sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

The Mamas & The Papas - If You Can Believe Your Eyes and Ears

The Mamas & The Papas - If You Can Believe Your Eyes and Ears
O primeiro álbum do grupo The Mamas & The Papas, intitulado If You Can Believe Your Eyes and Ears, foi lançado em fevereiro de 1966 e é uma das estreias mais emblemáticas da história da música pop norte-americana. Surgido no auge da efervescência cultural da Califórnia, o disco captura com perfeição o espírito da chamada West Coast, misturando folk, pop e elementos do rock com harmonias vocais exuberantes e sofisticadas. John Phillips, principal arquiteto musical do grupo, constrói arranjos vocais complexos que se entrelaçam às vozes inconfundíveis de Denny Doherty, Cass Elliot e Michelle Phillips, criando uma sonoridade calorosa, solar e ao mesmo tempo melancólica. Desde as primeiras faixas, o álbum apresenta um refinamento raro para um trabalho de estreia, refletindo tanto a experiência prévia de seus integrantes quanto a ambição artística do grupo.

Mais do que um sucesso comercial — o álbum alcançou o topo das paradas americanas —, If You Can Believe Your Eyes and Ears tornou-se um símbolo de uma geração marcada por sonhos, deslocamentos e inquietações emocionais. Canções como “California Dreamin’” e “Monday, Monday” traduzem o sentimento de busca por pertencimento e liberdade, enquanto outras faixas revelam influências claras do folk urbano e do pop sofisticado da época. O disco também se destaca pela produção elegante e pelo equilíbrio entre introspecção lírica e apelo radiofônico, ajudando a definir o som característico dos anos 1960. Como álbum de estreia, ele não apenas apresentou os Mamas & The Papas ao mundo, mas consolidou imediatamente o grupo como uma das vozes mais importantes da música popular daquela década.

The Mamas & The Papas - If You Can Believe Your Eyes and Ears (1966)
Monday, Monday
Straight Shooter
Got a Feelin’
I Call Your Name
Do You Wanna Dance
Go Where You Wanna Go
California Dreamin’
Spanish Harlem
Somebody Groovy
Hey Girl
You Baby
In Crowd

Erick Steve. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

The Byrds - Mr. Tambourine Man

The Byrds - Mr. Tambourine Man
O primeiro álbum do grupo The Byrds, intitulado Mr. Tambourine Man, lançado em junho de 1965, é uma das obras fundadoras do folk rock e um marco decisivo da música popular dos anos 1960. O disco surge no contexto da chamada “invasão britânica”, mas apresenta uma resposta tipicamente americana, unindo a poesia e a consciência lírica do folk de Bob Dylan ao brilho elétrico do rock. A sonoridade característica nasce da combinação das harmonias vocais cristalinas de Roger McGuinn, Gene Clark e David Crosby com o timbre inconfundível da guitarra Rickenbacker de 12 cordas de McGuinn, que conferiu ao álbum um clima etéreo e moderno. Desde a faixa de abertura, uma versão eletrificada de “Mr. Tambourine Man”, o grupo estabelece uma identidade própria, elegante e sofisticada, que rapidamente conquistou público e crítica.

Apesar de levar o nome de uma canção de Bob Dylan, o álbum não se limita a simples releituras. Mr. Tambourine Man apresenta um equilíbrio entre composições autorais — sobretudo de Gene Clark — e versões cuidadosamente rearranjadas de canções folk e pop. Temas como amor, alienação, juventude e introspecção aparecem com lirismo e delicadeza, refletindo o espírito de uma geração em transformação. O disco alcançou grande sucesso comercial, chegando ao topo das paradas nos Estados Unidos, e exerceu influência profunda sobre artistas e bandas posteriores, incluindo os próprios Beatles em sua fase mais folk-rock. Mais do que um álbum de estreia, Mr. Tambourine Man definiu um estilo, inaugurou uma estética sonora e consolidou os Byrds como uma das bandas mais importantes da década.

The Byrds - Mr. Tambourine Man (1965)
Mr. Tambourine Man
I’ll Feel a Whole Lot Better
Spanish Harlem Incident
You Won’t Have to Cry
Here Without You
The Bells of Rhymney
All I Really Want to Do
I Knew I’d Want You
It’s No Use
Don’t Doubt Yourself, Babe
Chimes of Freedom
We’ll Meet Again

Erick Steve. 

domingo, 18 de janeiro de 2026

The Beach Boys - Surfin' U.S.A.

