sexta-feira, 22 de maio de 2026

Ray Charles - Ray Charles (1957)

Ray Charles – Ray Charles (1957)
O primeiro álbum lançado por Ray Charles foi Ray Charles, lançado em 1957 pela Atlantic Records. O disco surgiu em um momento decisivo da música popular norte-americana, quando rhythm and blues, jazz e gospel começavam a se fundir de maneira mais intensa, criando as bases do que posteriormente seria conhecido como soul music. Ray Charles já vinha chamando atenção por seus singles inovadores ao longo da primeira metade da década de 1950, mas este álbum consolidou definitivamente sua identidade artística. O trabalho apresenta um cantor, pianista e compositor extremamente versátil, capaz de unir emoção gospel, sofisticação jazzística e energia do rhythm and blues em uma linguagem completamente nova para a época. A voz intensa e carregada de sentimento de Ray Charles tornou-se rapidamente reconhecível, enquanto seu piano apresentava influências claras de jazz e boogie-woogie. O álbum também ajudou a estabelecer a reputação da Atlantic Records como uma das gravadoras mais importantes da música negra americana durante os anos 1950. Mesmo sendo um disco montado em grande parte a partir de singles já lançados anteriormente, ele funciona como um retrato poderoso do nascimento artístico de um dos músicos mais influentes do século XX.

A recepção crítica ao álbum foi bastante positiva, especialmente entre jornalistas especializados em rhythm and blues e jazz. Embora revistas modernas como a Rolling Stone ainda não existissem naquele período, análises retrospectivas frequentemente apontam este trabalho como um dos registros fundamentais para a evolução da soul music. O The New York Times destacou em revisões históricas a capacidade de Ray Charles de unir emoção crua e sofisticação musical de forma revolucionária. Faixas como I Got a Woman e Drown in My Own Tears ajudaram a transformar o cantor em uma figura central da música americana, especialmente por introduzirem elementos religiosos em canções seculares, algo considerado ousado naquele contexto cultural. Comercialmente, o álbum teve desempenho muito sólido para um artista de rhythm and blues nos anos 1950 e ampliou significativamente o público de Ray Charles. O sucesso do disco também abriu caminho para sua ascensão definitiva nos anos seguintes, quando passaria a dominar tanto o mercado pop quanto o R&B. Sua mistura inovadora de estilos acabaria influenciando profundamente praticamente toda a música popular produzida nas décadas seguintes.

Com o passar dos anos, Ray Charles passou a ser reconhecido como um dos álbuns mais importantes da história da música americana. O disco ajudou a estabelecer as bases da soul music moderna e redefiniu o papel emocional do cantor popular dentro do rhythm and blues. A influência de Ray Charles sobre artistas como Aretha Franklin, Stevie Wonder, Otis Redding e Elvis Presley é amplamente reconhecida por críticos e músicos. Sua habilidade em atravessar barreiras raciais e musicais transformou-o em uma figura revolucionária dentro da indústria fonográfica americana. Hoje, o álbum é considerado um documento histórico essencial para compreender o nascimento da soul music e a evolução da música popular do pós-guerra. Mesmo décadas após seu lançamento, suas gravações continuam soando emocionalmente intensas e artisticamente inovadoras. O legado do disco permanece extremamente vivo, reafirmando Ray Charles como um dos maiores intérpretes e inovadores da história da música mundial.

Ray Charles – Ray Charles (1957)
Ain’t That Love
Drown in My Own Tears
Come Back Baby
Sinner’s Prayer
Funny (But I Still Love You)
Losing Hand
A Fool for You
Hallelujah I Love Her So
Mess Around
This Little Girl of Mine
Mary Ann
Greenbacks
Don’t You Know
I Got a Woman

Erick Steve. 

The Platters - The Platters (1956)

The Platters - The Platters (1956)
O primeiro álbum oficial do grupo vocal norte-americano The Platters foi The Platters, lançado em 1956 pela Mercury Records. O disco surgiu em um momento em que o grupo já começava a dominar as paradas americanas com uma combinação extremamente sofisticada de rhythm and blues, doo-wop e pop vocal. Liderados pela voz elegante de Tony Williams, os Platters conseguiram criar um estilo mais refinado e romântico do que muitos grupos vocais da época, aproximando o rock inicial do público adulto sem perder a conexão com os jovens ouvintes dos anos 1950. O álbum reúne algumas das características que transformariam o grupo em um fenômeno internacional: harmonias suaves, arranjos orquestrais delicados e interpretações emocionalmente intensas. O trabalho foi fortemente impulsionado pelo sucesso de canções como My Prayer e The Great Pretender, que ajudaram a estabelecer os Platters como um dos grupos mais populares da década. Em um período em que o formato LP ainda estava se consolidando no mercado americano, o disco demonstrava que a música vocal negra poderia alcançar enorme sucesso comercial junto ao público mainstream.

