles eram realmente amigos e trabalhavam em harmonia. Por falar em amizade aqui os Stones surgem com sua formação clássica completa, a saber: Mick Jagger (vocal, harmónica, percussão), Brian Jones (guitarra eléctrica e acústica, harmónica, orgão), Keith Richards (guitarra), Charlie Watts (Bateria e percussão) e Bill Wyman (baixo). Essa aliás é a formação perfeita dos Stones, sem tirar nem colocar mais ninguém. Curiosamente é que para melhorar ainda mais a qualidade musical do disco eles ainda chamaram outros craques: Ian Stewart no piano e o produtor maluco beleza Phil Spector para dar algumas canjas de baixo.

O resultado é dos melhores. Considero o álbum um dos mais pertinentes do grupo em termos de melodia e arranjos. Os primeiros discos dos Stones deixavam muito a desejar nesses aspectos mas aqui a sonoridade melhora muito. Um exemplo perfeito do que digo surge logo na primeira canção, "She Said Yeah" com suas linhas de guitarras furiosas. Apesar de ser um cover é uma das melhores gravações dos Stones. No quesito garra e pique poucas vezes eles fizeram algo melhor do que isso. É interessante perceber que nessa fase inicial eles ainda não estavam muito seguros como compositores, preferindo se apoiar em material escrito por outros compositores. Assim temos apenas três canções escritas pela dupla Mick Jagger e Keith Richards: "Gotta Get Away", "Heart of Stone" e "I'm Free". Note que a versão do disco britânica que estamos comentando aqui foi bastante diferenciada da americana pois nos EUA a gravadora ianque incluiu o megasucesso "(I Can't Get No) Satisfaction", que não fez parte da seleção musical inglesa. Era como se o Help dos Beatles saísse com "Yesterday" em sua versão americana mas não na inglesa. Deu para sentir o drama? É óbvio que por essa razão a edição USA é bem superior à britânica mas como sou tradicionalista ainda prefiro a discografia original do grupo para ouvir (e na minha opinião a discografia original é exatamente a de seu país de origem, ou seja, Made in England). Assim lhe deixamos a dica. Esqueça esses Stones que estão aí celebrando 50 anos de carreira ou mais. Isso tudo é puro marketing. Prefira os caras em seus primórdios, quando eram apenas cinco amigos tentando dar o melhor de si para vencer no mundo da música. Isso aconteceu antes da morte de Brian Jones e da saída de Bill Wyman. "Out of Our Heads" é perfeito nesse sentido.

Rolling Stones - Out of Our Heads (1965)
She Said Yeah
Mercy, Mercy
Hitch Hike
That's How Strong My Love Is
Good Times
Gotta Get Away
Talkin' 'Bout You
Cry to Me
Oh Baby (We Got a Good Thing Goin'
Heart of Stone
The Under Assistant West Coast Promotion Man
I'm Free

Pablo Aluísio.

The Doors - The Soft Parade

The Doors - The Soft Parade 
Na segunda metade dos anos 60 os Beatles lançaram um disco que abalou o mundo da música: "Sgt.Pepper's Lonely Hearts Club Band", já ouviu falar? Se sua resposta for não, então você é definitivamente um tapado em termos de Rock'n'Roll. O Rock, antes considerado uma arte menor, ganhou status de arte maior com esse trabalho, levando todos, inclusive os mais conceituados críticos musicais a ouvirem esse marco da história mundial. Criou-se assim, pela primeira vez, o conceito de grande arte ao mais popular gênero musical do planeta. De uma hora para outra todas as bandas de rock do mundo se sentiram desafiadas a aprimorar e tentar, se não a superar, ao menos se igualar ao revolucionário disco do grupo inglês.

Os Doors, principalmente Krieger e Manzarek, chegaram a conclusão que deveriam enriquecer seu próximo disco com orquestrações e arranjos mais bem elaborados. Então o grupo se trancou em estúdio e durante mais de um ano tentou todas as combinações e experimentos possíveis. O estúdio gastou uma fortuna, todo mundo ficou esgotado, principalmente Jim que não gostava de super produções. Gravado em oito canais entre novembro de 1968 e junho de 1969, no Elektra Sound Studios (Hollywood, CA) o disco só foi lançado oficialmente nos EUA no dia 18 de julho de 1969. Novamente o grupo foi produzido por Paul A. Rothchild. The Soft Parade foi o disco dos Doors que teve a mais longa e cara produção. Foi lançado em julho de 1969 (depois de quase um ano de preparo), mas não foi bem acolhido pela crítica, talvez motivado pelo escandaloso show de Miami, ocorrido poucos meses antes.