The Beach Boys - Surfin' U.S.A.
Eu sou da opinião de que certos artistas são agradáveis de se ouvir porque são simples. A ideia que deu origem a eles são simples. As músicas possuem 3 ou 4 acordes. Esse é o segredo. E poucos grupos musiciais da história da música foram tão exemplificativos disso como os Beach Boys. Eles eram, no começo da carreira, apenas jovens californianos que faziam música para jovens californianos que curtiam surf e praia. Nada mais. Simples como uma prancha de surf. E é dessa fase inicial do grupo que eu gosto mais. Eu sei que eles depois tentaram evoluir como banda, fazendo projetos ousados como Pet Sounds e tudo mais. Porém nada disso me deixou muito satisfeito ao ouvir. Em se tratando de Beach Boys eu prefiro a simplicidade de sua carreira. E seus álbuns dessa primeira fase são irresistivelmente saborosos!

Esse foi o segundo disco do grupo. E seguia basicamente a sonoridade do primeiro. Uma delícia de se ouvir. E para não deixar dúvidas sosbre o que eles queriam, colocaram logo na capa um surfista surfando um grande tubo, em uma grande onda das praias da Califórnia. Assim não tinha do que se reclamar. Era puro Surf Music e nada além disso. Nada intelectual, nada pretensioso, não queriam mudar o mundo com suas músicas, não queriam passar uma mensagem política... não, nada disso. Só queriam curtir um som num dia na praia. Esse sempre foi o melhor que o Beach Boys tinha a oferecer. Uma obra musical maravilhosa de se ouvir. 

The Beach Boys - Surfin' U.S.A. (1963)
Surfin' U.S.A.
Farmer's Daughter
Misirlou
Stoked
Lonely Sea
Shut Down
Noble Surfer
Honky Tonk
Lana
Surf Jam
Let's Go Trippin'
Finders Keepers

Pablo Aluísio. 

Disco de Vinil: The Beach Boys - Surfin' U.S.A.
Surfin’ U.S.A., segundo álbum de estúdio dos The Beach Boys, foi lançado em 25 de março de 1963 e consolidou definitivamente o grupo como o principal porta-voz da cultura jovem da Califórnia. O disco aprofundou a fórmula apresentada no álbum de estreia, combinando harmonias vocais sofisticadas com letras que celebravam o surfe, os carros e o estilo de vida ensolarado da costa oeste. A faixa-título, inspirada diretamente em “Sweet Little Sixteen”, de Chuck Berry, tornou-se um verdadeiro hino juvenil da época.

Em termos comerciais, Surfin’ U.S.A. representou um enorme salto para a banda. O álbum alcançou o 2º lugar na parada da Billboard, algo notável para um grupo ainda em ascensão, e permaneceu várias semanas entre os mais vendidos nos Estados Unidos. O single “Surfin’ U.S.A.” chegou ao Top 5, impulsionando vendas que rapidamente ultrapassaram a marca de um milhão de cópias, estabelecendo os Beach Boys como concorrentes diretos dos principais nomes do rock e do pop americano do início dos anos 1960.

A reação da crítica musical foi amplamente favorável, embora ainda marcada por certo tom de surpresa diante de um grupo associado à música juvenil. O jornal Los Angeles Times descreveu o álbum como “uma explosão de entusiasmo adolescente embalada por harmonias vocais surpreendentemente elaboradas”. Já o San Francisco Chronicle destacou que os Beach Boys demonstravam “um senso melódico que vai além da música de moda, revelando um grupo com identidade própria”.

Na imprensa nacional, o disco também chamou atenção. A revista Billboard elogiou o apelo comercial do álbum, afirmando que ele “capta com precisão o espírito da juventude americana de 1963”. O New York Daily News observou que, apesar da simplicidade temática, “as vozes entrelaçadas do grupo criam um som limpo, vibrante e irresistivelmente contagiante”.

