quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Madonna - Like a Prayer

Madonna - Like a Prayer 
Que Madonna é uma sobrevivente poucos duvidam. Um dos segredos de sua longa carreira é a forma como ela manipula a mídia em seu favor. Madonna nunca deixou de ser, ao longo de todos esses anos, uma notícia quente! Sua vida pessoal e profissional no fundo se resumem a uma só coisa pois tudo no final das contas vai virar produto da mídia. Ela é de certa forma herdeira de Marilyn Monroe nesse sentido, pois a loira ícone do cinema clássico também transformava aspectos de sua vida privada em forma de autopromoção na grande mídia. Nunca saindo das manchetes, mantendo sempre seu nome em evidência (não importando se de forma positiva ou negativa) Madonna foi sobrevivendo como artista. Assim queiramos ou não lá está Madonna de volta ao noticiário, seja causando polêmica contra a Igreja Católica, ou passeando com seu novo namorado garotão fingindo não ver os paparazzis, ora se envolvendo em alguma troca de farpas com outros artistas. Foi sempre assim, eternamente aparecendo na imprensa de alguma forma que Madonna se sustentou por tantos e tantos anos. Um exemplo que ela aprendeu bem cedo na carreira como bem demonstra esse álbum "Like a Prayer".

O alvo da vez, um dos preferidos da diva, foi a Igreja Católica. Como toda descendente de italianos a cantora sempre teve essa relação de amor e ódio com o catolicismo (afinal seu próprio nome vem da tradição católica romana). Na época Madonna criou polêmica com o clip da música, colocando um Jesus negro em uma igreja de um bairro pobre de Nova Iorque, sofrendo mais uma vez a violência das ruas. Para ser mais ousada ainda surgiu beijando na boca o Messias. Um escândalo! Era o tipo de polêmica que ela queria na época pois se mostrar como uma artista ousada, desafiadora, sempre rendeu bons dividendos de popularidade. E a Igreja Católica com toda sua tradição milenar se mostrou um alvo certeiro mais uma vez. No fundo essas exibições polêmicas de Madonna não possuem qualquer valor mais à sério para se debruçar, pois é queiram ou não seus admiradores, apenas mais uma jogada de marketing. A diva sabe se promover, isso é um fato incontestável. Deixando isso tudo de lado temos aqui uma boa seleção musical com faixas que viraram grandes hits nas rádios. Por essa época de extrema popularidade praticamente todas as canções dos álbuns de Madonna viravam mais cedo ou mais tarde hits radiofônicos. Musicalmente os arranjos, como não poderiam deixar de ser, seguem o receituário da época, ou seja, muitos sintetizadores, melodias dançantes e letras derivativas. Mesmo assim são gravações deliciosamente descartáveis que hoje funcionam como pura nostalgia para quem viveu na época. Uma receita de sucesso que se mostrou imbatível por anos e anos a fio.

Madonna - Like a Prayer (1989)

Like a Prayer 
Express Yourself 
Love Song 
Till Death Do Us Part 
Promise to Try 
Cherish 
Dear Jessie 
Oh Father 
Keep It Together 
Spanish Eyes 
Act of Contrition.

Pablo Aluísio.

A-ha - East of the Sun, West of the Moon

A-ha - East of the Sun, West of the Moon
Não cheguei a comprar na época de seu lançamento, só alguns anos depois. Claro que apesar disso foi impossível escapar de ouvir nas rádios o maior hit do grupo nesse disco, uma nova versão do clássico "Crying in the Rain", composição de Howard Greenfield e Carole King. Já achava essa canção extremamente linda, desde que a ouvira pela primeira vez na interpretação do grupo The Everly Brothers, um dos melhores da história nesse tipo de canção. A versão dos Brothers foi lançada em 1962 e até hoje é considerada a melhor, mesmo assim não vou tirar os méritos do A-ha. Eles fizeram uma bela gravação do standart. Aliás uma das maiores qualidades do A-ha vem justamente dessa sutileza. Eles jamais inventam em músicas que precisam ficar na sua simplicidade original para não perderem sua essência melódica. Nesse ponto acertaram em cheio.