O público também estranhou o resultado, dizendo que a banda não era mais a mesma, que havia se vendido. Mas a verdade é que esse é realmente um disco bem diferente do que os Doors já haviam lançado anteriormente, com arranjos orquestrados e repletos de instrumentos estranhos à banda, como trombone, conga e violino (que aparecem logo na espalhafatosa introdução de Tell All the People). Além disso, uma outra voz é ouvida, já que o guitarrista Robby Krieger canta o refrão da canção Runnin' Blue. Um outro detalhe intrigou os fãs: a autoria das canções, antes creditadas a todos os integrantes, dessa vez era dividida entre Morrison e Krieger. Estariam os Doors passando por uma crise interna? Não era possível dizer. Mas logo o episódio de Miami foi (parcialmente) esquecido e o single "Touch Me" invadiu as rádios e elevou as vendas dos álbum, que se tornou mais um sucesso. Singles nas Lojas : Touch me / Wild child - Em dezembro de 1968 a banda lançou o primeiro single deste disco, aliás o primeiro de quatro, o que foi um recorde para o grupo.

O lado A trazia "Touch Me". Quem ouviu já sacou: Jim estava levemente embriagado quando gravou essa faixa, mas tudo acabou dando um toque especial a música. Outro dado: esta canção é na verdade, uma mistura de muitos takes diferentes, por isso se nota também uma certa diferenciação no vocal de Jim ao longo da canção. "Wild child" é um boa canção, principalmente pela introdução envenenada da guitarra de Krieger e mais uma vez Jim aparece com seu estilo vocal dúbio, de quem acabou de sair de um bar. Em suma: Blues etílico.

Wishful, Sinful / Who scared you? - Em fevereiro de 69, os Doors lançam um novo single, deixando todo mundo surpreendido. "Wishful, Sinful" é uma balada triste, puxada para blues (mais uma vez!). O grande problema dessa canção e das outras do disco, é que há tantos instrumentos ao mesmo tempo que a voz de Jim acabou ficando ofuscada, sendo afogada numa verdadeira overdose musical. No Lado B do compacto foi colocada uma canção fraquinha que acabou não entrando no disco, "Who scared you?" é tudo o que um lado B é: totalmente descartável. Tell all the people / Easy ride - Tá legal, todo mundo fala mal de "Tell all the people", mas absolutamente não concordo com esse tipo de opinião. Gosto muito da canção, aliás a considero a melhor de todo o disco. De todas é a que apresenta a melhor harmonia entre a orquestra. Além disso Jim está em ótima fase vocal, tudo aliado a bonita melodia. Nota 10! "Easy ride" é uma música rápida que cola na sua mente com força. Facilmente assobiável e tudo o mais, ela também é um ótimo momento do disco, por isso dos quatro singles extraídos do disco, este é disparado o melhor de todos.

Running Blue / Do it - Mas quem diabos é este que canta com Jim durante "Running blue"? Ora é Robbie, que como vocalista é um ótimo guitarrista! Essa foi a única vez que Jim dividiu o microfone com alguém da banda (graças a Deus!). Talvez a existência desse quarto single (um exagero!) tenha sido uma forma de homenagear o guitarrista e compositor da banda. Mas sinceramente, Krieger acabou com sua própria música, sendo muito ruim sua participação. Ponto final. No lado B do single "Do it" com algumas inovações durante a execução, mas que nada mais são do que fruto do complexo de Lennon/McCartney de Krieger. O single foi lançado em agosto de 1969.

Enquanto isso, fora dos estúdios...
Nesta fase de gravação de "The Soft Parade" o single "Hello, I Love You" estourou na Europa, levando os Doors à sua primeira e única grande turnê internacional, que passou por países como Inglaterra, Alemanha, Holanda, Dinamarca (foto) e Suécia. Foi uma das excursões mais alucinadas da história do Rock, com muitos escândalos promovidos por Jim Morrison, com muito excesso de drogas, mulheres e bebedeiras, levando o vocalista a bater seus próprios recordes de extravagâncias. Em Londres eles se apresentaram no Roundhouse, uma tradicional casa de shows da Inglaterra. Os britânicos definitivamente não estavam preparados para Jim, ele entrou no palco totalmente narcotizado e bêbado, mas mandou ver em um dos melhores shows da banda. Depois o grupo foi para a Alemanha, em Frankfurt e Jim se sentiu em casa. Conhecida como uma das cidades mais sofisticadas da Europa, aqui a banda fez um show que entrou para a história da cidade. Jim terminou a noite em um bar de strip tease da cidade e a imprensa alemã não deixou este fato passar em branco.