Com Surfin’ U.S.A., os Beach Boys deixaram de ser apenas uma promessa regional para se tornarem um fenômeno nacional. O álbum ajudou a definir o chamado California Sound e abriu caminho para trabalhos mais ambiciosos nos anos seguintes. Em 1963, ficou claro para público e crítica que Brian Wilson e seus parceiros estavam moldando um novo capítulo da música pop americana, equilibrando diversão, técnica vocal e um retrato idealizado da juventude da época.

The Beach Boys – Discografia de Álbuns (EUA)


The Beach Boys – Discografia de Álbuns (EUA)
Surfin’ Safari (1962)
Surfin’ U.S.A. (1963)
Surfer Girl (1963)
Little Deuce Coupe (1963)
Shut Down Volume 2 (1964)
All Summer Long (1964)
The Beach Boys’ Christmas Album (1964)
The Beach Boys Today! (1965)
Summer Days (And Summer Nights!!) (1965)
Beach Boys’ Party! (1965)
Pet Sounds (1966)
Smiley Smile (1967)
Wild Honey (1967)
Friends (1968)
20/20 (1969)
Sunflower (1970)
Surf’s Up (1971)
Carl and the Passions – “So Tough” (1972)
Holland (1973)
15 Big Ones (1976)
The Beach Boys Love You (1977)
M.I.U. Album (1978)
L.A. (Light Album) (1979)
Keepin’ the Summer Alive (1980)
The Beach Boys (1985)
Still Cruisin’ (1989)
Summer in Paradise (1992)
Stars and Stripes Vol. 1 (1996)
That’s Why God Made the Radio (2012)

Observações importantes:
Pet Sounds (1966) é amplamente considerado um dos álbuns mais influentes da história da música popular.

Smile, projeto original de 1966–67, não foi lançado oficialmente na época; apenas versões posteriores apareceram décadas depois.

Stars and Stripes Vol. 1 mistura gravações novas com vocais convidados e não é um álbum tradicional de estúdio.

That’s Why God Made the Radio (2012) marcou o retorno da formação clássica (Brian Wilson, Mike Love, Al Jardine, Bruce Johnston e David Marks).

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Rolling Stones - The Rolling Stones No. 2

The Rolling Stones No. 2
O segundo álbum dos Rolling Stones no Reino Unido, intitulado The Rolling Stones No. 2, foi lançado em janeiro de 1965 e representa um passo decisivo na consolidação da identidade musical da banda. Ainda profundamente enraizado no rhythm and blues norte-americano, o disco mostra o grupo mais seguro de sua sonoridade crua, agressiva e urbana, em contraste direto com a imagem mais comportada de outros conjuntos britânicos da época. Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts ampliam aqui o repertório de influências, revisitando clássicos do soul, do blues elétrico de Chicago e do rock and roll, sempre com uma abordagem áspera e intensa. A produção privilegia a energia das gravações quase ao vivo, reforçando a reputação dos Stones como uma banda que soava mais perigosa e visceral do que muitos de seus contemporâneos.

Embora ainda dependa majoritariamente de composições de artistas como Solomon Burke, Marvin Gaye, Willie Dixon e Chuck Berry, The Rolling Stones No. 2 já aponta para a transição criativa que culminaria na afirmação da dupla Jagger/Richards como compositores. Faixas como “Grown Up Wrong” e “Off the Hook” indicam esse amadurecimento autoral inicial, mesmo que o foco principal continue sendo a releitura apaixonada de standards do R&B. O álbum foi bem recebido pelo público britânico e alcançou o topo das paradas, reforçando o status do grupo como uma das principais forças do rock no Reino Unido em meados dos anos 1960. Mais do que um simples segundo disco, ele ajudou a definir o DNA dos Rolling Stones: blues pesado, atitude rebelde e uma conexão direta com as raízes mais negras da música americana.

The Rolling Stones No. 2 (1965)
Everybody Needs Somebody to Love
Down Home Girl
You Can’t Catch Me
Time Is on My Side
What a Shame
Grown Up Wrong
Down the Road Apiece
Under the Boardwalk
I Can’t Be Satisfied
Pain in My Heart
Off the Hook
Susie Q (Part I)

Erick Steve. 

