O segundo álbum dos Rolling Stones no Reino Unido, intitulado The Rolling Stones No. 2, foi lançado em janeiro de 1965 e representa um passo decisivo na consolidação da identidade musical da banda. Ainda profundamente enraizado no rhythm and blues norte-americano, o disco mostra o grupo mais seguro de sua sonoridade crua, agressiva e urbana, em contraste direto com a imagem mais comportada de outros conjuntos britânicos da época. Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Bill Wyman e Charlie Watts ampliam aqui o repertório de influências, revisitando clássicos do soul, do blues elétrico de Chicago e do rock and roll, sempre com uma abordagem áspera e intensa. A produção privilegia a energia das gravações quase ao vivo, reforçando a reputação dos Stones como uma banda que soava mais perigosa e visceral do que muitos de seus contemporâneos.
Embora ainda dependa majoritariamente de composições de artistas como Solomon Burke, Marvin Gaye, Willie Dixon e Chuck Berry, The Rolling Stones No. 2 já aponta para a transição criativa que culminaria na afirmação da dupla Jagger/Richards como compositores. Faixas como “Grown Up Wrong” e “Off the Hook” indicam esse amadurecimento autoral inicial, mesmo que o foco principal continue sendo a releitura apaixonada de standards do R&B. O álbum foi bem recebido pelo público britânico e alcançou o topo das paradas, reforçando o status do grupo como uma das principais forças do rock no Reino Unido em meados dos anos 1960. Mais do que um simples segundo disco, ele ajudou a definir o DNA dos Rolling Stones: blues pesado, atitude rebelde e uma conexão direta com as raízes mais negras da música americana.
The Rolling Stones No. 2 (1965)
Everybody Needs Somebody to Love
Down Home Girl
You Can’t Catch Me
Time Is on My Side
What a Shame
Grown Up Wrong
Down the Road Apiece
Under the Boardwalk
I Can’t Be Satisfied
Pain in My Heart
Off the Hook
Susie Q (Part I)
Erick Steve.
Disco de Vinil: The Rolling Stones No. 2
The Rolling Stones No. 2, segundo álbum de estúdio dos Rolling Stones no Reino Unido, foi lançado em 15 de janeiro de 1965 e consolidou a imagem da banda como a face mais crua e rebelde da chamada British Invasion. Diferente de muitos grupos contemporâneos, o disco apostava fortemente em releituras de blues e R&B americanos, misturadas a algumas composições próprias de Mick Jagger e Keith Richards, refletindo a profunda admiração do grupo por artistas como Muddy Waters, Chuck Berry e Howlin’ Wolf.
Comercialmente, o álbum foi um sucesso imediato. The Rolling Stones No. 2 alcançou o 1º lugar nas paradas britânicas, onde permaneceu por várias semanas em 1965, confirmando que a banda já rivalizava em popularidade com os Beatles no Reino Unido. As vendas foram robustas desde o lançamento, impulsionadas por uma base de fãs fiel e pela reputação incendiária do grupo, que contrastava deliberadamente com a imagem mais polida de outros artistas da época.
A reação da crítica musical foi majoritariamente positiva, embora marcada por certo desconforto diante do som agressivo e da postura provocadora dos Stones. O jornal Melody Maker escreveu que o álbum era “um mergulho intenso no blues elétrico, tocado com uma ferocidade raramente ouvida em bandas britânicas”. Já o New Musical Express destacou que o grupo soava “mais confiante e perigoso, como se cada faixa fosse tocada no limite do controle”.
Alguns jornais britânicos chamaram atenção para o afastamento deliberado do pop convencional. O The Guardian observou em 1965 que os Rolling Stones “não buscam agradar, mas impactar, e é exatamente isso que os torna fascinantes”. O Daily Mirror, mais voltado ao grande público, descreveu o disco como “barulhento, rude e irresistível para a juventude que busca algo além das canções românticas de sempre”.
Com The Rolling Stones No. 2, a banda reforçou sua identidade artística e ajudou a popularizar o blues americano entre os jovens britânicos. O álbum representou um passo decisivo na evolução do grupo, preparando o terreno para um período de maior maturidade criativa e para o domínio que os Stones exerceriam sobre o rock na segunda metade dos anos 1960. Mais do que um sucesso comercial, o disco afirmou os Rolling Stones como uma força cultural duradoura