O álbum “John Lennon / Plastic Ono Band” foi lançado em 11 de dezembro de 1970, pela Apple Records, em um dos momentos mais delicados e transformadores da carreira de John Lennon. Gravado ao longo de 1970, logo após o fim oficial dos Beatles, o disco nasceu em um contexto profundamente pessoal, influenciado pela terapia do “primal scream” conduzida por Arthur Janov, da qual Lennon e Yoko Ono participaram intensamente. Diferente da grandiosidade e do refinamento sonoro associados aos Beatles, o álbum adotou uma abordagem crua, minimalista e emocionalmente exposta. As gravações contaram com um trio enxuto, formado por John Lennon, Klaus Voormann no baixo e Ringo Starr na bateria, reforçando o caráter direto e sem adornos das músicas. Esse disco marcou a verdadeira estreia artística solo de Lennon, não apenas como ex-Beatle, mas como um compositor disposto a expor suas dores, traumas e contradições. Sua importância na carreira do artista reside justamente nessa ruptura radical com o passado e na afirmação de uma nova identidade musical e pessoal.
A recepção da crítica foi majoritariamente entusiástica, embora marcada por surpresa e impacto. O The New York Times descreveu o álbum como “uma confissão brutal, desprovida de qualquer tentativa de agradar”, destacando a honestidade quase desconfortável das letras. Para o jornal, Lennon havia abandonado qualquer verniz pop em favor de uma expressão emocional direta. O Los Angeles Times elogiou a coragem artística do disco, afirmando que “Plastic Ono Band é um dos raros álbuns que soam necessários, não calculados”. A crítica ressaltou a força de faixas como Mother e Working Class Hero, vistas como declarações pessoais universais. Muitos críticos apontaram que o álbum exigia do ouvinte uma escuta atenta e emocionalmente envolvida. Ainda assim, reconheciam seu valor artístico imediato. A sensação geral era de que Lennon havia criado algo profundamente autêntico.
A revista Rolling Stone publicou uma das resenhas mais emblemáticas da época, afirmando que “John Lennon / Plastic Ono Band é o melhor álbum solo já feito por um ex-Beatle”. Já a Billboard destacou o contraste entre a simplicidade instrumental e o peso emocional das composições, chamando o disco de “um manifesto íntimo e corajoso”. O The New Yorker, embora mais contido, reconheceu que Lennon havia produzido “uma obra de vulnerabilidade rara na música popular contemporânea”. Algumas críticas iniciais apontaram o álbum como excessivamente sombrio ou difícil, mas mesmo essas análises reconheciam sua força artística. Com o passar do tempo, muitos desses textos passaram a ser revisitados como exemplos de crítica musical visionária. O consenso crítico, mesmo entre opiniões divergentes, era de que o álbum representava um ponto de inflexão na música popular. Plastic Ono Band não era apenas um disco, mas uma declaração existencial.
Comercialmente, o álbum teve um desempenho sólido, embora mais modesto do que os lançamentos dos Beatles. Nos Estados Unidos, alcançou a 6ª posição na Billboard 200, enquanto no Reino Unido chegou ao 8º lugar nas paradas oficiais. Estima-se que o disco tenha vendido milhões de cópias ao longo das décadas, impulsionado principalmente por seu reconhecimento crítico e legado histórico. Embora não tenha sido um sucesso massivo imediato, o público que se conectou com o álbum o fez de maneira profunda e duradoura. Muitos ouvintes se identificaram com a franqueza emocional de Lennon e com a ausência de artifícios comerciais. O álbum também teve forte impacto entre músicos e artistas da época, o que ajudou a ampliar sua influência. Ao longo dos anos, suas vendas continuaram constantes graças a reedições e redescobertas. Assim, o sucesso comercial do disco se consolidou no longo prazo.
O legado de “John Lennon / Plastic Ono Band” é hoje considerado monumental. Frequentemente listado entre os melhores álbuns de todos os tempos por publicações especializadas, o disco é visto como uma das obras mais honestas e emocionalmente intensas da história do rock. Fãs e críticos o reconhecem como um modelo de autenticidade artística, influenciando gerações de músicos que buscaram uma abordagem mais pessoal e direta em suas composições. O álbum redefiniu o conceito de música confessional no rock, abrindo caminho para artistas que explorariam temas íntimos sem medo da exposição. Sua produção minimalista continua sendo estudada como exemplo de como menos pode ser mais. Plastic Ono Band permanece relevante justamente por sua atemporalidade emocional. É um disco que continua a dialogar com novas gerações de ouvintes.
John Lennon – John Lennon / Plastic Ono Band (1970)
Mother
Hold On
I Found Out
Working Class Hero
Isolation
Remember
Love
Well Well Well
Look at Me
God
My Mummy’s Dead
Erick Steve.