A recepção crítica ao álbum foi bastante positiva para os padrões da época, especialmente entre jornalistas especializados em música popular e rádio. Décadas mais tarde, publicações como a Rolling Stone passaram a reconhecer os Platters como um dos grupos fundamentais da história do rock and roll e do doo-wop. O The New York Times também destacou em retrospectivas a capacidade do grupo de unir sofisticação melódica e forte apelo comercial, algo relativamente raro naquele período. Comercialmente, The Platters foi um enorme sucesso e ajudou o grupo a se tornar uma das primeiras formações vocais negras a alcançar popularidade massiva tanto nas paradas de R&B quanto nas listas pop dos Estados Unidos. O álbum também consolidou o trabalho do empresário e compositor Buck Ram, figura essencial na construção da identidade artística do grupo. A sonoridade romântica e elegante do disco acabou influenciando inúmeras formações vocais posteriores, tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido, especialmente durante o surgimento da chamada British Invasion nos anos 1960.

Com o passar das décadas, The Platters transformou-se em um dos registros mais importantes da música vocal americana dos anos 1950. O álbum representa um momento crucial na evolução do rock and roll, quando o gênero começou a incorporar arranjos mais sofisticados e uma abordagem vocal mais polida. A influência do grupo pode ser percebida em artistas e bandas como The Beatles, The Beach Boys e diversos conjuntos de soul e R&B das décadas seguintes. Além da qualidade musical, o disco possui enorme relevância histórica por ajudar a quebrar barreiras raciais em uma indústria ainda profundamente segregada. Os Platters conseguiram conquistar públicos de diferentes origens em um período socialmente complexo nos Estados Unidos, tornando-se um dos grupos mais universais da era do rock clássico. Atualmente, o álbum continua sendo celebrado como uma obra fundamental do doo-wop e da música romântica americana, preservando um charme atemporal que ainda emociona ouvintes em todo o mundo. Muitas de suas gravações permanecem presentes em filmes, séries e coletâneas dedicadas aos anos 1950, reforçando a permanência de seu legado cultural e musical.

The Platters – The Platters (1956)
My Prayer
Why Should I?
Remember When
Bewitched, Bothered and Bewildered
I Wanna
I'm Sorry
Have Mercy
Someone to Watch Over Me
At Your Beck and Call
On My Word of Honor
Heaven on Earth
The Glory of Love

Erick Steve. 

Bill Haley And His Comets - Haley's Juke Box

Bill Haley And His Comets - Haley's Juke Box
No finalzinho da década de 1950 Bill Haley brigou com os executivos da gravadora Decca. Ele reclamava de que ganhava muito pouco no contrato que tinha com a gravadora. E ganhava pouco mesmo. Para se ter uma ideia ele levava apenas 1 por cento do preço das vendas de capas de seus discos, logo aqueles que seriam os maiores sucessos de sua carreira. Não dava mais para continuar no selo. Após muitas brigas, inclusive pela imprensa, o bom e velho Haley foi embora da Decda batendo a porta. Ele foi para Los Angeles e assinou com a Warner Records, a gravadora do famoso estúdio de cinema. O novo contrato prometia muito sucesso e o próprio Bill Haley tinha esperanças nesse sentido.

Esse foi o seu primeiro disco nessa nova gravadora. Infelizmente as coisas não foram tão bem quanto ele esperava. A Warner se envolveu demais na escolha das músicas e na produção dos arranjos. Bill Haley se viu amordaçado, sem controle artístico do álbum. Ele logo percebeu que também não ria dar muito certo na Warner. Para piorar estava começando uma batalha judicial pelo controle de suas músicas contra a Decca que iria durar anos e anos. O Bill Haley estava esgotado emocionalmente e o resultado não saiu bom. O disco não fez sucesso e acabou sendo uma decepção nas lojas de discos, não vendendo muitas cópias. Pois é, os anos de sucesso e glória pareciam coisa do passado. 