Em Amsterdam aconteceu o pior: Jim estava totalmente fora de controle, O Jefferson Airplane abriu o show dos Doors naquela noite, mas no meio de sua apresentação, Jim apareceu no palco, para surpresa de todos, com uma garrafa de whisky na mão, totalmente embriagado, tentando acompanhar o Airplane que totalmente atônico, ficou sem saber o que fazer! Jim continuou dançando ao som da música da banda, num espetáculo trágico e engraçado ao mesmo tempo! Na verdade ele deu um vexame daqueles, na frente de todo mundo! No final ele mal conseguiu deixar o local, de tão chapado que estava, sendo carregado para o hospital mais próximo. Mas nem por isso os Doors deixaram de realizar o show, a banda entrou sem Jim mesmo, pediu desculpas e interpretou todas as canções sozinhos. Jim estava sempre bêbado e drogado e depois confidenciou a um amigo que "Não se lembrava dos shows dos Doors na Europa"!

Essas apresentações viraram um especial para a TV inglesa chamado The Doors Are Open, que mais tarde também foi lançado em vídeo. Antes do lançamento do quarto disco da banda, o orquestrado e exagerado The Soft Parade, ocorreu o que é tido como o começo da queda de Jim Morrison. Dia 1 de março de 1969 é a data do famoso show de Miami, onde Jim, completamente bêbado, foi acusado de exibir seu pênis para a plateia, incitar baderna e proferir discursos obscenos. Ninguém sabe ao certo se tudo isso ocorreu ou não, mas o vocalista foi a julgamento e acabou condenado a seis meses de detenção. Além disso, praticamente todos os shows agendados foram cancelados e a banda se tornou "persona non grata" em todo o território americano.

Enquanto os advogados apelavam da decisão judicial, tentando abrandar a pena do vocalista, aos poucos os shows foram se tornando mais frequentes outra vez, e a banda começou a gravar suas apresentações para o lançamento de um álbum ao vivo. Esse material foi lançado em 1970 como um LP duplo chamado Absolutely Live, que misturava canções já conhecidas com algumas inéditas. Em seguida, mais um de estúdio, batizado com o nome Morrison Hotel. Os que achavam que os Doors haviam entrado em decadência com The Soft Parade encontraram muito vigor no novo trabalho, que deixava as orquestras totalmente de lado para fazer um rock cru e mais blues do que nunca. Mas essa é uma outra história que vamos contar no mês que vem... até lá.

The Doors - The Soft Parade
Existem pessoas que não gostam desse disco dos Doors. Chegam a dizer que é o disco do grupo que menos se parece com sua sonoridade habitual. Ora, esse tipo de mentalidade é bem equivocada. A verdade é que uma banda de rock sempre deve procurar por inovação e não ficar na mesma tecla, álbum após álbum. Assim se esse disco foi inovador na carreira dos Doors, então palmas para eles. A busca por inovação sempre será muito bem-vinda.

O disco abre com uma faixa que até considero bem convencional. Trata-se de "Tell All the People". O único maior diferencial digno de nota é o abrasivo arranjo de metais logo em seu começo. Certamente não era algo que um fã dos Doors estava esperando encontrar. Porém tirando esse pequeno detalhe tudo o mais parece bem de acordo com o tipo de música da banda em seus álbuns anteriores.

Jim Morrison não gostou muito dessa letra que foi escrita totalmente pelo guitarrista Robbie Krieger. Aliás a música é inteiramente dele, desde sua letra, até sua melodia. Morrison, como já era óbvio naquela fase da carreira, preferia mesmo cantar seu próprio material. A maioria de suas músicas apenas adaptavam sua poesia. Era uma poesia cantada. De qualquer forma como Jim gostava muito de Robbie, ele procurou dar o melhor de si na gravação, em sua performance vocal. E ficou muito bom, temos que reconhecer.

A canção inclusive foi escolhida para ser lançada depois também como single, o terceiro extraído das faixas do disco. Não fez muito sucesso, é verdade, ficando apenas na posição 57, mas de qualquer forma foi um espaço a mais dentro da discografia dos Doors para o trabalho composto por Krieger, que era um músico talentoso, mas também uma pessoa bem tímida, que nunca procurava se impor aos demais membros do grupo.