Disco de Vinil: The Rolling Stones No. 2
The Rolling Stones No. 2, segundo álbum de estúdio dos Rolling Stones no Reino Unido, foi lançado em 15 de janeiro de 1965 e consolidou a imagem da banda como a face mais crua e rebelde da chamada British Invasion. Diferente de muitos grupos contemporâneos, o disco apostava fortemente em releituras de blues e R&B americanos, misturadas a algumas composições próprias de Mick Jagger e Keith Richards, refletindo a profunda admiração do grupo por artistas como Muddy Waters, Chuck Berry e Howlin’ Wolf.

Comercialmente, o álbum foi um sucesso imediato. The Rolling Stones No. 2 alcançou o 1º lugar nas paradas britânicas, onde permaneceu por várias semanas em 1965, confirmando que a banda já rivalizava em popularidade com os Beatles no Reino Unido. As vendas foram robustas desde o lançamento, impulsionadas por uma base de fãs fiel e pela reputação incendiária do grupo, que contrastava deliberadamente com a imagem mais polida de outros artistas da época.

A reação da crítica musical foi majoritariamente positiva, embora marcada por certo desconforto diante do som agressivo e da postura provocadora dos Stones. O jornal Melody Maker escreveu que o álbum era “um mergulho intenso no blues elétrico, tocado com uma ferocidade raramente ouvida em bandas britânicas”. Já o New Musical Express destacou que o grupo soava “mais confiante e perigoso, como se cada faixa fosse tocada no limite do controle”.

Alguns jornais britânicos chamaram atenção para o afastamento deliberado do pop convencional. O The Guardian observou em 1965 que os Rolling Stones “não buscam agradar, mas impactar, e é exatamente isso que os torna fascinantes”. O Daily Mirror, mais voltado ao grande público, descreveu o disco como “barulhento, rude e irresistível para a juventude que busca algo além das canções românticas de sempre”.

Com The Rolling Stones No. 2, a banda reforçou sua identidade artística e ajudou a popularizar o blues americano entre os jovens britânicos. O álbum representou um passo decisivo na evolução do grupo, preparando o terreno para um período de maior maturidade criativa e para o domínio que os Stones exerceriam sobre o rock na segunda metade dos anos 1960. Mais do que um sucesso comercial, o disco afirmou os Rolling Stones como uma força cultural duradoura

The Rolling Stones - Discografia Britânica


The Rolling Stones - Álbuns de Estúdio – Reino Unido (anos 60)

Na década de 1960, os Rolling Stones lançaram diversos álbuns no mercado britânico pela Decca Records. 

1964
The Rolling Stones – álbum de estreia lançado em 16 de abril de 1964 (UK). 

1965
2. The Rolling Stones No. 2 – lançado em 15 de janeiro de 1965 (UK). 

3. Out of Our Heads (UK) – lançado em 24 de setembro de 1965 no Reino Unido. 

1966
4. Aftermath (UK) – lançado em 15 de abril de 1966 (UK). Foi o primeiro álbum totalmente composto por Mick Jagger & Keith Richards. 

1967
5. Between the Buttons (UK) – lançado em 20 de janeiro de 1967 (UK). 

6. Their Satanic Majesties Request – lançado em 8 de dezembro de 1967 (UK), marcando uma fase psicodélica da banda. 

1968
7. Beggars Banquet – lançado em 6 de dezembro de 1968 (UK). 

1969
8. Let It Bleed – lançado em 5 de dezembro de 1969; foi o último álbum da década. 

Resumo dos álbuns de estúdio 60s (UK):
1964: The Rolling Stones
1965: The Rolling Stones No.2
• Out of Our Heads
1966: Aftermath
1967: Between the Buttons • Their Satanic Majesties Request
1968: Beggars Banquet
1969: Let It Bleed 

Compilações lançadas no UK nos anos 60
✔️ Big Hits (High Tide and Green Grass) – primeira coletânea oficial lançada também no Reino Unido em 4 de novembro de 1966. 
✔️ Through the Past, Darkly (Big Hits Vol. 2) – coletânea lançada em 1969 (UK). 
(Esses álbuns são compilações de singles e faixas gravadas entre 1963 e 1968 e são oficialmente parte da discografia britânica.) 