Além dessa excelente faixa inicial o disco ainda traz outros atrativos, como por exemplo, a simpática "Early Morning". Ela foi lançada como single e seu clip foi gravado em pleno Rock in Rio II. A música fez sucesso nas rádios, o que acabou impulsionando suas vendas (no total o álbum conseguiu vender mais de três milhões de cópias ao redor do mundo desde seu lançamento original, um número digamos de respeito). Pois bem, depois dessas duas faixas mais conhecidas o álbum segue em frente com uma coleção de boas canções, todas agradáveis. O A-ha também sempre se mostrou muito bom em álbuns justamente por essa capacidade de os preencher com um bom repertório aos ouvidos. Certo, não existem obras primas, mas todas valem ao menos uma audição descompromissada e relaxante. Curiosamente no meio desse retalho sonoro bem ok, a única que nunca me agradou muito foi justamente a canção título do disco, "East of the Sun". Apesar do bom arranjo de voz e violão (e quarteto de cordas ao fundo) nunca consegui realmente gostar de seu refrão. Já "Cold River" se sobressai por causa de seu ritmo mais voltado a um jazz sofisticado. Só peca por ser curta demais. Então basicamente é isso. Não é o meu disco preferido do A-ha, mas certamente vale a pena ter em sua coleção.

A-ha - East of the Sun, West of the Moon (1990)
Crying in the Rain
Early Morning
I Call Your Name
Slender Frame
East of the Sun
Sycamore Leaves
Waiting for Her
Cold River
The Way We Talk
Rolling Thunder
(Seemingly) Non-stop July

Pablo Aluísio.

Michael Jackson - Dangerous

Michael Jackson - Dangerous
O álbum anterior de Michael Jackson intitulado "Bad" havia vendido a metade das cópias de "Thriller". Por essa razão a indústria fonográfica queria saber se Michael Jackson ainda tinha força para vender milhões de discos novamente como havia ocorrido com seu mais famoso e bem sucedido álbum. E ele conseguiu com esse disco "Dangerous" amenizar bastante os críticos que diziam que ele estava em decadência. "Dangerous" vendeu 32 milhões de cópias ao redor do mundo. Ele ainda era capaz de abalar as estruturas da indústria musical. Aliás é bom deixar claro que nenhum disco de Michael Jackson pode ser considerado um fracasso comercial. Até mesmo seu álbum menos vendido ainda era capaz de vender muito mais cópias do que qualquer outro artista de sua época. Isso é um fato inegável. 

"Dangerous" foi lançado em um período complicado de sua vida. Michael Jackson havia se tornado uma celebridade de tabloides e sua música inegavelmente havia ficado em segundo plano. E isso se refletiu nesse disco. Ele é um tanto irregular, alternando grandes momentos, com algumas mediocridades complicadas de engolir. A faixa de maior sucesso foi "Black or White" que pegava carona naquelas polêmicas que diziam que o artista queria ficar branco, renegando suas origens de homem negro. O clip foi um grande sucesso, com uso inovador de computação gráfica. Curiosamente o próprio Michael quase nem aparecia nele. Das músicas do disco as que mais aprecio são "Heal the World" e "Will You Be There". As demais sempre me soaram bem genéricas. Nunca consegui gostar nem ao menos da faixa título do álbum. Enfim, essa é minha opinião sobre esse disco. Foi bem sucedido comercialmente, mas artisticamente falando deixou um pouco a desejar. 

Michael Jackson - Dangerous (1991)
Jam
Why You Wanna Trip on Me
In the Closet
She Drives Me Wild
Remember the Time
Can't Let Her Get Away
Heal the World
Black or White
Who Is It
Give In To Me
Will You Be There
Keep the Faith
Gone Too Soon
Dangerous

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Bruce Springsteen - The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle

Bruce Springsteen - The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle
O segundo álbum de estúdio de Bruce Springsteen foi The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle, lançado em 11 de setembro de 1973. Lançado apenas oito meses após seu disco de estreia, Greetings from Asbury Park, N.J., The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle representou um enorme salto artístico na carreira de Bruce Springsteen. Produzido por Mike Appel e Jim Cretecos, o álbum abandonou parte da influência folk do primeiro trabalho para abraçar uma sonoridade muito mais ampla, incorporando rock, soul, jazz, rhythm and blues e música latina. Foi também o primeiro disco a destacar plenamente a E Street Band como elemento fundamental da identidade musical de Springsteen. As letras tornaram-se mais cinematográficas e românticas, retratando a juventude, os bairros operários de Nova Jersey, os sonhos e as desilusões da vida urbana. Embora tenha sido um fracasso comercial em seu lançamento, o álbum é hoje considerado um dos trabalhos mais criativos e inspirados de toda a carreira do artista, antecipando muitos dos elementos que seriam aperfeiçoados em Born to Run dois anos depois.

