Mostrando postagens com marcador Nirvana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nirvana. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Nirvana - MTV Unplugged in New York

Nirvana - MTV Unplugged in New York 
O álbum MTV Unplugged in New York, do Nirvana, foi lançado em 1º de novembro de 1994 pela DGC Records, aproximadamente sete meses após a morte de Kurt Cobain. O disco registra a histórica apresentação realizada pelo grupo nos estúdios da MTV em Nova York, em 18 de novembro de 1993, para o programa MTV Unplugged. Participaram da gravação Cobain, Krist Novoselic, Dave Grohl e o guitarrista Pat Smear, acompanhados em algumas músicas pelos músicos Lori Goldston, Curt Kirkwood e Cris Kirkwood. Diferentemente do que muitos esperavam de um programa acústico, o Nirvana não simplesmente reproduziu seus maiores sucessos em versões desplugadas. A banda construiu uma apresentação intimista, sombria e profundamente pessoal, misturando músicas próprias com covers pouco convencionais. O repertório inclui About a Girl, do primeiro álbum Bleach, Come as You Are, Polly, Dumb e Pennyroyal Tea, além de interpretações de David Bowie, Lead Belly e dos Vaselines. A ausência de sucessos gigantescos como “Smells Like Teen Spirit” foi uma decisão artística deliberada e ajudou a transformar a apresentação em algo muito mais próximo de um concerto íntimo do que de uma simples versão acústica dos hits da banda. A voz de Cobain, a sonoridade delicada do violão e a utilização de flores, velas e iluminação discreta criaram uma atmosfera melancólica que, posteriormente, seria associada de maneira ainda mais intensa à imagem do cantor.

A recepção crítica de MTV Unplugged in New York foi extraordinária, especialmente depois de sua publicação após a morte de Cobain. A Rolling Stone considerou o trabalho uma demonstração da capacidade do Nirvana de transcender o grunge e construir performances de grande força emocional mesmo fora de seu ambiente elétrico habitual. O The New York Times também destacou a natureza íntima da gravação e a maneira como Cobain transformou músicas já conhecidas em interpretações mais vulneráveis e contemplativas. Comercialmente, o álbum foi um enorme sucesso: estreou no primeiro lugar da Billboard 200 e tornou-se o primeiro álbum póstumo do Nirvana a alcançar o topo da parada americana. O disco recebeu certificações de platina em diversos países e vendeu milhões de cópias mundialmente. Em 1996, recebeu o Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa, confirmando sua importância dentro da música dos anos 1990. Entre as apresentações mais celebradas está Where Did You Sleep Last Night, tradicional canção associada a Lead Belly, na qual Cobain entrega uma interpretação vocal extremamente intensa e perturbadora. O encerramento daquela performance tornou-se um dos momentos mais memoráveis da história da MTV e uma das últimas grandes apresentações registradas em vídeo pelo cantor.

O legado de MTV Unplugged in New York tornou-se ainda maior com o passar dos anos e atualmente o álbum é considerado um dos registros ao vivo mais importantes da história do rock. Sua força está justamente no contraste entre a imagem explosiva do Nirvana e a atmosfera delicada e vulnerável apresentada naquela noite. O disco demonstrou que a banda não dependia da distorção, do volume ou da energia característica do grunge para produzir interpretações poderosas. Kurt Cobain revelou uma faceta mais introspectiva de sua personalidade artística, enquanto Krist Novoselic e Dave Grohl contribuíram para uma sonoridade contida e cuidadosamente construída. O álbum também ajudou a popularizar o formato acústico entre bandas de rock alternativo e demonstrou que uma apresentação televisiva poderia adquirir importância artística comparável à de um álbum de estúdio. Décadas depois, músicas como The Man Who Sold the World, About a Girl, Lake of Fire e Where Did You Sleep Last Night continuam sendo associadas diretamente a essa apresentação histórica. A obra é frequentemente incluída entre os melhores álbuns ao vivo e acústicos já produzidos e permanece como uma das portas de entrada mais importantes para a música do Nirvana. Mais do que um simples registro de um programa da MTV, MTV Unplugged in New York tornou-se o testamento artístico de uma banda que, em poucos anos, havia transformado profundamente o rock mundial.