Bill Haley And His Comets - Haley's Juke Box (1960)
Singing The Blues
Candy Kisses
No Letter Today
This Is The Thanks I Get
Bouquet Of Roses
There's A New Moon Over My Shoulder
Cold, Cold Heart
The Wild Side Of Life
Any Time
Afraid
I Don't Hurt Anymore
Detour

Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Chuck Berry - Rockin’ at the Hops

Chuck Berry - Rockin’ at the Hops
O álbum Rockin’ at the Hops, de Chuck Berry, foi lançado em 1960 pela lendária Chess Records e representa um dos trabalhos mais importantes do início da carreira do pioneiro do rock and roll. Em uma época em que o gênero ainda estava consolidando sua identidade comercial e artística, Chuck Berry já era reconhecido como uma das figuras centrais da nova música juvenil americana. O disco reúne algumas das características mais marcantes de seu estilo: riffs de guitarra energéticos, letras sobre juventude, carros, romances adolescentes e dança, além de um senso rítmico que ajudou a definir os rumos do rock nas décadas seguintes. Embora muitos dos álbuns daquele período fossem montados a partir de singles já lançados anteriormente, Rockin’ at the Hops apresenta um conjunto coeso de gravações que captura perfeitamente a energia e o espírito rebelde do início dos anos 1960. Faixas como Bye Bye Johnny e Let It Rock destacam a habilidade de Berry em unir narrativa, humor e ritmo de maneira extremamente acessível. Seu estilo de tocar guitarra, marcado por frases rápidas e introduções memoráveis, tornou-se um modelo para praticamente todo o rock posterior.

A recepção crítica ao álbum foi bastante positiva dentro do contexto da época, especialmente entre rádios e publicações dedicadas à música popular juvenil. Décadas depois, revistas como a Rolling Stone passaram a reconhecer o trabalho de Chuck Berry como uma das fundações essenciais da música rock, frequentemente apontando discos como Rockin’ at the Hops como peças fundamentais para compreender a evolução do gênero. O The New York Times também destacou em retrospectivas a importância histórica de Berry como compositor, guitarrista e performer. Comercialmente, o álbum teve bom desempenho e ajudou a manter Chuck Berry no topo do rock americano durante um período de intensa transformação cultural. Suas músicas alcançavam tanto o público adolescente quanto músicos iniciantes que viam nele um modelo artístico revolucionário. O impacto do disco foi ampliado pela enorme influência de Berry sobre bandas britânicas dos anos 1960, especialmente grupos que mais tarde liderariam a chamada “British Invasion”.

Com o passar do tempo, Rockin’ at the Hops consolidou-se como um dos registros clássicos do rock and roll em sua forma mais pura e direta. O álbum preserva toda a energia do período inicial do gênero, quando o rock ainda carregava forte ligação com rhythm and blues, country e boogie-woogie. A influência de Chuck Berry sobre artistas como The Beatles, The Rolling Stones e Bruce Springsteen é amplamente reconhecida, especialmente em relação à construção de riffs de guitarra e letras narrativas. Muitas das estruturas musicais popularizadas por Berry continuam sendo utilizadas até hoje no rock contemporâneo. Atualmente, o álbum é visto não apenas como um importante documento histórico, mas também como uma coleção vibrante de canções que permanecem divertidas, energéticas e influentes. Seu legado atravessa gerações e reafirma Chuck Berry como um dos verdadeiros arquitetos da música popular moderna.

Chuck Berry - Rockin’ at the Hops (1960)
Bye Bye Johnny
Worried Life Blues
Down the Road Apiece
Confessin’ the Blues
Too Pooped to Pop
Mad Lad
I Got to Find My Baby
Betty Jean
Childhood Sweetheart
Broken Arrow
Driftin’ Blues
Let It Rock

Pablo Aluísio. 

Elvis Presley - Elvis Presley (1956)

Esse foi o primeiro álbum do Elvis. Era um garotão contratado pela RCA Victor. Iria dar certo? Bem, era uma aposta da gravadora naquele momento. Claro que eu reconheço o grande valor histórico desse disco, mas curiosamente não é o meu preferido do cantor nos anos 50. Esse posto vai para o segundo LP dele, lançado nesse mesmo ano. Eu considero o segundo melhor do que esse primeiro. Não o comprei em vinil nos anos 80, como tantos outros discos do Elvis. Só vim adquiri-lo mesmo já no formato CD quando foi lançado aqui em versão nacional (bons tempos quando isso acontecia nos anos 90).