A recepção crítica foi extremamente positiva. A Rolling Stone elogiou o álbum como "uma obra exuberante de imaginação musical", destacando a capacidade de Springsteen de criar personagens memoráveis e narrativas ricas em detalhes. A revista Billboard ressaltou a maturidade das composições e a energia da E Street Band, afirmando que Bruce possuía potencial para se tornar um dos grandes nomes do rock americano. A Variety destacou a riqueza instrumental do disco e a mistura de estilos musicais, observando que o álbum exigia várias audições para revelar toda a sua complexidade. Embora alguns críticos considerassem o trabalho pouco acessível para o rádio, a maioria reconhecia que Springsteen estava desenvolvendo uma linguagem artística extremamente pessoal.

Os grandes jornais americanos também ficaram impressionados com o talento do jovem compositor. O The New York Times escreveu que Springsteen demonstrava "uma rara capacidade de transformar cenas cotidianas em histórias épicas", elogiando particularmente "Rosalita (Come Out Tonight)" e "New York City Serenade". O Los Angeles Times destacou a influência de Bob Dylan e Van Morrison, mas observou que Bruce já possuía uma identidade própria como compositor. Décadas depois, a Rolling Stone incluiria The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle entre os maiores álbuns da história do rock, destacando faixas como "Incident on 57th Street", "Kitty's Back" e "Rosalita" como verdadeiras obras-primas. Atualmente, muitos críticos consideram este um dos discos mais subestimados da década de 1970.

Do ponto de vista comercial, o álbum teve um desempenho decepcionante em seu lançamento. Assim como seu antecessor, não conseguiu alcançar posições significativas na Billboard 200 e vendeu apenas algumas dezenas de milhares de cópias nos primeiros meses. Nenhum single tornou-se um grande sucesso nas rádios, o que limitou sua divulgação. No entanto, as apresentações ao vivo de Springsteen começaram a ganhar enorme reputação, e várias músicas do álbum, especialmente "Rosalita (Come Out Tonight)", transformaram-se em momentos obrigatórios de seus shows. Após o enorme sucesso de Born to Run em 1975, as vendas de The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle cresceram continuamente, levando o disco a receber certificações de ouro e, posteriormente, de platina nos Estados Unidos.

O legado de The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle é hoje extraordinário. Muitos historiadores da música o consideram um dos álbuns mais criativos da carreira de Bruce Springsteen, destacando sua combinação de poesia urbana, exuberância instrumental e liberdade artística. Diversos músicos apontam o disco como influência importante por sua mistura de rock, soul, jazz e narrativas cinematográficas. Para os fãs, ele representa o Bruce Springsteen mais espontâneo e aventureiro, antes da consagração mundial com Born to Run. Faixas como "Rosalita", "Incident on 57th Street" e "New York City Serenade" continuam sendo celebradas como algumas das melhores composições de sua carreira. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle permanece como uma joia do rock americano e uma obra essencial para compreender a evolução artística de Bruce Springsteen.

Bruce Springsteen - The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle (1973)
The E Street Shuffle
4th of July, Asbury Park (Sandy)
Kitty's Back
Wild Billy's Circus Story
Incident on 57th Street
Rosalita (Come Out Tonight)
New York City Serenade

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Elton John - Tumbleweed Connection

Elton John - Tumbleweed Connection 
O terceiro álbum de estúdio de Elton John foi Tumbleweed Connection, lançado em 30 de outubro de 1970. Lançado poucos meses após o sucesso de seu álbum homônimo, Elton John (1970), Tumbleweed Connection representou um notável avanço artístico na carreira do músico britânico. Embora Elton John fosse inglês, ele e seu principal parceiro de composições, Bernie Taupin, criaram uma obra profundamente inspirada na cultura, na história e no imaginário do Velho Oeste americano. O álbum não é uma trilha sonora nem um disco conceitual tradicional, mas suas canções compartilham uma atmosfera comum, evocando soldados da Guerra Civil Americana, fazendeiros, viajantes e personagens típicos da fronteira dos Estados Unidos. Musicalmente, o disco mistura rock, country, folk, gospel e blues, apresentando uma sonoridade mais orgânica e madura do que seus trabalhos anteriores. Embora inicialmente não tenha produzido grandes sucessos em forma de singles, Tumbleweed Connection consolidou Elton John como um artista de enorme profundidade criativa e demonstrou que sua carreira iria muito além do pop convencional.

