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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Chuck Berry & Bo Diddley - Two Great Guitars

Chuck Berry & Bo Diddley - Two Great Guitars (1964)
Lançado em agosto de 1964 pelo selo Checker, subsidiário da Chess Records, Two Great Guitars é um álbum especial que reúne dois dos maiores pioneiros do rock and roll: Chuck Berry e Bo Diddley. Diferentemente dos discos convencionais de rock da época, construídos em torno de uma sequência de canções curtas, o trabalho aposta principalmente em longas sessões instrumentais, nas quais os dois músicos exploram o ritmo, improvisam e demonstram suas personalidades musicais. As gravações foram realizadas em março de 1964, no Ter-Mar Recording Studio, em Chicago, cidade fundamental para o desenvolvimento do blues elétrico e do rhythm and blues. O lançamento também possui um significado particular na trajetória de Berry, pois foi seu primeiro álbum de estúdio publicado depois de sua saída da prisão, em outubro de 1963. Enquanto Chuck Berry era conhecido por seus riffs melódicos, solos ágeis e pela combinação de blues com estruturas que ajudariam a definir o rock, Bo Diddley havia desenvolvido uma identidade rítmica própria, marcada por batidas insistentes e sincopadas. O encontro dos dois, portanto, representava muito mais do que uma colaboração entre colegas de gravadora: era uma reunião de artistas que haviam ajudado a estabelecer as bases do rock moderno. 

O álbum original contém apenas quatro faixas, mas duas delas ocupam grande parte de seus aproximadamente trinta minutos de duração. A abertura, “Liverpool Drive”, é uma peça instrumental de Chuck Berry, com pouco menos de três minutos, que apresenta sua guitarra em um formato mais direto e próximo de seu estilo habitual. Em seguida vem “Chuck's Beat”, uma extensa jam instrumental de cerca de dez minutos, na qual Berry e Bo Diddley compartilham o protagonismo, acompanhados por músicos da sessão de Chicago. No segundo lado, Bo Diddley interpreta “When the Saints Go Marching In”, uma versão instrumental do tradicional tema gospel, adaptada ao seu característico senso rítmico. O encerramento fica por conta de “Bo's Beat”, uma improvisação ainda mais longa, com aproximadamente quatorze minutos, que permite explorar a interação entre os guitarristas e a seção rítmica. O disco foi produzido no ambiente profissional da Chess, sob a direção dos irmãos Leonard e Phil Chess, e também apareceu em edição estéreo. Em vez de procurar sucessos radiofônicos imediatos, a proposta era registrar o diálogo entre dois instrumentistas com estilos distintos, deixando espaço para variações, repetições, solos e mudanças de intensidade. Por essa razão, o álbum se aproxima tanto de uma sessão de blues quanto de um experimento de rock instrumental, antecipando o interesse que surgiria posteriormente por improvisações mais longas na música popular. 

A importância de Two Great Guitars está sobretudo no registro do encontro entre duas personalidades essenciais para a história da guitarra elétrica. Embora não seja normalmente considerado um dos álbuns mais acessíveis de Chuck Berry, o disco interessa especialmente aos admiradores do blues de Chicago, do rock instrumental e da evolução da improvisação na música popular. A longa duração de “Chuck's Beat” e “Bo's Beat” permite ouvir os músicos desenvolverem ideias sem a estrutura rígida de versos e refrões que caracterizava grande parte dos sucessos da época. A obra também documenta um momento de retomada para Berry, que voltaria a conquistar destaque comercial naquele mesmo ano com St. Louis to Liverpool, álbum que inclui clássicos como “No Particular Place to Go” e “You Never Can Tell”. Para Bo Diddley, a parceria reforçava sua posição como um dos grandes inovadores rítmicos do rock, cuja influência alcançaria gerações de guitarristas e bandas. Nas décadas seguintes, Two Great Guitars seria relançado em CD com faixas adicionais, ampliando o interesse dos colecionadores e permitindo conhecer outras gravações relacionadas às sessões. Seu valor histórico reside, portanto, na oportunidade de ouvir dois pioneiros em um ambiente mais livre e espontâneo, celebrando a força da guitarra elétrica e a herança musical que ambos ajudaram a construir. 

