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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

John Lennon - Plastic Ono Band

John Lennon - Plastic Ono Band
O álbum “John Lennon / Plastic Ono Band” foi lançado em 11 de dezembro de 1970, pela Apple Records, em um dos momentos mais delicados e transformadores da carreira de John Lennon. Gravado ao longo de 1970, logo após o fim oficial dos Beatles, o disco nasceu em um contexto profundamente pessoal, influenciado pela terapia do “primal scream” conduzida por Arthur Janov, da qual Lennon e Yoko Ono participaram intensamente. Diferente da grandiosidade e do refinamento sonoro associados aos Beatles, o álbum adotou uma abordagem crua, minimalista e emocionalmente exposta. As gravações contaram com um trio enxuto, formado por John Lennon, Klaus Voormann no baixo e Ringo Starr na bateria, reforçando o caráter direto e sem adornos das músicas. Esse disco marcou a verdadeira estreia artística solo de Lennon, não apenas como ex-Beatle, mas como um compositor disposto a expor suas dores, traumas e contradições. Sua importância na carreira do artista reside justamente nessa ruptura radical com o passado e na afirmação de uma nova identidade musical e pessoal.

A recepção da crítica foi majoritariamente entusiástica, embora marcada por surpresa e impacto. O The New York Times descreveu o álbum como “uma confissão brutal, desprovida de qualquer tentativa de agradar”, destacando a honestidade quase desconfortável das letras. Para o jornal, Lennon havia abandonado qualquer verniz pop em favor de uma expressão emocional direta. O Los Angeles Times elogiou a coragem artística do disco, afirmando que “Plastic Ono Band é um dos raros álbuns que soam necessários, não calculados”. A crítica ressaltou a força de faixas como Mother e Working Class Hero, vistas como declarações pessoais universais. Muitos críticos apontaram que o álbum exigia do ouvinte uma escuta atenta e emocionalmente envolvida. Ainda assim, reconheciam seu valor artístico imediato. A sensação geral era de que Lennon havia criado algo profundamente autêntico.

A revista Rolling Stone publicou uma das resenhas mais emblemáticas da época, afirmando que “John Lennon / Plastic Ono Band é o melhor álbum solo já feito por um ex-Beatle”. Já a Billboard destacou o contraste entre a simplicidade instrumental e o peso emocional das composições, chamando o disco de “um manifesto íntimo e corajoso”. O The New Yorker, embora mais contido, reconheceu que Lennon havia produzido “uma obra de vulnerabilidade rara na música popular contemporânea”. Algumas críticas iniciais apontaram o álbum como excessivamente sombrio ou difícil, mas mesmo essas análises reconheciam sua força artística. Com o passar do tempo, muitos desses textos passaram a ser revisitados como exemplos de crítica musical visionária. O consenso crítico, mesmo entre opiniões divergentes, era de que o álbum representava um ponto de inflexão na música popular. Plastic Ono Band não era apenas um disco, mas uma declaração existencial.

Comercialmente, o álbum teve um desempenho sólido, embora mais modesto do que os lançamentos dos Beatles. Nos Estados Unidos, alcançou a 6ª posição na Billboard 200, enquanto no Reino Unido chegou ao 8º lugar nas paradas oficiais. Estima-se que o disco tenha vendido milhões de cópias ao longo das décadas, impulsionado principalmente por seu reconhecimento crítico e legado histórico. Embora não tenha sido um sucesso massivo imediato, o público que se conectou com o álbum o fez de maneira profunda e duradoura. Muitos ouvintes se identificaram com a franqueza emocional de Lennon e com a ausência de artifícios comerciais. O álbum também teve forte impacto entre músicos e artistas da época, o que ajudou a ampliar sua influência. Ao longo dos anos, suas vendas continuaram constantes graças a reedições e redescobertas. Assim, o sucesso comercial do disco se consolidou no longo prazo.

O legado de “John Lennon / Plastic Ono Band” é hoje considerado monumental. Frequentemente listado entre os melhores álbuns de todos os tempos por publicações especializadas, o disco é visto como uma das obras mais honestas e emocionalmente intensas da história do rock. Fãs e críticos o reconhecem como um modelo de autenticidade artística, influenciando gerações de músicos que buscaram uma abordagem mais pessoal e direta em suas composições. O álbum redefiniu o conceito de música confessional no rock, abrindo caminho para artistas que explorariam temas íntimos sem medo da exposição. Sua produção minimalista continua sendo estudada como exemplo de como menos pode ser mais. Plastic Ono Band permanece relevante justamente por sua atemporalidade emocional. É um disco que continua a dialogar com novas gerações de ouvintes.