A crítica musical recebeu o álbum com entusiasmo, reconhecendo sua maturidade e originalidade. A Billboard destacou que Elton John havia criado "uma obra de rara consistência", elogiando especialmente a qualidade das composições e dos arranjos. A Rolling Stone publicou uma crítica extremamente favorável, afirmando que o cantor "encontrou uma identidade artística própria", destacando a parceria entre Elton John e Bernie Taupin como uma das mais promissoras da música contemporânea. A Variety ressaltou a riqueza musical do disco e observou que sua ausência de singles óbvios era compensada pela excelente qualidade do conjunto. No Reino Unido, a New Musical Express (NME) elogiou o refinamento das composições e a impressionante capacidade de Taupin de escrever letras inspiradas na cultura americana, apesar de jamais ter visitado os Estados Unidos quando escreveu grande parte delas.

A imprensa também destacou o caráter incomum do projeto. O The New York Times observou que Elton John e Bernie Taupin conseguiram criar "uma visão romântica e surpreendentemente convincente do Oeste americano", ressaltando a força emocional de músicas como "Burn Down the Mission". O Los Angeles Times destacou a maturidade vocal de Elton e a riqueza instrumental do álbum, afirmando que ele "soa muito mais como uma obra completa do que uma simples coleção de canções". A The New Yorker chamou atenção para a combinação entre lirismo, melodias sofisticadas e produção elegante, observando que o disco fugia completamente dos padrões comerciais da época. Décadas depois, diversas publicações passaram a considerar Tumbleweed Connection um dos melhores trabalhos de toda a carreira de Elton John.

Comercialmente, Tumbleweed Connection obteve um desempenho bastante sólido, mesmo sem o apoio de um grande single de sucesso. O álbum alcançou a quinta posição na Billboard 200 dos Estados Unidos, desempenho superior ao obtido em seu país de origem, onde chegou ao segundo lugar na UK Albums Chart. Ao longo dos anos, vendeu milhões de cópias em todo o mundo e recebeu certificações de ouro e platina em diversos mercados. O sucesso do disco consolidou Elton John no mercado norte-americano, que rapidamente se tornaria sua principal base de fãs durante toda a década de 1970. Além disso, músicas como "Country Comfort", "Burn Down the Mission" e "Amoreena" tornaram-se favoritas do público e passaram a integrar frequentemente suas apresentações ao vivo. O álbum também abriu caminho para a extraordinária sequência de sucessos comerciais que Elton lançaria nos anos seguintes.

O legado de Tumbleweed Connection cresceu continuamente ao longo das décadas. Atualmente, críticos e historiadores da música frequentemente o classificam entre os maiores álbuns da carreira de Elton John e um dos melhores discos de singer-songwriter da década de 1970. Muitos especialistas destacam a perfeita integração entre as letras cinematográficas de Bernie Taupin e as melodias inspiradas de Elton John, formando uma das parcerias mais importantes da história da música popular. Para os fãs, o álbum representa uma fase em que Elton privilegiava a construção de obras completas em vez da busca por sucessos imediatos nas paradas. Sua influência pode ser percebida em diversos artistas que posteriormente combinaram rock, folk e música americana em trabalhos conceituais. Mais de cinco décadas após seu lançamento, Tumbleweed Connection continua sendo considerado uma obra-prima discreta, porém fundamental, da discografia de Elton John.

Elton John - Tumbleweed Connection (1970)
Ballad of a Well-Known Gun
Come Down in Time
Country Comfort
Son of Your Father
My Father's Gun
Where to Now St. Peter?
Love Song
Amoreena
Talking Old Soldiers
Burn Down the Mission

Erick Steve e Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Queen - A Night at the Opera

Queen - A Night at the Opera
Lançado em 21 de novembro de 1975, A Night at the Opera foi o quarto álbum de estúdio do Queen e é amplamente considerado a obra-prima da carreira da banda. Produzido por Roy Thomas Baker e pelo próprio grupo, o disco recebeu esse título em homenagem ao clássico filme homônimo dos Irmãos Marx. Na época de sua gravação, tornou-se o álbum mais caro já produzido no Reino Unido, refletindo a ambição artística de Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon. Musicalmente, o trabalho rompeu fronteiras ao reunir hard rock, rock progressivo, pop, folk, music hall, ópera, heavy metal e música erudita em um único álbum. Cada integrante contribuiu com composições próprias, resultando em um repertório extremamente variado, mas surpreendentemente coeso. O lançamento de A Night at the Opera elevou o Queen definitivamente ao primeiro escalão do rock mundial e transformou a banda em um fenômeno internacional.