Chuck Berry & Bo Diddley – Two Great Guitars (1964)
Lista de faixas: edição original norte-americana, Checker Records:

Lado A
1. Liverpool Drive — Chuck Berry
2. Chuck's Beat — Chuck Berry e Bo Diddley
Lado B
3. When the Saints Go Marching In — Bo Diddley
4. Bo's Beat — Bo Diddley e Chuck Berry

Erick Steve. 

Chuck Berry - New Juke Box Hits

Chuck Berry - New Juke Box Hits (1961)
Lançado em março de 1961 pela gravadora Chess Records, New Juke Box Hits é o quinto álbum de estúdio de Chuck Berry e um registro importante de uma fase turbulenta de sua trajetória. No início dos anos 1960, Berry já era reconhecido como um dos principais arquitetos do rock and roll, responsável por canções que ajudaram a definir a linguagem musical e a atitude de toda uma geração. Entretanto, sua carreira começava a enfrentar dificuldades em meio a problemas judiciais que prejudicariam sua imagem pública e culminariam em sua prisão em 1962. O álbum surgiu nesse contexto, reunindo doze faixas que combinam composições próprias com releituras de músicas de outros artistas. Entre as criações de Berry estão “I'm Talking About You”, “Diploma for Two”, “Thirteen Question Method” e “The Way It Was Before”, canções que preservam sua habilidade de construir narrativas diretas, melodias cativantes e ritmos contagiantes. Embora não tenha alcançado o impacto dos discos anteriores, o trabalho mantém os elementos fundamentais de seu estilo: guitarra incisiva, vocal expressivo, humor, balanço e a mistura de blues e rhythm and blues com a energia juvenil do rock. 

Um dos aspectos mais interessantes de New Juke Box Hits é a maneira como Chuck Berry dialoga com diferentes tradições da música popular norte-americana. “Route 66”, composição de Bobby Troup que se tornou conhecida na interpretação de Nat King Cole, recebe uma leitura enérgica, conduzida pelo fraseado característico da guitarra de Berry. “Sweet Sixteen”, associada a B. B. King, aproxima o álbum do blues elétrico, enquanto “Rip It Up”, sucesso de Little Richard, reforça a conexão com o rock and roll mais explosivo da época. “Don't You Lie to Me”, por sua vez, recupera uma composição ligada ao repertório do blues, mostrando que as raízes musicais de Berry permaneciam essenciais para sua produção. A faixa “I'm Talking About You” merece destaque especial: embora não tenha se transformado em um grande sucesso comercial na época, seria posteriormente gravada pelos Rolling Stones, demonstrando a influência duradoura de seu repertório sobre o rock britânico. A recepção crítica retrospectiva foi respeitosa, mas não unanimemente entusiasmada. William Ruhlmann, do AllMusic, considera o álbum uma boa coleção de rock and roll, embora inferior aos trabalhos anteriores de Berry, observando que os problemas pessoais e judiciais do músico coincidiram com uma fase menos inspirada em termos de composição e de resultados comerciais. 

Apesar de não figurar entre os álbuns mais celebrados de Chuck Berry, New Juke Box Hits conserva valor histórico por documentar uma transição delicada em sua carreira. Pouco depois de seu lançamento, os problemas judiciais do cantor se agravaram, e ele seria preso em 1962, passando um período afastado das gravações e dos palcos. O álbum também antecede um intervalo significativo até o lançamento de seu próximo disco de estúdio composto por novas canções, St. Louis to Liverpool, em 1964, que marcaria uma retomada importante de sua carreira. Com o passar dos anos, a obra de Berry seria reconhecida como uma das bases do rock moderno, influenciando artistas e bandas de diferentes gerações, dos Beatles e Rolling Stones a inúmeros guitarristas que adotaram seus riffs, solos e seu modo de contar histórias por meio da música. Nesse panorama, New Juke Box Hits talvez não tenha a concentração de clássicos encontrada em Berry Is on Top (1959), mas oferece uma combinação interessante de material original e interpretações que revelam as fontes musicais do artista. É um disco que merece ser ouvido não como o auge de sua produção, mas como um capítulo revelador da trajetória de um compositor fundamental, cuja criatividade e influência ultrapassaram amplamente os limites de seu próprio tempo. 