Nirvana - MTV Unplugged in New York (1994)
About a Girl
Come as You Are
Jesus Doesn't Want Me for a Sunbeam
The Man Who Sold the World
Pennyroyal Tea
Dumb
Polly
On a Plain
Something in the Way
Plateau
Oh Me
Lake of Fire
All Apologies
Where Did You Sleep Last Night

Erick Steve. 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Nirvana - In Utero

Nirvana – In Utero
Inicialmente Kurt Cobain quis chamar esse disco de “Eu me Odeio e Quero Morrer!”. Isso mesmo, mais direto impossível. Depois de muitos debates e brigas com a gravadora finalmente ele concordou em desistir do título. Os advogados lhe convenceram que um nome como esse poderia lhe trazer muitos problemas legais, inclusive acusações de incentivo ao suicídio de seus fãs. Mesmo relutando o líder do Nirvana recuou e escolheu o nome de “In Utero” que havia retirado de um verso escrito para uma canção por sua esposa, Courtney Love. Mas afinal porque Kurt Cobain estava tão desiludido com sua própria vida? Na realidade não foi apenas um motivo que o levou a isso mas vários. A gravação do disco ocorreu em uma das fases mais conturbadas da vida do músico. Sua filha Frances acabara de nascer mas ele corria o risco de perder sua custódia por causa de seu abuso de drogas. A justiça americana estava querendo tirar a criança dos cuidados do casal uma vez que o vício em heroína de Cobain havia saído do controle e era de conhecimento público. A luta nos tribunais foi desgastante e penosa. Além de ter a vida exposta ao grande público Cobain começou também a entrar em uma rota depressiva que o levaria em pouco tempo ao suicídio, comprovando tragicamente os sentimentos de sua frase onde afirmava que ele se odiava e queria morrer.

As letras das canções de “In Utero” representam bem esse estado de espírito depressivo de Kurt Cobain. Os temas são sombrios, pessimistas, muitas vezes beirando o mal gosto (como na faixa “Rape Me” cuja tradução literal “Estupre-me” já era auto explicativa). Não era para menos. Pensando bem nada ia bem na vida do roqueiro. Ele sofria de sérias dores de estomago, perdia cada vez mais o senso de realidade pelo abuso de drogas e sentia-se perdido com a fama que havia conquistado. Além disso começou a agir como um perfeito paranóico, comprando armas de grande calibre, afirmando que estava sendo perseguido por “forças ocultas”. E havia problemas de relacionamento com as pessoas mais próximas de sua vida. Um desses era o complicado sentimento que Kurt tinha para com seu próprio pai. Eles tinham ficado anos sem se ver, mas o velho Cobain após o sucesso do Nirvana reapareceu para assistir a um show do filho famoso. Isso perturbou bastante Kurt. O encontro deixou Cobain muito mal. Ele tinha reservas contra sua família e não conseguia ficar à vontade na presença deles. Sem reação resolveu desabafar através de sua música. “In Utero” traz vários versos dedicados ao pai, mesmo que de forma bem indireta e obscura. E para piorar o que já era bem ruim seu estado era deplorável. Ele não conseguia mais reagir aos acontecimentos ao redor, estando sempre chapado ao limite. Em casa ficava o tempo todo drogado, caído pela chão. Ainda foi feita uma tentativa de intervenção sobre sua dependência química mas sem sucesso. O resto já sabemos. Kurt Cobain não conseguiu sobreviver a uma crise suicida e se matou na garagem de sua casa após escrever um bilhete de despedida para familiares e fãs tornando assim “In Utero” seu verdadeiro testamento musical. Uma pena. Foi um fim muito precoce para um artista que marcou época e revitalizou o cenário punk alternativo americano.