E quais são os destaques desse álbum? As minhas faixas preferidas fogem um pouco do óbvio. "Blue Suede Shoes" e "Tutti Frutti" foram os grande hits, mas vamos deixar elas um pouco de lado. Eu gosto muito de "I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)" e "One-Sided Love Affair" em que Elvis explorou todos os seus dotes musicais. "I Got A Woman" é um clássico e "Money Honey" é uma grande faixa de rock. Porém a grande música foi herdada dos tempos da Sun Records. Se trata de "Blue Moon", uma gravação atemporal, ainda hoje muito relevante, mesmo em filmes e coletâneas mais modernas. Enfim é isso. O jovem Elvis ainda era um pouco cru, mas o talento estava lá, a ser lapidado. E logo ele deixaria de ser apenas um nome potencial para ser um grande nome da história da música internacional.

Elvis Presley - Elvis Presley (1956)
Blue Suede Shoes
I'm Counting on You
I Got A Woman
One-Sided Love Affair
I Love You Because
Just Because
Tutti Frutti
Trying to Get to You
I'm Gonna Sit Right Down and Cry (Over You)
I'll Never Let You Go (Lil' Darlin')
Blue Moon
Money Honey

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Nat King Cole – The King Cole Trio

Nat King Cole – The King Cole Trio
O primeiro álbum lançado por Nat King Cole foi The King Cole Trio, lançado originalmente em 1945 pela Capitol Records em formato de álbum de discos de 78 rotações, padrão da época anterior ao LP moderno. O trabalho foi gravado ao lado do famoso King Cole Trio, grupo formado por Nat King Cole ao piano e vocais, acompanhado por guitarra e baixo, sem bateria — uma formação incomum para o jazz daquele período. O álbum ajudou a consolidar Cole como uma das figuras mais elegantes e inovadoras do jazz vocal e instrumental norte-americano. Antes mesmo de alcançar fama mundial como cantor romântico, Nat King Cole já era altamente respeitado como pianista, sendo influenciado por nomes importantes do jazz como Earl Hines e Count Basie. As músicas do disco apresentam uma combinação sofisticada entre swing, jazz e música popular americana, revelando uma interpretação vocal suave e extremamente refinada. O álbum também marcou um momento importante para a Capitol Records, que começava a construir sua reputação com artistas de grande qualidade musical.

Na época do lançamento, a crítica especializada elogiou bastante a musicalidade do trio e a elegância das interpretações de Nat King Cole. Embora publicações modernas como a Rolling Stone ainda não existissem nos anos 1940, análises posteriores frequentemente classificaram essas primeiras gravações como fundamentais para a evolução do jazz popular e da música vocal americana. O The New York Times, em retrospectivas sobre a carreira do cantor, destacou a naturalidade de sua voz e a sofisticação minimalista dos arranjos. Comercialmente, o álbum teve um desempenho muito bom para os padrões da época e ajudou o King Cole Trio a conquistar espaço tanto no circuito de jazz quanto junto ao público popular. O sucesso dessas gravações abriu caminho para que Nat King Cole expandisse sua carreira além do jazz instrumental, tornando-se posteriormente um dos maiores intérpretes românticos da história da música. Sua popularidade cresceu rapidamente nos anos seguintes, especialmente com o avanço do rádio e da indústria fonográfica americana.

Hoje, The King Cole Trio é visto como uma obra histórica, essencial para compreender o desenvolvimento da música popular norte-americana no pós-guerra. O álbum ajudou a redefinir o papel do cantor de jazz, mostrando que era possível unir sofisticação musical e apelo comercial sem perder qualidade artística. A influência de Nat King Cole pode ser percebida em inúmeros artistas posteriores, incluindo Frank Sinatra, Ray Charles e Stevie Wonder. Seu estilo elegante, sua dicção impecável e sua capacidade de transmitir emoção de forma contida transformaram-no em referência absoluta para gerações de cantores. Além do valor musical, o álbum também possui importância histórica por representar um artista negro alcançando enorme reconhecimento em uma indústria ainda profundamente marcada pela segregação racial. Décadas depois, essas gravações continuam sendo celebradas como clássicos atemporais do jazz e da música americana.