Chuck Berry – New Juke Box Hits (1961)
1. I'm Talking About You
2. Diploma for Two
3. Thirteen Question Method
4. Away from You
5. Don't You Lie to Me
6. The Way It Was Before
7. Little Star
8. Route 66
9. Sweet Sixteen
10. Run Around
11. Stop and Listen
12. Rip It Up

Erick Steve. 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Chuck Berry - Rockin’ at the Hops

Chuck Berry - Rockin’ at the Hops
O álbum Rockin’ at the Hops, de Chuck Berry, foi lançado em 1960 pela lendária Chess Records e representa um dos trabalhos mais importantes do início da carreira do pioneiro do rock and roll. Em uma época em que o gênero ainda estava consolidando sua identidade comercial e artística, Chuck Berry já era reconhecido como uma das figuras centrais da nova música juvenil americana. O disco reúne algumas das características mais marcantes de seu estilo: riffs de guitarra energéticos, letras sobre juventude, carros, romances adolescentes e dança, além de um senso rítmico que ajudou a definir os rumos do rock nas décadas seguintes. Embora muitos dos álbuns daquele período fossem montados a partir de singles já lançados anteriormente, Rockin’ at the Hops apresenta um conjunto coeso de gravações que captura perfeitamente a energia e o espírito rebelde do início dos anos 1960. Faixas como Bye Bye Johnny e Let It Rock destacam a habilidade de Berry em unir narrativa, humor e ritmo de maneira extremamente acessível. Seu estilo de tocar guitarra, marcado por frases rápidas e introduções memoráveis, tornou-se um modelo para praticamente todo o rock posterior.

A recepção crítica ao álbum foi bastante positiva dentro do contexto da época, especialmente entre rádios e publicações dedicadas à música popular juvenil. Décadas depois, revistas como a Rolling Stone passaram a reconhecer o trabalho de Chuck Berry como uma das fundações essenciais da música rock, frequentemente apontando discos como Rockin’ at the Hops como peças fundamentais para compreender a evolução do gênero. O The New York Times também destacou em retrospectivas a importância histórica de Berry como compositor, guitarrista e performer. Comercialmente, o álbum teve bom desempenho e ajudou a manter Chuck Berry no topo do rock americano durante um período de intensa transformação cultural. Suas músicas alcançavam tanto o público adolescente quanto músicos iniciantes que viam nele um modelo artístico revolucionário. O impacto do disco foi ampliado pela enorme influência de Berry sobre bandas britânicas dos anos 1960, especialmente grupos que mais tarde liderariam a chamada “British Invasion”.

Com o passar do tempo, Rockin’ at the Hops consolidou-se como um dos registros clássicos do rock and roll em sua forma mais pura e direta. O álbum preserva toda a energia do período inicial do gênero, quando o rock ainda carregava forte ligação com rhythm and blues, country e boogie-woogie. A influência de Chuck Berry sobre artistas como The Beatles, The Rolling Stones e Bruce Springsteen é amplamente reconhecida, especialmente em relação à construção de riffs de guitarra e letras narrativas. Muitas das estruturas musicais popularizadas por Berry continuam sendo utilizadas até hoje no rock contemporâneo. Atualmente, o álbum é visto não apenas como um importante documento histórico, mas também como uma coleção vibrante de canções que permanecem divertidas, energéticas e influentes. Seu legado atravessa gerações e reafirma Chuck Berry como um dos verdadeiros arquitetos da música popular moderna.

