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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

The Doors - Waiting for the Sun

The Doors - Waiting for the Sun 
Gravado em oito canais entre os meses de fevereiro e maio de 1968, no T.T.G. Studios (Hollywood, CA). Lançado oficialmente nos EUA no dia 12 de julho de 1968. Produzido por Paul A. Rothchild. O terceiro disco dos Doors, Waiting for the Sun, é considerado como sendo o trabalho mais comercial da banda. Talvez injustamente: se por um lado contém canções extremamente radiofônicas, como o grande sucesso Hello, I Love You e a simpática Love Street, por outro possui algumas bem estranhas, como a valsa Wintertime Love, a flamenca Spanish Caravan, a rebelde Five to One e a insana Not to Touch the Earth.

Essa última foi uma das únicas sobreviventes da ideia original que a banda tinha para o álbum, que iria se chamar The Celebration of the Lizard, uma longa composição com diversas melodias diferentes que ocuparia por completo um dos lados do LP. Quando viram que isso seria inviável, tiraram do baú algumas velhas músicas de começo de carreira (várias delas já haviam aparecido na demo de 65 e depois foram esquecidas) e rebatizaram o disco de American Nights. E depois trocaram mais uma vez, para o definitivo Waiting for the Sun. Mesmo ficando de fora do disco, The Celebration of the Lizard teve sua letra publicada no encarte e foi gravada, ao vivo, anos mais tarde, no Absolutely Live.

Vale ressaltar que a música Waiting for the Sun, uma das mais conhecidas da banda, não é desse disco, e sim do Morrison Hotel, de 1970. Jim Morrison começou a ser chamado de Rei Lagarto com o lançamento de Waiting for the Sun, em 68. Isso porque na faixa "Not to Touch the Earth" ele cantava os seguintes versos: "I'm the Lizard King / I can do anything" ("sou o Rei Lagarto/ posso fazer qualquer coisa"). O disco é o mais "paz e amor" da banda, trazendo três músicas com "love" já no título e uma protestando contra a Guerra do Vietnã. Além de ter sido mais um sucesso nos EUA, o álbum e o single Hello, I Love You estouraram na Europa, levando os Doors à sua primeira e única grande turnê, que passou por países como Inglaterra, Alemanha, Holanda, Dinamarca e Suécia.

Essas apresentações viraram um especial para a TV inglesa chamado The Doors Are Open, que mais tarde também foi lançado em vídeo. Talvez por ter sido uma verdadeira "colcha de retalhos", o disco demonstre ao longo de sua duração uma falta de coesão harmônica e contextual. São nítidas as diferenças entre as várias faixas, principalmente no tocante a arranjos e execução. Algumas foram retocadas quase à perfeição enquanto outros trazem um indisfarçável toque de descuido e indiferença por parte do grupo. Enfim, é um trabalho irregular, com altos e baixos visíveis, o que acaba contando contra no balanço geral da avaliação do conjunto da obra. "Waiting For The Sun" pode ser considerado o menos inspirado LP dos Doors, o mais frágil e o menos destacado do conjunto. Além do desnível presente em todas as canções, "Waiting For The Sun" sofre de uma série crise de identidade, não se posicionando definitivamente entre o puro comercial ou a mais nobre arte, no mais estrito significado da palavra. Fica assim em cima do muro, sem ir para qualquer lado, o que o torna um trabalho intrinsecamente contraditório e irregular. Em suma: "Waiting For The Sun" é uma obra menor dentro da discografia da banda.

Single nas lojas:
The Unknown Soldier / We Could Be So Good Together - Sei que todos vão querer me matar depois dessa nota, mas... Apesar de todo o seu valor social e político, de ir contra a guerra do Vietnã e etc, a canção The Unknown Soldier é muito fraca musicalmente! Poderia até ser interessante ver a performance do grupo no palco e tal, mas simplesmente a ouvindo você percebe nitidamente toda a sua falta de estrutura harmônica e rítmica. Muito ruim mesmo. Talvez tenha sido de propósito, não sei, mas que a canção é muito abaixo do nível da banda, isso ela é. Sem dúvida. Já no lado B "We Could Be So Good Together" é um pouco melhor, mas também não salva o single do título de "Pior single da história dos Doors". Fico pensando: Porque não lançaram "Five to One", essa sim uma grande música do disco, e resolveram colocar essa dobradinha inconsistente? Pode passar direto, as duas são totalmente descartáveis, indo direto para a lata de lixo da história! Lançado em março de 1968.

Hello, I Love You / Love Street - Se o single anterior é um desastre, esse por sua vez é ótimo (não disse que 'waiting for the sun' é um trabalho irregular!). Pois bem, "Hello, I love You" é uma bela melodia, feita para tocar nas rádios, assim como "Love Street", essa mais comercial do que nunca. Essa aliás foi uma das primeiras composições de Jim Morrison, feita em homenagem ao amor de sua vida, Pamela. Mas há controvérsias, esse não é um fato incontestável, pois alguns autores afirmam que Jim a fez ainda quando era um simples colegial, muitos anos antes de conhecer Pamela. Pela simplicidade da letra e o ritmo bem anos 60 (pré 64) pode-se até afirmar que isso seja verdade. De qualquer forma, ponto para os Doors e Jim Morrison. O segundo single de "Waiting for the Sun" foi lançado nos Estados Unidos em junho de 1968.

Pablo Aluísio.

Disco de Vinil: The Doors - Waiting for the Sun 
Waiting for the Sun, terceiro álbum de estúdio do The Doors, foi lançado em julho de 1968 e marcou uma fase de transição na carreira da banda. Diferentemente dos dois discos anteriores, mais sombrios e centrados no blues psicodélico, o novo trabalho apresentou um repertório mais variado e acessível, com canções de estrutura mais direta. Curiosamente, apesar do título, a música “Waiting for the Sun” só seria gravada anos depois, no álbum Morrison Hotel (1970).

Do ponto de vista comercial, o álbum foi o maior sucesso de vendas do grupo durante sua existência. Waiting for the Sun alcançou o 1º lugar na parada da Billboard 200, tornando-se o único disco dos Doors a liderar o ranking nos Estados Unidos. O single “Hello, I Love You” também chegou ao topo das paradas, ampliando o alcance da banda junto ao público mainstream. Em poucos meses, o álbum vendeu milhões de cópias, consolidando o The Doors como um dos principais nomes do rock americano do final dos anos 1960.

A recepção crítica, no entanto, foi mais dividida do que nos lançamentos anteriores. Alguns críticos da época elogiaram a ambição lírica de Jim Morrison, especialmente em faixas como “Not to Touch the Earth”, extraída da suíte poética Celebration of the Lizard. Outros apontaram que o disco soava menos coeso e mais contido do que The Doors (1967) e Strange Days (1967), sugerindo que a banda estava suavizando seu som para alcançar um público maior.

Revistas musicais e jornais norte-americanos destacaram essa mudança de abordagem. Parte da imprensa observou que o grupo parecia dividido entre o impulso experimental e a necessidade de criar sucessos radiofônicos. Ainda assim, muitos reconheceram a força das composições e o carisma de Morrison, que continuava a se afirmar como uma figura singular no rock, combinando poesia, provocação e presença de palco magnética.

Com o passar do tempo, Waiting for the Sun passou a ser reavaliado de forma mais positiva. Hoje, o álbum é visto como um registro importante da evolução artística dos Doors, refletindo as tensões criativas internas da banda e o contexto turbulento de 1968. Embora não seja unanimemente considerado seu melhor trabalho, permanece como um dos discos mais influentes e comercialmente bem-sucedidos da trajetória do grupo.