Principais Singles e EPs – Reino Unido (anos 60)
Nos anos 60 os singles eram essenciais e muitas vezes não entravam nos álbuns britânicos, seguindo a prática comum do mercado inglês da época: 

Singles (UK)
Come On / I Want to Be Loved – junho de 1963 (primeiro single da banda no UK). 

I Wanna Be Your Man / Stoned – novembro de 1963 (UK). 

Not Fade Away / Little By Little – fevereiro de 1964 (UK). 

It’s All Over Now / Good Times, Bad Times – julho de 1964 (UK). 

Little Red Rooster / Off The Hook – agosto de 1964 (UK). 

The Last Time / Play with Fire – fevereiro de 1965 (UK). 

(I Can’t Get No) Satisfaction / The Spider and the Fly – agosto de 1965 (UK). 

Get Off of My Cloud / I’m Free – outubro de 1965 (UK). 

Paint It Black / Long, Long While – maio de 1966 (UK). 

Have You Seen Your Mother, Baby, Standing in the Shadow? / Who’s Driving Your Plane? – setembro de 1966 (UK). 

Let’s Spend the Night Together / Ruby Tuesday – janeiro de 1967 (UK). 

Jumpin’ Jack Flash / Child of the Moon – maio de 1968 (UK). 

Honky Tonk Women / You Can’t Always Get What You Want – julho de 1969 (UK). 

EPs (UK)
The Rolling Stones EP – janeiro de 1964. 
Five by Five EP – agosto de 1964. 
Got Live If You Want It! EP – junho de 1965 (não um álbum ao vivo convencional, mas um EP oficialmente lançado). 

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

The Doors - Waiting for the Sun

The Doors - Waiting for the Sun 
Gravado em oito canais entre os meses de fevereiro e maio de 1968, no T.T.G. Studios (Hollywood, CA). Lançado oficialmente nos EUA no dia 12 de julho de 1968. Produzido por Paul A. Rothchild. O terceiro disco dos Doors, Waiting for the Sun, é considerado como sendo o trabalho mais comercial da banda. Talvez injustamente: se por um lado contém canções extremamente radiofônicas, como o grande sucesso Hello, I Love You e a simpática Love Street, por outro possui algumas bem estranhas, como a valsa Wintertime Love, a flamenca Spanish Caravan, a rebelde Five to One e a insana Not to Touch the Earth.

Essa última foi uma das únicas sobreviventes da ideia original que a banda tinha para o álbum, que iria se chamar The Celebration of the Lizard, uma longa composição com diversas melodias diferentes que ocuparia por completo um dos lados do LP. Quando viram que isso seria inviável, tiraram do baú algumas velhas músicas de começo de carreira (várias delas já haviam aparecido na demo de 65 e depois foram esquecidas) e rebatizaram o disco de American Nights. E depois trocaram mais uma vez, para o definitivo Waiting for the Sun. Mesmo ficando de fora do disco, The Celebration of the Lizard teve sua letra publicada no encarte e foi gravada, ao vivo, anos mais tarde, no Absolutely Live.

Vale ressaltar que a música Waiting for the Sun, uma das mais conhecidas da banda, não é desse disco, e sim do Morrison Hotel, de 1970. Jim Morrison começou a ser chamado de Rei Lagarto com o lançamento de Waiting for the Sun, em 68. Isso porque na faixa "Not to Touch the Earth" ele cantava os seguintes versos: "I'm the Lizard King / I can do anything" ("sou o Rei Lagarto/ posso fazer qualquer coisa"). O disco é o mais "paz e amor" da banda, trazendo três músicas com "love" já no título e uma protestando contra a Guerra do Vietnã. Além de ter sido mais um sucesso nos EUA, o álbum e o single Hello, I Love You estouraram na Europa, levando os Doors à sua primeira e única grande turnê, que passou por países como Inglaterra, Alemanha, Holanda, Dinamarca e Suécia.