Nat King Cole – The King Cole Trio (1945)
Straighten Up and Fly Right
Sweet Lorraine
It's Only a Paper Moon
Embraceable You
Route 66
What Is This Thing Called Love?
Frim Fram Sauce
(Get Your Kicks on) Route 66
Nature Boy
I Can't See for Lookin'
All for You
The Christmas Song

Erick Steve. 

Dean Martin – Dean Martin Sings

Dean Martin – Dean Martin Sings
O primeiro álbum lançado por Dean Martin foi Dean Martin Sings, lançado em 1953 pela Capitol Records. O disco surgiu em um momento importante da carreira do cantor, quando ele começava a consolidar sua identidade artística fora da famosa parceria com Jerry Lewis, com quem dominava o cinema e os palcos americanos no início da década de 1950. O álbum apresentou ao público um Dean Martin mais sofisticado e romântico, apostando em interpretações suaves e descontraídas que se tornariam sua marca registrada ao longo das décadas seguintes. Musicalmente, o trabalho está profundamente ligado ao tradicional pop americano e ao estilo “crooner”, gênero que vivia enorme popularidade na época graças a artistas como Frank Sinatra e Perry Como. A voz calorosa e aparentemente casual de Martin dava às canções uma atmosfera elegante e intimista, característica que ajudaria a diferenciá-lo de muitos contemporâneos. Mesmo em suas primeiras gravações, já era perceptível seu talento natural para interpretar baladas românticas e standards do cancioneiro americano.

A recepção crítica ao álbum foi positiva dentro do contexto musical da época, especialmente entre jornalistas especializados em música popular e entretenimento. Embora publicações como a Rolling Stone ainda não existissem naquele período, críticas posteriores frequentemente apontaram Dean Martin Sings como um registro importante do nascimento artístico de um dos maiores intérpretes americanos do século XX. O The New York Times, em análises retrospectivas, destacou a naturalidade da interpretação de Martin e sua habilidade em transmitir charme sem esforço aparente. Comercialmente, o álbum teve um desempenho respeitável para a época, especialmente considerando que o mercado de LPs ainda estava em expansão no início dos anos 1950. O sucesso ajudou Dean Martin a fortalecer sua carreira musical paralelamente ao cinema e à televisão, permitindo que ele deixasse de ser visto apenas como metade de uma dupla cômica. Aos poucos, sua imagem como cantor elegante e sedutor começou a ganhar força junto ao público americano.

Com o passar das décadas, Dean Martin Sings passou a ser reconhecido como um dos primeiros passos fundamentais de uma carreira extremamente influente na música popular tradicional. O álbum ajudou a estabelecer o estilo relaxado e sofisticado que faria de Dean Martin uma figura central do entretenimento americano, especialmente durante os anos 1950 e 1960. Sua maneira aparentemente simples de cantar escondia um grande domínio técnico e um senso de timing emocional muito refinado, qualidades que influenciaram inúmeros intérpretes posteriores. Hoje, o disco é valorizado principalmente por fãs do jazz vocal, do pop orquestral e da era clássica dos crooners. Além disso, ele representa um retrato importante de uma época em que os álbuns começavam a se tornar obras artísticas completas e não apenas coleções de singles. Mesmo sendo um trabalho inicial, o álbum preserva o charme atemporal que transformaria Dean Martin em uma das vozes mais reconhecidas e queridas da música norte-americana.

Dean Martin – Dean Martin Sings (1953)
Who's Your Little Who-Zis!
I'm Yours
I Feel a Song Coming On
Come Back to Sorrento
Oh Marie
I Feel Like a Feather in the Breeze
When You're Smiling (The Whole World Smiles)
A Girl Named Mary and a Boy Named Bill.
You're the Right One
Blue Smoke (Kohu-Auwahi)
Johnny Get Your Girl
As You Are

Erick Steve. 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours
Desde que havia assinado com a Capitol Records, Sinatra vinha com a intenção de investir cada vez mais em discos conceituais. Eram álbuns com uma temática em comum ligando todas as canções. Havia sido em parte assim com os dois primeiros discos do cantor nessa nova gravadora e seguiu ainda mais firme nesse sentido com esse terceiro disco no selo. O tema central aqui é a desilusão amorosa. Todas as letras de todas as faixas possuem esse elo em comum, falando de relacionamentos fracassados, amores dolorosos, solidão, depressão e amargura. Por essa razão é um disco bem melancólico, onde Sinatra no fundo estava falando de si mesmo. Ele havia se separado da esposa Nancy, tinha embargado em um relacionamento conturbado com Ava Gardner, que o traía constantemente, e tudo parecia desmoronar em sua vida amorosa. 