A recepção crítica foi extremamente positiva e confirmou que o Queen havia alcançado um novo patamar artístico. A Billboard classificou o álbum como "uma demonstração impressionante de criatividade, técnica e produção", destacando a ousadia das composições e a qualidade sonora. A Rolling Stone elogiou o trabalho como "uma aventura musical exuberante", ressaltando a capacidade da banda de combinar estilos completamente diferentes sem perder unidade. No Reino Unido, a New Musical Express (NME) afirmou que o disco representava "o momento em que o Queen deixa de prometer grandeza para efetivamente alcançá-la". Já a Melody Maker destacou a riqueza dos arranjos vocais e instrumentais, observando que poucas bandas possuíam tamanho domínio técnico. A crítica também reconheceu que Freddie Mercury surgia como um dos compositores e vocalistas mais criativos do rock da década de 1970.

Os grandes jornais e revistas culturais dedicaram amplo espaço ao lançamento. O The New York Times descreveu o álbum como "um exercício brilhante de imaginação musical", observando que o Queen havia expandido significativamente os limites do rock convencional. O Los Angeles Times elogiou a produção sofisticada e afirmou que o disco "combina espetáculo e substância de maneira rara na música popular". A The New Yorker destacou especialmente "Bohemian Rhapsody", classificando-a como uma composição que desafia qualquer categorização tradicional dentro do rock. Décadas mais tarde, a Rolling Stone incluiria A Night at the Opera em suas listas dos maiores álbuns de todos os tempos, enquanto diversos críticos passariam a apontá-lo como um dos discos mais influentes já produzidos no gênero.

No aspecto comercial, A Night at the Opera foi um sucesso extraordinário. O álbum alcançou o primeiro lugar na UK Albums Chart e entrou no Top 5 da Billboard 200, tornando-se o maior sucesso internacional do Queen até aquele momento. Estima-se que tenha vendido mais de seis milhões de cópias em todo o mundo, recebendo múltiplas certificações de platina em diversos países. O principal responsável por esse desempenho foi o single "Bohemian Rhapsody", que permaneceu nove semanas consecutivas no primeiro lugar das paradas britânicas e alcançou enorme sucesso em diversos mercados internacionais. Outras faixas, como "You're My Best Friend" e "Love of My Life", também se tornaram clássicos da banda. O enorme sucesso do álbum consolidou definitivamente o Queen como uma das maiores atrações do rock mundial e abriu caminho para uma sequência de discos igualmente bem-sucedidos.

O legado de A Night at the Opera é simplesmente monumental. Especialistas em música frequentemente o classificam entre os maiores álbuns da história do rock, destacando sua produção inovadora, sua diversidade estilística e sua extraordinária criatividade. "Bohemian Rhapsody" tornou-se uma das músicas mais famosas de todos os tempos, sendo considerada por muitos críticos a maior composição da história do rock, graças à sua estrutura incomum, às harmonias vocais complexas e à fusão entre ópera e rock. O álbum influenciou inúmeras bandas de diferentes estilos e continua sendo estudado por músicos, produtores e historiadores da música. Para os fãs, representa o auge criativo do Queen e o momento em que Freddie Mercury e seus companheiros alcançaram plena maturidade artística. Quase cinco décadas após seu lançamento, A Night at the Opera permanece como uma obra-prima absoluta da música popular e um dos discos mais importantes do século XX.