Essas apresentações viraram um especial para a TV inglesa chamado The Doors Are Open, que mais tarde também foi lançado em vídeo. Talvez por ter sido uma verdadeira "colcha de retalhos", o disco demonstre ao longo de sua duração uma falta de coesão harmônica e contextual. São nítidas as diferenças entre as várias faixas, principalmente no tocante a arranjos e execução. Algumas foram retocadas quase à perfeição enquanto outros trazem um indisfarçável toque de descuido e indiferença por parte do grupo. Enfim, é um trabalho irregular, com altos e baixos visíveis, o que acaba contando contra no balanço geral da avaliação do conjunto da obra. "Waiting For The Sun" pode ser considerado o menos inspirado LP dos Doors, o mais frágil e o menos destacado do conjunto. Além do desnível presente em todas as canções, "Waiting For The Sun" sofre de uma série crise de identidade, não se posicionando definitivamente entre o puro comercial ou a mais nobre arte, no mais estrito significado da palavra. Fica assim em cima do muro, sem ir para qualquer lado, o que o torna um trabalho intrinsecamente contraditório e irregular. Em suma: "Waiting For The Sun" é uma obra menor dentro da discografia da banda.

Single nas lojas:
The Unknown Soldier / We Could Be So Good Together - Sei que todos vão querer me matar depois dessa nota, mas... Apesar de todo o seu valor social e político, de ir contra a guerra do Vietnã e etc, a canção The Unknown Soldier é muito fraca musicalmente! Poderia até ser interessante ver a performance do grupo no palco e tal, mas simplesmente a ouvindo você percebe nitidamente toda a sua falta de estrutura harmônica e rítmica. Muito ruim mesmo. Talvez tenha sido de propósito, não sei, mas que a canção é muito abaixo do nível da banda, isso ela é. Sem dúvida. Já no lado B "We Could Be So Good Together" é um pouco melhor, mas também não salva o single do título de "Pior single da história dos Doors". Fico pensando: Porque não lançaram "Five to One", essa sim uma grande música do disco, e resolveram colocar essa dobradinha inconsistente? Pode passar direto, as duas são totalmente descartáveis, indo direto para a lata de lixo da história! Lançado em março de 1968.

Hello, I Love You / Love Street - Se o single anterior é um desastre, esse por sua vez é ótimo (não disse que 'waiting for the sun' é um trabalho irregular!). Pois bem, "Hello, I love You" é uma bela melodia, feita para tocar nas rádios, assim como "Love Street", essa mais comercial do que nunca. Essa aliás foi uma das primeiras composições de Jim Morrison, feita em homenagem ao amor de sua vida, Pamela. Mas há controvérsias, esse não é um fato incontestável, pois alguns autores afirmam que Jim a fez ainda quando era um simples colegial, muitos anos antes de conhecer Pamela. Pela simplicidade da letra e o ritmo bem anos 60 (pré 64) pode-se até afirmar que isso seja verdade. De qualquer forma, ponto para os Doors e Jim Morrison. O segundo single de "Waiting for the Sun" foi lançado nos Estados Unidos em junho de 1968.

Pablo Aluísio.

Disco de Vinil: The Doors - Waiting for the Sun 
Waiting for the Sun, terceiro álbum de estúdio do The Doors, foi lançado em julho de 1968 e marcou uma fase de transição na carreira da banda. Diferentemente dos dois discos anteriores, mais sombrios e centrados no blues psicodélico, o novo trabalho apresentou um repertório mais variado e acessível, com canções de estrutura mais direta. Curiosamente, apesar do título, a música “Waiting for the Sun” só seria gravada anos depois, no álbum Morrison Hotel (1970).

Do ponto de vista comercial, o álbum foi o maior sucesso de vendas do grupo durante sua existência. Waiting for the Sun alcançou o 1º lugar na parada da Billboard 200, tornando-se o único disco dos Doors a liderar o ranking nos Estados Unidos. O single “Hello, I Love You” também chegou ao topo das paradas, ampliando o alcance da banda junto ao público mainstream. Em poucos meses, o álbum vendeu milhões de cópias, consolidando o The Doors como um dos principais nomes do rock americano do final dos anos 1960.

A recepção crítica, no entanto, foi mais dividida do que nos lançamentos anteriores. Alguns críticos da época elogiaram a ambição lírica de Jim Morrison, especialmente em faixas como “Not to Touch the Earth”, extraída da suíte poética Celebration of the Lizard. Outros apontaram que o disco soava menos coeso e mais contido do que The Doors (1967) e Strange Days (1967), sugerindo que a banda estava suavizando seu som para alcançar um público maior.