Eu sempre entendi perfeitamente a importância desse álbum na discografia de Sinatra. Sempre foi um dos mais conceituados e elogiados de sua discografia, mas ao mesmo tempo nunca consegui gostar. Acho que é necessário estar em uma certa vibe para curtir esse LP. E esse é o sentimento da dor de cotovelo, não tem como escapar desse aspecto. O ouvinte tem que estar sintonizado com o próprio estado de espírito do cantor na época para criar uma conexão com o sentimento geral que esse trabalho musical passa. Bom, esse tipo de coisa para baixo, caindo no choro por causa do fim de um relacionamento, nunca foi a minha praia. É o disco da fossa do Sinatra. Por isso nunca gostei mesmo. Prefiro outros discos do cantor, mas de qualquer forma fica a dica. É um disco importante na carreira de Sinatra. 

Frank Sinatra - In the Wee Small Hours (1955)
In the Wee Small Hours of the Morning
Mood Indigo
Glad to Be Unhappy
I Get Along Without You Very Well
Deep in a Dream
I See Your Face Before Me
Can't We Be Friends?
When Your Lover Has Gone
What Is This Thing Called Love?
Last Night When We Were Young
I'll Be Around
Ill Wind
1It Never Entered My Mind
Dancing on the Ceiling
I'll Never Be the Same
This Love of Mine

Pablo Aluísio. 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Norah Jones - Feels Like Home

Segundo álbum de Norah Jones. Muito se disse na época de seu lançamento que esse trabalho trocava o jazz do primeiro trabalho solo por uma sonoridade nitidamente com sabor country. Não concordo plenamente com essa visão. Certamente há canções de raiz entre as faixas que compõem "Feels Like Home" mas o jazz tradicional que tanto impressionou o mundo no disco de estreia de Norah também está presente. Talvez pelo fato da seleção abrir com "Sunrise" tenha criado essa impressão, não sei, o que sei é que é um trabalho coeso e muito bem arranjado. Muitos críticos se limitam a ouvir apenas as primeiras faixas dos discos e ignoram todo o resto. Muito provavelmente foi o que aconteceu aqui. Embora haja canções country esse definitivamente não é o “Norah Jones Country & Western Album” como muitos querem fazer crer.  Eu gosto de insistir em dizer que os melhores trabalhos de Jones são aqueles baseados em piano e quarteto de cordas. Essa é a musicalidade definitiva de Norah Jones, não adianta mudar. De fato quando ela resolveu mudar perdeu consistência. Ela não deve sair de seu caminho melódico mais tradicional. Felizmente "Feels Like Home" deixa o experimentalismo de lado e se decide pelo estilo mais conservador da carreira da cantora. Também convenhamos, esse é apenas seu segundo trabalho - e o sucesso arrasador do primeiro disco não abria margem para mudanças significativas.

A produção é da própria Norah Jones que aqui divide a responsabilidade com Arif Mardin, veterano arranjador e maestro da era de ouro do Jazz americano. A parceria já havia dado muito certo em "Come Away with Me" então não havia razão mesmo para mudar. Já deu para perceber que "Feels Like Home" é de certa forma uma extensão de "Come Away With Me". No conjunto não consegue porém ser melhor que seu antecessor. A seleção musical é inferior. Mesmo assim a gravadora de Norah Jones resolveu investir alto. Para capitalizar em cima de seu nome foram lançados quatro singles do CD! Nos tempos atuais isso é bem incomum. As canções que saíram em single foram "Sunrise", "What Am I to You?" (uma das melhores composições de "Feels Like Home"), "Those Sweet Words" e "Sleepless Nights" (single lançado exclusivamente no mercado do Japão pois a canção virou um tremendo hit por lá). No mais após ouvir todas as faixas tiramos algumas conclusões. A primeira é que Norah Jones ainda canta lindamente, provando mais uma vez que há sim espaço para a boa música atualmente nas paradas. Segundo que country ou não, menos inspirado ou não, o fato é que o álbum foi um grande sucesso de público e crítica. Vendeu mais de 10 milhões de cópias e chegou ao primeiro lugar em praticamente todos os países ocidentais. Não foi tão bem premiado como "Come Away With me" porque afinal aquele levou todos os Grammys importantes de seu ano. Como eu já afirmei "Feels Like Home" é item obrigatório para quem gostou do primeiro CD da cantora. Não é tão brilhante mas mantém um nível de qualidade bem acima do que se produz atualmente. No fundo o que vale a pena mesmo é ouvir a voz de Norah Jones e aqui não há como negar que ela está em momento inspirado. Talento musical certamente não lhe falta.