Queen - A Night at the Opera (1975)
Death on Two Legs (Dedicated to...)
Lazing on a Sunday Afternoon
I'm in Love with My Car
You're My Best Friend
'39
Sweet Lady
Seaside Rendezvous
The Prophet's Song
Love of My Life
Good Company
Bohemian Rhapsody
God Save the Queen

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Queen - Sheer Heart Attack

Queen - Sheer Heart Attack 
Lançado em 8 de novembro de 1974, Sheer Heart Attack foi o terceiro álbum de estúdio do Queen e representou o trabalho que finalmente projetou a banda para o estrelato internacional. Depois da ambição progressiva de Queen II, o grupo optou por um disco mais direto e diversificado, sem abrir mão da sofisticação musical que já caracterizava seu estilo. Gravado em diversos estúdios britânicos durante um período em que Brian May enfrentava problemas de saúde, o álbum foi produzido por Roy Thomas Baker e pela própria banda. O repertório passeia pelo hard rock, glam rock, heavy metal, music hall, pop e até jazz, demonstrando a versatilidade criativa de Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon. O impacto do disco foi imediato: ele mostrou que o Queen era capaz de produzir músicas experimentais e, ao mesmo tempo, acessíveis ao grande público, estabelecendo as bases para o sucesso monumental que viria com A Night at the Opera no ano seguinte.

A recepção crítica foi significativamente mais positiva do que a obtida pelos álbuns anteriores. A New Musical Express (NME) destacou que o Queen havia encontrado "o equilíbrio perfeito entre virtuosismo e apelo comercial", elogiando especialmente a diversidade estilística do álbum. A Melody Maker afirmou que a banda demonstrava uma confiança impressionante, classificando Sheer Heart Attack como um dos discos mais criativos lançados em 1974. Nos Estados Unidos, a Billboard ressaltou a força dos arranjos e das harmonias vocais, observando que o grupo finalmente possuía um álbum capaz de conquistar o mercado americano. A Rolling Stone publicou uma crítica favorável, elogiando a ousadia musical da banda e descrevendo o álbum como "uma explosão de energia, técnica e imaginação". A revista também destacou a habilidade do Queen em transitar entre diferentes estilos sem perder sua identidade sonora.

A imprensa generalista também reconheceu a evolução do grupo. O The New York Times observou que o Queen estava deixando de ser apenas uma promessa do rock britânico para se tornar uma das bandas mais originais da década. O Los Angeles Times elogiou a produção sofisticada e a impressionante performance vocal de Freddie Mercury, chamando atenção para a riqueza dos arranjos e das sobreposições vocais. Décadas depois, a The New Yorker descreveria Sheer Heart Attack como "o álbum que revelou plenamente o potencial criativo do Queen", destacando faixas como "Killer Queen", "Brighton Rock" e "Stone Cold Crazy". Esta última, inclusive, seria posteriormente reconhecida como uma das principais influências para o desenvolvimento do thrash metal por bandas como Metallica.

Do ponto de vista comercial, Sheer Heart Attack foi um enorme avanço para a banda. O álbum alcançou a segunda posição na UK Albums Chart e chegou ao Top 20 da Billboard 200 nos Estados Unidos, abrindo definitivamente as portas do mercado norte-americano para o Queen. O single "Killer Queen" tornou-se o primeiro grande sucesso internacional do grupo, alcançando o segundo lugar nas paradas britânicas e o décimo segundo lugar na Billboard Hot 100. O disco vendeu milhões de cópias ao longo dos anos e recebeu certificações de ouro e platina em diversos países. Seu excelente desempenho consolidou o Queen como um dos nomes mais importantes do rock mundial e criou enorme expectativa para o álbum seguinte, que acabaria sendo A Night at the Opera.

O legado de Sheer Heart Attack é hoje amplamente reconhecido por críticos, músicos e fãs. Muitos especialistas o consideram o álbum em que o Queen encontrou definitivamente sua identidade artística, reunindo todas as características que marcariam sua carreira: criatividade, virtuosismo instrumental, harmonias vocais complexas, letras sofisticadas e uma impressionante diversidade de estilos. "Killer Queen" permanece como uma das músicas mais elegantes e celebradas do grupo, enquanto "Stone Cold Crazy" é frequentemente apontada como precursora do speed metal e do thrash metal. Para os fãs, o disco representa o momento em que o Queen deixou de ser apenas uma excelente banda britânica para se transformar em uma potência mundial do rock. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, Sheer Heart Attack continua sendo considerado um dos grandes clássicos da década de 1970 e uma obra indispensável na discografia da banda.