Revistas musicais e jornais norte-americanos destacaram essa mudança de abordagem. Parte da imprensa observou que o grupo parecia dividido entre o impulso experimental e a necessidade de criar sucessos radiofônicos. Ainda assim, muitos reconheceram a força das composições e o carisma de Morrison, que continuava a se afirmar como uma figura singular no rock, combinando poesia, provocação e presença de palco magnética.

Com o passar do tempo, Waiting for the Sun passou a ser reavaliado de forma mais positiva. Hoje, o álbum é visto como um registro importante da evolução artística dos Doors, refletindo as tensões criativas internas da banda e o contexto turbulento de 1968. Embora não seja unanimemente considerado seu melhor trabalho, permanece como um dos discos mais influentes e comercialmente bem-sucedidos da trajetória do grupo.

The Doors: Discografia Oficial - Estados Unidos



1. The Doors
2. Strange Days
3. Waiting for the Sun
4. The Soft Parade
5. Morrison Hotel
6. L.A. Woman

Pesquisa: Pablo Aluísio. 

sábado, 3 de janeiro de 2026

The Beatles - A Hard Day's Night

Terceiro disco dos Beatles, a trilha sonora de A Hard Day´s Night chama a atenção por algumas de suas características mais marcantes. É incrível mas todas as músicas do álbum são de autoria de John Lennon e Paul McCartney. As pessoas não param para pensar sobre isso mas o fato é que na época eles eram pouco mais do que garotos, bastante jovens e inexperientes em projetos desse porte. Era uma trilha para um filme de um grande estúdio de Hollywood e mesmo assim os rapazes não se intimidaram. Eram realmente gênios musicais. Se formos analisar bem esse é o trabalho mais marcante da primeira fase da carreira dos Beatles. O pavoroso título nacional (Os Reis do Ié, Ié, Ié) de certa forma mostrava uma realidade dentro da musicalidade do grupo nesse momento de sua carreira.

Todas as faixas, sem exceção, são recheadas de letras sentimentais do amor adolescente perdido. Lennon anos depois faria sátira sobre isso mas o fato é que em essência foi cantando e compondo esse tipo de canção que o quarteto conquistou as paradas de sucesso do mundo. Em termos de arranjo o grupo mostrava seu lado mais influenciado por Bob Dylan e pelo folk americano. Unindo essas influências eles acabaram criando um som único, sem paralelos com a música popular da década de 60. Hoje soa pueril? A intenção deles era essa mesmo. Como bem resumiu Lennon os Beatles de certa forma se comportaram como um verdadeiro cavalo de Tróia. Inicialmente cantando sobre o amor inocente dos jovens da época, os Beatles conquistaram as paradas. Depois disso começaram a cantar sobre drogas e sexo. Dentro da seleção musical do disco os Beatles selecionaram sete das canções que eles consideravam as melhores para cantar no filme. As demais seriam usadas para preencher o lado B dos antigos vinis. É curioso que apesar das canções mais famosas e conhecidas estarem no lado A – como é natural – o outro lado do álbum também era recheada de belas canções, em especial "Any Time at All"  e "I'll Be Back"  que Lennon particularmente não gostava muito mas  que ainda hoje se sobressai pela pegada mais roqueira.

Entre as faixas mais conhecidas, que foram talhadas mesmo para estourar nas rádios, o destaque vai para a bela balada "And I Love Her", uma canção que já demonstra o grande talento de Paul McCartney para escrever inspiradas músicas de amor com arranjos ternos e delicados. A música foi feita por Paul para sua namorada na época, Jane Asher. Esse foi um dos casos mais sérios e compromissados que Paul se envolveu em sua vida. Os demais membros do grupo pensavam que ele se casaria com certeza com Jane nos anos que viriam mas infelizmente a união não foi em frente. Pelo menos deixou belas músicas como essa pelo caminho. Nada como uma grande paixão para compor grandes declarações de amor em forma de música. Outra canção da seleção que se destaca por seu lirismo romântico é "If I Fell" mostrando que Lennon não era apenas o Teddy Boy do grupo e que poderia facilmente liderar vocalmente uma bela balada sem problemas.