Pablo Aluísio.

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 2

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 2
"Eight Days a Week" quase virou canção tema do filme "Help!". Ela foi intitulada originalmente de "Oito braços para lhe abraçar" que era uma tremenda apelação de marketing para fisgar as fãs adolescentes dos Beatles. Depois de algum tempo John Lennon começou a achar tudo aquilo brega demais (e obviamente era algo bem pegajoso e bregoso), por isso o título da música foi finalmente mudado. 

É interessante também notar que os Beatles estavam bem pressionados para completar um disco para as festas de final de ano, por isso eles encaixaram essa música nesse álgum. Inicialmente ela foi pensada para fazer parte de "Help!", mas os Beatles mudaram de opinião sobre isso. Assim ela foi finalmente escalada para o "For Sale". Fez bem, se encaixando perfeitamente no repertório desse disco.

"Words of Love" é um cover dos Beatles com a imortal balada romântica escrita por Buddy Holly. Paul McCartney sempre foi um fã de carteirinha desse pioneiro do rock americano, a tal ponto que anos depois iria comprar os direitos autorais de toda a obra de Buddy Holly, que morreu muito jovem em um acidente de avião. Nesse mesmo evento trágico morreram também Ritchie Valens (de La Bamba) e Big Bopper, outro roqueiro da época. Como forma de homenagem e referência os Beatles então decidiram gravar essa criação imortal de Holly. Ficou linda a gravação, simplesmente irretocável. Um dos grandes momentos do disco.

"Mr. Moonlight" é outro cover. Foi composta por Roy Lee Johnson. Era uma daquelas canções que ninguém esperava encontrar em um disco dos Beatles na época. A sonoridade lembra o som que era mais comum nas décadas de 1930 e 1940, tendo pouco ou nada a ver com a imagem e a sonoridade dos Beatles naquela época. Pode-se inclusive imaginar como as fãs adolescentes dos Beatles se sentiram a ouvir algo tão fora da rota quando compraram o disco. Na parte interna do álbum havia uma grande foto dos Beatles na frente de ídolos da era do cinema mudo americano. Pois bem, isso sim era algo que combinava com "Mr. Moonlight".

Pablo Aluísio. 

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 1

The Beatles - Beatles For Sale - Parte 1 
"No Reply" é uma beleza de melodia. Com John Lennon nos vocais principais (em voz dobrada dentro dos estúdios), é um dos melhores momentos desse disco. Não sei exatamente a razão, mas essa canção sempre me levou a ter um sentimento de estar ouvindo uma antiga trilha sonora da era do cinema mudo, onde as trilhas dos filmes eram executados por pianistas dentro das salas de cinema. Tem uma sonoridade de música antiga, do começo do século XX. Poderia estar em uma velha película estrelada por Douglas Fairbanks.

Agora imagine ser um dos roqueiros mais populares do mundo, ser exaltado em todos os lugares por onde passava, com milhares de fãs lhe idolatrando, ter fama e sucesso financeiro e ainda assim escrever uma música chamada "Eu sou um Perdedor" ("I'm a Loser"). Foi justamente isso que John Lennon fez, bem ali na onda da Beatlemania. Era coisa para poucos. Na letra John afirmava várias vezes que era um perdedor e nada daquilo que as pessoas pensavam. John Lennon, sem favor nenhum, foi um dos maiores letristas da história do rock. E para deixar ainda mais sua marca registrada ele também acrescentou sua característica gaita. Lennon em estado puro.

"Rock and Roll Music" foi composta, gravada e lançada originalmente por um dos pais do rock, Chuck Berry. Esse foi um artista único, com uma história que era puro rock ´n´roll. Negro, sempre envolvido com tretas na justiça, onde vivia entrando e saindo da cadeia, era um tipo marginal em sua vida pessoal. Porém como artista seu talento era inegável. Certa vez John Lennon o encontrou pessoalmente em um programa na TV americana durante os anos 70. Sem nem pensar duas vezes se derreteu de elogios na frente dele, o chamando de "meu herói". Realmente, para aquela geração roqueira ele foi mesmo um símbolo, um herói do movimento.