Queen - Sheer Heart Attack (1974)
Brighton Rock
Killer Queen
Tenement Funster
Flick of the Wrist
Lily of the Valley
Now I'm Here
In the Lap of the Gods
Stone Cold Crazy
Dear Friends
Misfire
Bring Back That Leroy Brown
She Makes Me (Stormtrooper in Stilettos)
In the Lap of the Gods... Revisited

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

Queen - Queen II

Queen - Queen II 
Lançado em 8 de março de 1974, Queen II foi o segundo álbum de estúdio do Queen e representou um salto artístico extraordinário em relação ao disco de estreia. Gravado nos estúdios Trident, em Londres, e produzido por Roy Thomas Baker, em parceria com a própria banda, o álbum consolidou a identidade sonora do Queen ao combinar hard rock, rock progressivo, música clássica e harmonias vocais extremamente elaboradas. Diferentemente do primeiro disco, Queen II foi concebido como uma obra mais ambiciosa, dividida simbolicamente entre o "Lado Branco", dominado pelas composições de Brian May, e o "Lado Negro", centrado nas criações de Freddie Mercury. O álbum apresentou uma atmosfera épica, repleta de referências à fantasia e à literatura, estabelecendo muitas das características que fariam do Queen uma das bandas mais inovadoras e espetaculares da história do rock. Embora inicialmente tenha sido um sucesso mais expressivo no Reino Unido do que nos Estados Unidos, o disco foi decisivo para consolidar a reputação artística do grupo.

A crítica da época reconheceu a ousadia do projeto, embora as avaliações tenham sido variadas. A revista New Musical Express (NME) elogiou a criatividade da banda, afirmando que Queen II era "uma demonstração impressionante de imaginação musical e técnica instrumental". A Melody Maker destacou a complexidade dos arranjos e as harmonias vocais, observando que o grupo possuía uma personalidade distinta dentro do cenário do rock britânico. A revista Billboard apontou que o álbum apresentava enorme potencial artístico, embora pudesse parecer excessivamente sofisticado para parte do público americano. Já a Rolling Stone publicou uma crítica inicialmente mais reservada, considerando o disco tecnicamente impressionante, mas excessivamente grandioso em alguns momentos. Com o passar dos anos, porém, essa avaliação seria amplamente revista, e a própria revista passaria a reconhecer Queen II como um dos trabalhos fundamentais da banda.

Os grandes jornais também perceberam que o Queen estava desenvolvendo uma identidade única. O The New York Times observou que o grupo demonstrava uma ambição incomum para uma banda tão jovem, explorando estruturas musicais complexas e uma produção extremamente elaborada. O Los Angeles Times destacou o virtuosismo dos músicos e a impressionante extensão vocal de Freddie Mercury, chamando atenção para a riqueza dos arranjos. Décadas depois, a The New Yorker revisitou o álbum e o descreveu como "o verdadeiro nascimento da identidade artística do Queen", ressaltando que muitas ideias desenvolvidas em Queen II seriam levadas ao auge em A Night at the Opera. Hoje, diversos críticos consideram esse álbum uma das primeiras grandes obras-primas do rock progressivo britânico da década de 1970.

Comercialmente, Queen II representou o primeiro grande avanço da banda. O álbum alcançou a quinta posição na UK Albums Chart, tornando-se o primeiro disco do grupo a entrar no Top 10 britânico. Embora seu desempenho inicial nos Estados Unidos tenha sido mais modesto, o álbum vendeu continuamente ao longo das décadas, impulsionado pelo enorme sucesso internacional que o Queen alcançaria a partir de 1975. O single "Seven Seas of Rhye" tornou-se o primeiro grande sucesso da banda, chegando ao Top 10 britânico e proporcionando ao grupo ampla exposição na televisão, especialmente após uma marcante apresentação no programa Top of the Pops. Posteriormente, Queen II recebeu certificações de ouro e platina em diversos países, consolidando-se como um dos discos mais importantes da fase inicial da carreira do grupo.

O legado de Queen II cresceu de maneira impressionante com o passar dos anos. Atualmente, especialistas em música frequentemente o classificam entre os melhores álbuns da discografia do Queen e um dos grandes clássicos do rock dos anos 1970. Muitos músicos apontam o disco como uma influência decisiva pela riqueza das harmonias, pelas múltiplas sobreposições vocais e pela produção extremamente sofisticada. Para os fãs, ele representa o momento em que Freddie Mercury, Brian May, Roger Taylor e John Deacon encontraram plenamente sua identidade artística. Canções como "Seven Seas of Rhye", "The March of the Black Queen" e "White Queen (As It Began)" continuam sendo celebradas como algumas das composições mais criativas da carreira da banda. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, Queen II permanece como uma obra essencial para compreender a evolução do Queen rumo ao estrelato mundial.