Chuck Berry - Rockin’ at the Hops (1960)
Bye Bye Johnny
Worried Life Blues
Down the Road Apiece
Confessin’ the Blues
Too Pooped to Pop
Mad Lad
I Got to Find My Baby
Betty Jean
Childhood Sweetheart
Broken Arrow
Driftin’ Blues
Let It Rock

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Discografia Americana de álbuns de Chuck Berry


Chuck Berry – Álbuns de estúdio (EUA)
After School Session (1957)
One Dozen Berrys (1958)
Chuck Berry Is on Top (1959)
Rockin’ at the Hops (1960)
New Juke Box Hits (1961)
Two Great Guitars (1964)
St. Louis to Liverpool (1964)
Chuck Berry in London (1965)
Fresh Berry’s (1965)
Chuck Berry’s Golden Hits (1967)
Concerto in B Goode (1969)
Back Home (1970)
San Francisco Dues (1971)
The London Chuck Berry Sessions (1972
Bio (1973)
Chuck Berry (1975)
Rock It (1979)
Chuck (2017)

Obs: Em negrito álbuns que já foram comentados em nosso blog Music! 

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Chuck Berry - Chuck Berry Is on Top

Bom, se eu fosse indicar algum álbum da discografia original de Chuck Berry para algum marinheiro de primeira viagem em sua obra certamente apontaria para esse "Chuck Berry Is on Top". Aqui Berry resolveu unir alguns singles de sucesso com gravações novas, inéditas. O resultado mais uma vez é excelente. Uma pena que na carreira e na vida pessoal Berry estivesse vivendo um verdadeiro caos, um inferno astral. Profissionalmente ele estava brigando com a gravadora Chess Records. Havia acusações para todos os lados, mas Berry insistia que estava sendo roubado pelos irmãos Leonard Chess e Phil Chess! A coisa toda iria atingir um ponto em que eles iriam partir para as raias dos tribunais, tamanho o nível de atrito que havia se instalado. Na vida pessoal as coisas também não iam nada bem. Chuck Berry vinha enfrentando acusações pesadas, em processos criminais, que culminariam em sua prisão alguns meses depois.

Com tanto coisa jogando contra não é de se admirar que ele tenha tido vários problemas para colocar um disco completamente inédito nas lojas. Particularmente abomino coletâneas em geral que considero resumos incompletos das obras dos artistas de que gosto. É um produto comercial para vender e nada mais. Em relação a roqueiros como Chuck Berry e Little Richard a coisa ficou ainda mais feia pois a partir dos anos 60 sairiam uma infinidade de títulos como "Golden Hits" e coisas do gênero que apenas procuravam relançar velhas gravações com novas capas. Uma verdadeira praga. Mesmo assim ainda consigo indicar - com certa reserva - um álbum como esse, afinal de contas em seu favor temos o fato dele ter sido parte da discografia original de Berry nos anos 50. Uma prova que sua carreira foi realmente meteórica, de poucos anos. Depois ele infelizmente se tornaria mais um artista ao estilo revival, vivendo de glórias passadas e pouco produzindo algo de novo.

Chuck Berry - Chuck Berry Is on Top (1959)
Almost Grown / Carol / Maybellene / Rock Sweet Little & Roller / Anthony Boy / Johnny B. Goode / Little Queenie / Jo Jo Gunne / Roll Over Beethoven / Around and Around / Hey Pedro  / Blues for Hawaiians.

Pablo Aluísio.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Chuck Berry - One Dozen Berrys

Segundo álbum da carreira de Chuck Berry e o primeiro a ser lançado oficialmente na Europa - uma prova de seu sucesso comercial. Esse disco tem alguns dos maiores clássicos da carreira do cantor e compositor. Duas delas são ícones absolutos que merecem estar em qualquer lista de melhores rocks de todos os tempos, são elas "Sweet Little Sixteen" que estouraria nas paradas assim que foi lançada e "Rock and Roll Music" que anos depois seria regravada pelos Beatles em seu disco "Beatles For Sale". Em tempos politicamente corretos em que vivemos uma letra como a de "Sweet Little Sixteen" certamente traria problemas para Berry, afinal imagine a paranoia que iria se formar ao se deparar com uma canção que falava de uma doce garota de dezesseis anos! Seria o caos em cima do pobre Chuck. Já "Rock and Roll Music" tem uma grande letra, algo bem típico de Chuck Berry pois ele usava de uma linguagem quase cinematográfica para passar seu recado. Obra Prima!