Anos depois, principalmente na década de 70, John iria fazer pouco caso de gravações como essa, querendo passar uma imagem de roqueiro durão mas não enganou ninguém. Esse disco foi escrito face a face entre ele e Paul e Lennon era tão romântico quanto o colega no que diz respeito a letras como essa. Seu cinismo característico talvez se sobressaía mais em faixas como “Can´t Buy Me Love” mas a canção mostrava que Lennon era excelente baladeiro (algo que iria se aproveitar e muito em sua discografia solo). Assim “A Hard Day´s Night” surge hoje em dia como exemplo típico do som que os Beatles desenvolveram em sua primeira fase. Letras românticas, pueris, arranjos tendendo para o folk americano, com uso inclusive de instrumentos tradicionais como gaita e um nítido sabor de namoro adolescente. Afinal os Beatles por essa época eram em essência um grupo amado pelos adolescentes da década de 1960 e sua música refletia isso. Só depois, dentro de alguns anos, é que eles chutariam o balde entrando de cabeça no movimento psicodélico mais porra louca dos 60´s. Mas isso é uma outra história que falaremos depois por aqui. Até lá.

The Beatles - A Hard Day's Night (1964)
A Hard Day's Night
I Should Have Known Better
If I Fell
I'm Happy Just to Dance with You
And I Love Her
Tell Me Why
Can't Buy Me Love
Any Time at All
I'll Cry Instead
Things We Said Today
When I Get Home
You Can't Do That
I'll Be Back

Pablo Aluísio.

Disco de Vinil: A Hard Day’s Night
O lançamento de A Hard Day’s Night, em 10 de julho de 1964, marcou um momento decisivo na trajetória dos Beatles e na história da música pop. O álbum foi concebido como trilha sonora do primeiro filme do grupo, lançado no mesmo período, e capturou com precisão a energia da chamada Beatlemania. Pela primeira vez, um disco da banda era composto inteiramente por canções de John Lennon e Paul McCartney, o que reforçou a imagem dos Beatles não apenas como intérpretes, mas como compositores centrais do novo rock britânico.

Do ponto de vista comercial, o impacto foi imediato. No Reino Unido, A Hard Day’s Night entrou diretamente no topo das paradas e ali permaneceu por 21 semanas consecutivas, um feito extraordinário para a época. Nos Estados Unidos, o álbum também alcançou o primeiro lugar na parada da Billboard, permanecendo várias semanas no topo. Em poucos meses, as vendas ultrapassaram milhões de cópias, consolidando os Beatles como o maior fenômeno comercial da música popular dos anos 1960.

A crítica musical reagiu de forma amplamente positiva, algo nem sempre comum para artistas ligados ao rock juvenil naquele período. O jornal britânico The Times destacou a inventividade do grupo, afirmando que o álbum mostrava “uma vitalidade rítmica rara na música popular contemporânea”. Já o The Guardian observou que as canções revelavam “um talento melódico surpreendente, muito além de um simples modismo adolescente”.

Nos Estados Unidos, a recepção seguiu o mesmo tom. A revista Newsweek descreveu o disco como “um exemplo de como o rock pode ser espirituoso, moderno e musicalmente inteligente”. O New York Times, por sua vez, comentou que os Beatles demonstravam “uma confiança artística incomum para músicos tão jovens, aliada a um som imediatamente reconhecível”, reforçando a ideia de que o grupo estava redefinindo os padrões da música popular.

Com A Hard Day’s Night, os Beatles não apenas ampliaram seu sucesso comercial, mas também conquistaram um novo respeito crítico. O álbum ajudou a legitimar o rock como forma de expressão artística e pavimentou o caminho para trabalhos ainda mais ambiciosos nos anos seguintes. Em 1964, ficou claro para público e críticos que os Beatles não eram apenas um fenômeno passageiro, mas uma força transformadora na música do século XX.


quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

The Beatles: Discografia Oficial - Reino Unido


1. Please Please Me
2. With The Beatles
3. A Hard Day’s Night
4. Beatles for Sale
5. Help!
6. Rubber Soul
7. Revolver
8. Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band
9. The Beatles (White Album)
10. Yellow Submarine
11. Abbey Road
12. Let It Be

Pesquisa: Pablo Aluísio.