Nirvana - In Utero (1993)
Serve the Servants
Scentless Apprentice
Heart-Shaped Box
Rape Me
Frances Farmer Will Have Her Revenge on Seattle
Dumb
Very Ape
Milk It
Pennyroyal Tea
Radio Friendly Unit Shifter
tourette's
All Apologies

Pablo Aluísio.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Nirvana - Nevermind

Nirvana - Nevermind
O tempo passa rápido demais. Parece que foi ontem que "Nevermind" chegou nas lojas mas lá se vão 20 anos desde o seu lançamento. A data comemorativa não poderia passar em branco por aqui. O Rock na época vinha em longo declínio, sem inovação, com o cenário musical lotado das chamadas bandas farofas - ou seja, muita pose, muito laquê no cabelo e pouca relevância sonora. Era um ambiente tão medíocre que o jovem que gostava de rock no começo dos anos 90 tinha mesmo que buscar no passado cantores e grupos de qualidade para ouvir. Era exatamente o que eu mesmo fazia naquela época pois ouvia não só os grandes clássicos (Elvis, Beatles, etc) como os chamados dinossauros do rock, grupos dos anos 60 e 70 como Pink Floyd e The Doors. E então no meio dessa pasmaceira eis que surgiu um novo grupo, realmente inovador e com um som forte, de pegada genuinamente roqueira, o Nirvana.

Na época o grupo foi relacionado ao chamado som de Seattle, uma feia, cinza e chuvosa cidade americana que nunca antes tinha se destacado mundialmente do ponto de vista cultural. Até um termo foi criado, Grunge (a imprensa adora mesmo rótulos). O mais curioso de tudo é que a maioria dessas informações eram equivocadas. O Nirvana não era de Seattle, mas sim de uma cidadezinha chamada Aberdeen e não fazia parte de movimento nenhum. Kurt Cobain, o vocalista, compositor e líder do grupo, não era e nunca foi parte de qualquer movimento cultural. Ele fazia uma música muito pessoal, refletindo aspectos de sua vida, sem se importar em fazer parte de qualquer tipo de rótulo inventado pela imprensa americana. "Nevermind" é a obra prima desse grupo que queiram ou não marcou época. Embora a frase possa causar polêmica o fato é que o Nirvana em essência foi uma banda de um disco só, já que o primeiro CD do grupo, "Bleach" nada mais era do que uma demo um pouquinho mais bem produzida. Da mesma forma seu último trabalho, "In Utero", foi severamente prejudicado pela decadência física e psicológica de seu mentor, já naquela altura totalmente corroído pelo forte vicio em heroína.

"Nevermind" por sua vez passa por cima de qualquer tipo de crítica que tente desvalorizar seu impacto na cultura roqueira dos anos 90. É um CD com faixas viscerais que a despeito de sua crueza rude e primitiva (como convém a um bom trabalho de punk rock) ainda mantém uma produção de excelente nível técnico, mérito é claro para o excelente produtor Butch Vig, um verdadeiro craque no setor. Kurt Cobain mostra ao longo da seleção que não bastava apenas posar de rebelde e usar roupas ridículas como os grupos que estavam na parada naquela época mas sim colocar sua alma em cada verso, em cada refrão. Nesse aspecto o cantor e compositor era realmente genial. Em suas músicas Kurt injetava aspectos reais de sua vida, sem pose, sem falsidades. Produtos culturais com tanta alma assim acabam virando ícones ou marcas e "Nevermind" de certa forma cumpre a regra que tanto conhecemos. Um disco que resume o melhor do que foi produzido na década de 1990. Quem viveu sabe perfeitamente do que estou falando.

Nirvana - Nevermind (1991)
1. Smells Like Teen Spirit
2. In Bloom
3. Come as You Are
4. Breed
5. Lithium
6. Polly
7. Territorial Pissings
8. Drain You
9. Lounge Act
10. Stay Away
11. On A Plain
12. Something in the Way

Pablo Aluísio.

sábado, 1 de novembro de 2025

Nirvana - Discografia


Nirvana - Discografia

Álbuns de Estúdio: 
Bleach (1989)
Nevermind (1991)
In Utero (1993)

Álbuns ao Vivo e Póstumos: 
MTV Unplugged in New York (1994)
From the Muddy Banks of the Wishkah (1996)
Nirvana (2002)
With the Lights Out (2004)
Sliver: The Best of the Box (2005)
Live at Reading (2009)

EPs e Compilações: 
Hormoaning (1992)
Incesticide (1992)

Obs: Em negrito os discos que já foram comentados aqui em nosso blog. Em breve publicaremos todos os demais, completando a coleção do grupo. 