"One Dozen Berrys" faz parte da primeira fase da carreira do cantor. Por essa época ele ainda gravava seus álbuns em Chicago, sob supervisão dos próprios irmãos Chess (Leonard e Phil Chess) que dominavam todo o processo de gravação com mãos de ferro, algo que em pouco tempo os colocaria contra as ideias de Chuck Berry que não ficaria muito tempo no selo - ele saiu batendo a porta literalmente, dizendo que estava sendo roubado pelos donos da Chess na cara dura! De uma forma ou outra não há como negar que é um grande trabalho. Não importam muito as brigas de bastidores quando o ouvinte se delicia com esse repertório. Berry até procura inovar um pouco ao considerar gravar ousadias como "Rockin' at the Philharmonic", uma óbvia tirada de sarro dele para cima dos críticos do Rock ´n´ Roll que não paravam de qualificar as primeiras canções de rock como imbecis e destituídas de valor musical. O tempo, senhor de tudo, porém iria dar o devido reconhecimento para Berry e todos os pioneiros do rock uma vez que esse disco hoje é considerado um verdadeiro clássico! Nada mal...

Chuck Berry - One Dozen Berrys (1958)
Sweet Little Sixteen / Blue Feeling / La Jaunda / Rockin' at the Philharmonic / Oh Baby Doll / Guitar Boogie / Reelin' and Rockin / In-Go / Rock and Roll Music / How You've Changed / Low Feeling / It Don't Take But a Few Minutes.

Pablo Aluísio.

sábado, 12 de abril de 2025

Chuck Berry - After School Session

Chuck Berry foi um poeta da geração jovem da década de 50. Através das letras de suas canções ele procurou cantar o universo de um adolescente da época. Suas canções geralmente falavam de assuntos triviais mas muito importantes para quem tinha seus 16, 17 anos. Em suas músicas temas como garotas, namoros, escola e carrões estavam sempre presentes. Ao longo da vida Berry criou um estilo próprio, sendo considerado até hoje um dos mais criativos guitarristas e compositores da história do rock. De fato poucos tiveram tanto talento em escrever riffs aparentemente simples mas muito bem elaborados. Os solos de Berry são inconfundíveis, formando uma sonoridade que fica na mente de quem ouve para sempre. Basta ouvir uma vez para ser fisgado! Assim não é de se admirar que tenha composto tantos sucessos no começo de sua carreira. Esse seu primeiro álbum na carreira traz um exemplo perfeito disso. O disco é composto basicamente por canções gravadas nas primeiras cinco sessões de estúdio do artista na gravadora Chess e mostra todas as características que fizeram de Berry um dos nomes mais importantes do surgimento do rock´n´roll americano.

Chuck Berry nunca foi uma pessoa fácil de se controlar e essa característica ele aprendeu pelas gravadoras pelas quais passou. Sua passagem na Chess Records foi seguramente sua fase mais inspirada. Nessa gravadora ele colecionou hits após hits, todos lançados em singles de grande sucesso comercial. Para um cantor negro como ele na década de 50 um single de sucesso era tudo o que se procurava alcançar pois isso geralmente significava mais shows e com mais shows mais grana ele conseguia ganhar. Pois Berry não conseguiu apenas um single mas vários, em sequência. Infelizmente como ele próprio definiu anos depois tudo o que conseguiu por essa época foi ser literalmente roubado por empresários e donos de gravadora. Sempre às turras com esse pessoal, Berry não foi consultado nem sobre esse seu primeiro álbum, cujas faixas foram escolhidos à sua revelia. De qualquer modo esse “After School Sessions” é um joia da fase artística mais inspirada de Berry com canções fantásticas que até hoje inspiram as novas gerações de roqueiros. Um disco maravilhoso de um artista numa fase comercialmente conturbada de sua carreira mas artisticamente muito produtiva em sua vida.

Chuck Berry - After School Session (1957)
School Days / Deep Feeling / Too Much Monkey Business / Wee Wee Hours / Roly Poly (Rolli Polli) / No Money Down / Brown Eyed Handsome Man / Berry Pickin / Together (We'll Always Be) / Havana Moon / Downbound Train / Drifting Heart / You Can't Catch Me * / Thirty Days (To Come Back Home) * / Maybellene * / * Faixas bônus do lançamento em CD.

Pablo Aluísio.