"I'll Follow the Sun" é linda! Simplesmente isso, uma das mais lindas músicas gravadas pelos Beatles. É impressionante como aqueles jovens conseguiam criar algo tão belo no estúdio. O produtor George Martin também acertou muito ao sugerir aos Beatles que eles fizessem arranjos simples e belos, com solos de violão e o baixo de Paul em segundo plano, quase imperceptível. Esse tipo de sonoridade relaxante e romântica iria ressurgir alguns anos depois no clássico "Here Comes The Sun". Tinha o mesmo sentimento, o mesmo feeling.

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

The Beatles - Beatles For Sale

The Beatles - Beatles For Sale
John Lennon gostava de brincar dizendo que esse disco poderia ser apelidado de "Beatles Country and Western". A brincadeira tem sua razão de ser. "Beatles For Sale" é um disco um tanto diferenciado dentro da discografia do grupo. Na verdade o álbum foi ideia da gravadora EMI que vendo o fim de ano chegando pensou logo em lançar um novo LP da banda para aproveitar os festejos de fim de ano. O problema é que os Beatles nem tinham material suficiente para completar todo um disco. Eles estavam trabalhando demais, com um show atrás do outro e tinham esgotado todo o material inédito no disco anterior do grupo. Assim a fonte estava seca.

O problema é que George Martin se reuniu com os rapazes e juntos decidiram que sim, era possível gravar algo para ser lançado no natal e ano novo. Meio que na correria o grupo se reuniu e fez um levantamento do que havia á disposição. Havia algumas sobras das trilhas sonoras que não tinham sido utilizados em Help, por exemplo. "Eight Days a Week" era o maior exemplo disso. Entre tantos pedaços de gravações os Beatles ainda poderiam completar canções como "No Reply" e "Baby's in Black" que Paul adorava. No começo das sessões os Beatles ainda não tinham todo o material que precisavam para colocar um álbum de gravações inéditas no mercado, mas isso foi sendo superado com o passar do tempo.

Para tapar o buraco do resto do disco eles escolheram alguns covers que já tinha longo histórico com a banda nos concertos ao vivo durante todos aqueles anos, principalmente nos primeiros anos, nas excursões pela Alemanha. "Rock and Roll Music", por exemplo, fazia parte do repertório dos Beatles desde os tempos pioneiros no Cavern e em Hamburgo. Paul McCartney encaixou a linda "Words of Love" de seu ídolo Buddy Holly e assim o "Beatles For Sale" foi finalmente tomando forma. John Lennon também resgatou um velho tema que ele não havia trazido antes para os estúdios por um certo receio. "I'm a Loser" era autoral demais. A letra em primeira pessoa trazia o pensamento mais íntimo de Lennon. Ele nunca havia gravado antes com os Beatles algo assim tão honesto e verdadeiro. Como as músicas dos Beatles até aquele momento eram canções pop de amor com letras mais genéricas, Lennon tinha um certo temor de jogar algo tão pessoal assim no trabalho da banda. Paul adorou a canção desde a primeira audição e dessa forma ela foi incluída. Essa gravação acabou virando um marco pois Lennon adorou a experiência e a partir daí iria escrever canções cada vez mais pessoais, em primeira pessoa, expondo sem máscaras aquilo que pensava. Era uma evolução em relação aos primeiros discos, onde o tema geralmente girava em torno de romances adolescentes.

"Beatles For Sale" chegou nas lojas em dezembro de 1964, tal como a EMI tanto queria. Desnecessário dizer que foi outro pico de sucesso dos Beatles. Os rostos na capa mostravam quatro jovens com semblantes cansados. Não é para menos, as turnês sem fim tinham finalmente cobrado seu preço. O disco também não tem mais aquele pique todo que sempre caracterizou os primeiros trabalhos da banda. De qualquer modo é um disco dos Beatles em sua fase ié, ié, ié de excelente nível. Eles estavam deixando esse estilo em breve, mas o álbum em si ainda tinha grande qualidade artística. Definitivamente se há uma conclusão de tudo isso é a de que eles poderiam ser tudo, menos "losers" (perdedores) como pregava Lennon em sua imortal canção.

Beatles For Sale (1964)
No Reply
I'm a Loser
Baby's in Black
Rock and Roll Music
I'll Follow the Sun  
Mr. Moonlight  
Kansas City/Hey-Hey-Hey-Hey!
Eight Days a Week
Words of Love
Honey Don't
Every Little Thing
I Don't Want to Spoil the Party
What You're Doing
Everybody's Trying to Be My Baby 

Pablo Aluísio.