John Lennon – John Lennon / Plastic Ono Band (1970)
Mother
Hold On
I Found Out
Working Class Hero
Isolation
Remember
Love
Well Well Well
Look at Me
God
My Mummy’s Dead

Erick Steve. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

John Lennon – Unfinished Music No. 1: Two Virgins

John Lennon – Unfinished Music No. 1: Two Virgins
O primeiro álbum solo da carreira de John Lennon também foi um dos mais polêmicos. Há tempos ele vinha ao lado de Yoko Ono procurando por outro tipo de sonoridade que não tivesse necessariamente a ver com música ou notas musicais. Lennon chamou essas experiências de “sons experimentais”. Esse tipo de gravação já havia aparecido na discografia dos Beatles, na faixa “Revolution 9”, mas Lennon queria ir além. Nada de melodia, nada de letras, apenas sons ao acaso, colhidos do ambiente, gritos, risadas, sons distorcidos, loucura, êxtase, clímax. Assim que apareceu com seu novo projeto para a gravadora EMI ouviu um sonoro “Não” dos executivos! Aquilo nunca foi a proposta da gravadora, não tinha nada a ver com os Beatles e tudo soava estranho demais.

Lennon não desistiu e nem recuou. Pelo contrário radicalizou o projeto e quis que na capa ele e Yoko Ono surgissem nus, um ao lado do outro. Na contracapa a mesma coisa, só que o casal surgiria de costas para a câmera. Completamente pelados! Lennon queria testar os limites, saber até onde poderia ir antes de sofrer censura ou repressão. A cultura hippie estava no auge, a peça "Hair" com o elenco completamente nu era um sucesso e Lennon queria trazer aquele tipo de postura para sua discografia! O fato do casal estar nu causou um problema e tanto nas lojas de discos. Alguns donos mandaram colocar uma tarja preta nos órgãos sexuais de John e Yoko, outros embrulharam o disco em uma capa de papelão só aparecendo o rosto dos pombinhos. O departamento de justiça inglês proibiu a venda para menores de 18 anos e o disco foi considerado obsceno em vários países. No Brasil, em plena ditadura, nunca foi lançado. Circulou apenas entre os fãs mais obcecados pelos Beatles.

Por motivos contratuais o álbum só seria lançado com o aval dos demais Beatles (o grupo ainda existia e John só poderia lançar algo com a autorização dos demais integrantes da banda). Ringo Starr foi um dos que mais se incomodou com tudo. “Não importa que fosse apenas o John e a Yoko, pois todos nós (os Beatles) teríamos que responder por aquilo”. Paul McCartney também achou radical demais mas ao mesmo tempo entendeu que aquilo tinha a ver com a arte de Yoko Ono e seu modo de pensar e não queria se meter em assuntos do casal. Já George Harrison achou tudo uma grande palhaçada de John mas autorizou o lançamento do disco. Para demonstrar que estava à vontade com tudo aquilo Paul McCartney, a pedido de Lennon, escreveu uma frase para colocar na capa do álbum que dizia: “Quando dois santos se encontram, a experiência nos torna mais humildes. A longa batalha irá provar que ele era um santo”.

Lennon defendeu o disco em várias entrevistas afirmando que "não existem problemas em um casal ficar nu na frente das pessoas". Também disse que os tais "sons experimentais" seriam o futuro da música. Em sua forma de pensar as pessoas no futuro estariam ouvindo os gritos de Yoko Ono e não música clássica ou algo parecido! “Two Virgins” não é um disco fácil. Há muitos sons, assovios, batidas, frases desconexas, violões desafinados, conversações sem sentido, distorções, miados de Yoko, palmas, muita gritaria e nenhuma música. O material todo soa como um grande delírio sob efeitos de drogas. A LSD é obviamente uma experiência que influenciou esse tipo de coisa. Apenas os fãs mais radicais de Lennon vão apreciar. Para os demais fica apenas a curiosidade de conhecer uma das maiores excentricidades da vida de John Lennon, um sujeito que poderia ser muitas coisas mas não um cara muito normal!

John Lennon – Unfinished Music No. 1: Two Virgins (1968)
Two Virgins, Side One
Two Virgins Side Two
Remember Love

Pablo Aluísio.