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Nirvana - Bleach

Esse é o primeiro álbum da carreira do Nirvana, a banda que revelou para o mundo o talento de Kurt Cobain. O cantor e compositor já mostra em seu primeiro disco toda a essência de sua obra musical: arranjos crus, com letras pessimistas e suicidas, com pique de apresentação ao vivo. Kurt gostou do resultado final de seu primeiro disco mas ficou com muita raiva do selo Sub Pop que nada fez para divulgar o som do grupo fora do pequeno circuito de cidadezinhas ao redor de Seattle no frio, feio e distante Estado de Washington – o berço do chamado movimento Grunge, essa nova linguagem musical que faria a cabeça dos jovens roqueiros na década de 1990. Não há grandes hits na seleção musical. Apenas “About a Girl” segue mais conhecida. As letras foram praticamente todas compostas enquanto Kurt Cobain vivia uma existência simplesmente caótica. Após sair de casa o cantor passou a vagar pela cidade, indo de casa em casa, dormindo de favor na casa de conhecidos e amigos, dormindo pelas ruas ou até mesmo debaixo da ponte. Essa vida errática e pobreza extrema talvez justifiquem as palavras de um irritado DJ de Seattle que após insistentes pedidos para tocar o Nirvana definiu sem piedade Kurt Cobain como um “mendigo de guitarra”!

A verdade porém era outra. Kurt adotou como lema em sua vida a máxima que afirmava que “Punk é liberdade!”. Coisas materiais não faziam sua cabeça nessa fase de sua vida. Ele pouco se importava com roupas, carros e outros bens que faziam a cabeça dos jovens de sua idade. Na verdade ele estava mais preocupado em vencer na carreira musical, até porque esse parecia ser seu único talento na vida. Kurt havia abandonado a escola, vagava de antro em antro e levava uma existência sem muito propósito. Para piorar começou a abusar de drogas pesadas como heroína, que dizia usar para aliviar uma dor de estomago que o deixava louco e muito deprimido. Quando o Nirvana gravou Bleach, Kurt estava muito longe dos anos de glória que viriam com o disco seguinte, “Nevermind”, esse sim um grande sucesso de vendas. Vivendo pelas ruas ou então sendo despejado de um apartamento vagabundo atrás do outro, Kurt foi compondo as canções que fazem parte desse CD. Diante dessa situação não me admira em nada o tom pessimista ao extremo da maioria das letras. Era uma catarse pois Cobain despejava suas frustrações, decepções e medos em suas letras que eram extremamente autorais e viscerais. Agora o curioso é que Bleach pode ter sido gerado e concebido no meio desse caos mas analisando friamente é um álbum bem tocado, bem executado. O som da banda soa muito redondinho e bem gravado, o que contradiz de certa forma o próprio Kurt que achava que um verdadeiro disco punk deveria ser o mais pessimamente tocado e gravado. Bleach é o extremo oposto disso. Como não poderia deixar de ser o disco foi um fiasco de vendas em seu lançamento e de fato só venderia bem mesmo após o Nirvana estourar com seu segundo álbum. No conjunto é uma excelente oportunidade para conhecer e entender o Kurt Cobain antes da fama e do sucesso – um cara desesperado tentando se expressar da única forma que sabia. O resultado é simplesmente excelente, sem fazer favor nenhum ao grupo. Não me admira em nada que o Nirvana tenha sido considerado o melhor grupo de rock dentro daquele movimento que nascia. Nada mal para um mero “mendigo de guitarras”!

Nirvana – Bleach (1989)
Blew
Floyd the Barber
About a Girl
School
Love Buzz
Paper Cuts
Negative Creep
Scoff
Swap Meet
Mr. Moustache
Sifting

Pablo Aluísio.