Norah Jones - Feels Like Home (2004)
Sunrise
What Am I to You?
Those Sweet Words
Carnival Town
In the Morning
Be Here to Love Me
Creepin' In
Toes
Humble Me
Above Ground
The Long Way Home
The Prettiest Thing

Pablo Aluísio.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Katy Perry: Part of Me

Em essência é um documentário musical mostrando a turnê mundial de Katy Perry, uma jovem cantora que tem feito muito sucesso nas paradas. Para se ter uma idéia a garota já conseguiu um feito e tanto – emplacar cinco canções consecutivas entre as dez mais da principal parada dos Estados Unidos. Nem os Beatles conseguiram tal proeza! Para quem quiser entender seu êxito comercial o filme traz boas pistas! Katy Perry é uma artista pop, do mesmo nicho de mercado em que estão inseridas outras cantoras de seu estilo como Avril Lavigne e Britney Spears. Como sempre acontece com artistas pop há muita produção envolvida em seus concertos, grupo de dançarinos, cenários elaborados e coreografias exaustivamente ensaiadas. A Perry surge tanto no palco como nos bastidores mostrando de forma até didática seus primeiros passos rumo à fama. Filha de pastores evangélicos itinerantes Katy surgiu inicialmente como cantora gospel e só depois, bem mais velha, abraçou o cenário pop. Com visual que lembra as antigas pin ups da década de 50, em especial Bettie Page, a moça desfila seu repertório enquanto esbanja simpatia e carinho entre os fãs que a visitam antes e após as apresentações. Aspectos de sua vida pessoal também são mostrados, inclusive o fim de seu relacionamento com o comediante Russel Brand. O filme consegue captar cenas interessantes dela bem antes do show em São Paulo quando abalada emocionalmente por sua separação ainda encontra forças para subir ao palco, sob lágrimas.

Em termos de méritos cinematográficos não há muito o que discutir. O filme é um produto feito para fãs e eventuais curiosos que queiram conhecer um pouco sobre essa cantora teen popular. A estrutura chega até mesmo a lembrar um reality show televisivo! No fundo ela demonstra algum descontrole emocional nos bastidores, agindo tal como uma adolescente que brigou com o namorado da escola! Por falar em teen uma das cenas mais curiosas é aquela em que a própria cantora admite que já não é mais nenhuma criança (ela tem na realidade 27 anos) mas que procura agir como uma garotinha adolescente de 16 anos, Pelo que vemos em cena isso é bem verdadeiro. Aliás agindo assim ela acaba criando uma grande identidade com seu público que é formado basicamente por uma garotada na faixa etária que vai dos 12 até no máximo 18 anos. De fato parece mesmo uma “meninona” e seu show reflete bem isso, com uso de muitos doces e chocolates no cenário, além de uma profusão de símbolos infantis por todos os lados (assim como Michael Jackson ela também parece ser obcecada por mundos de contos de fadas). O lado positivo é que ela tem uma música livre de apologias a drogas e outras barbaridades. É inofensiva, provavelmente fabricada, mas no mundo em que vivemos é bem melhor ter uma cantora como ela nas paradas do que um rapper raivoso vociferando versos incentivando os garotos dos guetos a dar tiros em policiais. A moça é simpática e sua música é não apenas chiclete mas algodão doce também. Em suma é um produto feito para ser consumido por um grupo específico de pessoas, no caso os fãs da cantora Katy Perry. Para os cinéfilos em geral não há grande interesse em conferir essa produção.


Katy Perry: Part of Me (Estados Unidos, 2012) Direção: Dan Cutforth, Jane Lipsitz / Roteiro: Dan Cutforth / Elenco: Katy Perry,  Adam Marcello, Rihanna, Justin Bieber, Lady Gaga, Ellen DeGeneres, Russell Brand, Angelica Baehler-Cob, Glen Ballard / Sinopse: Documentário que mostra os shows e bastidores da turnê mundial da cantora jovem Katy Perry.

Pablo Aluísio.