Queen - Queen II (1974)
Procession
Father to Son
White Queen (As It Began)
Some Day One Day
The Loser in the End
Ogre Battle
The Fairy Feller's Master-Stroke
Nevermore
The March of the Black Queen
Funny How Love Is
Seven Seas of Rhye

Pablo Aluísio e Erick Steve. 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Eagles - One of These Nights

Eagles - One of These Nights
Lançado em 10 de junho de 1975, One of These Nights representou o verdadeiro ponto de virada na carreira do Eagles. Embora os dois primeiros álbuns já tivessem estabelecido o grupo como um dos principais nomes do country rock, foi com este trabalho que a banda alcançou o estrelato mundial. Produzido por Bill Szymczyk, o disco marcou uma evolução sonora significativa, incorporando elementos de rock, rhythm and blues, soul e pop sem abandonar completamente suas raízes country. As composições de Don Henley e Glenn Frey tornaram-se mais sofisticadas, enquanto os arranjos ganharam maior refinamento. O álbum também foi o último a contar com o guitarrista Bernie Leadon, encerrando uma fase importante da história da banda. Seu lançamento consolidou os Eagles como um dos maiores grupos do rock americano da década de 1970 e abriu caminho para o monumental sucesso de Hotel California, lançado no ano seguinte.

A recepção crítica foi amplamente positiva e reconheceu a clara evolução artística da banda. A revista Billboard elogiou o álbum por combinar "excelente composição, produção impecável e enorme potencial comercial", destacando a faixa-título como um dos melhores singles do ano. A Variety observou que os Eagles haviam ampliado sua identidade musical ao incorporar influências de soul e funk sem perder sua essência. A Rolling Stone publicou uma análise bastante favorável, afirmando que "a banda finalmente encontrou um equilíbrio perfeito entre ambição artística e apelo popular". No Reino Unido, a NME (New Musical Express) destacou a qualidade das harmonias vocais e a maturidade das letras, classificando o disco como um dos lançamentos mais importantes de 1975.

A imprensa americana também recebeu o álbum com entusiasmo. O The New York Times destacou que os Eagles haviam "superado definitivamente a imagem de simples banda country-rock", elogiando a diversidade musical e a sofisticação dos arranjos. O Los Angeles Times escreveu que One of These Nights apresentava "algumas das melhores composições da música popular americana naquele momento", especialmente "Lyin' Eyes" e "Take It to the Limit". A The New Yorker ressaltou a habilidade do grupo em produzir músicas acessíveis sem abrir mão da qualidade artística, observando que o álbum representava uma evolução natural da banda. Décadas mais tarde, muitos críticos passaram a considerar este trabalho como a verdadeira ponte entre o country rock dos primeiros Eagles e o rock sofisticado que caracterizaria seus maiores sucessos.

Comercialmente, One of These Nights foi um enorme sucesso. O álbum tornou-se o primeiro da banda a alcançar o primeiro lugar na Billboard 200, permanecendo várias semanas no topo da parada. Nos Estados Unidos, vendeu mais de quatro milhões de cópias e recebeu certificação de platina múltipla da Recording Industry Association of America, enquanto suas vendas mundiais ultrapassaram a marca de cinco milhões de unidades. Os singles "One of These Nights", "Lyin' Eyes" e "Take It to the Limit" tornaram-se grandes sucessos nas rádios, com a faixa-título alcançando o primeiro lugar da Billboard Hot 100 e "Lyin' Eyes" conquistando um Grammy Award de Melhor Performance Pop por Duo ou Grupo com Vocais. O êxito comercial confirmou definitivamente os Eagles como uma das maiores bandas do mundo.

O legado de One of These Nights permanece extraordinário. Hoje, especialistas o consideram um dos álbuns fundamentais da década de 1970 e uma das obras que ajudaram a redefinir o country rock, aproximando-o do rock de arena e do pop sofisticado. Críticos frequentemente destacam o equilíbrio entre excelência técnica, qualidade composicional e enorme apelo comercial, características que se tornariam marcas registradas da banda. Para os fãs, o disco representa o momento em que os Eagles atingiram plena maturidade artística, reunindo algumas das canções mais queridas de seu catálogo. Embora Hotel California costume receber maior reconhecimento popular, muitos historiadores da música enxergam One of These Nights como o álbum que realmente transformou os Eagles em uma potência criativa e comercial. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, ele continua figurando entre os grandes clássicos do rock americano.

Eagles - One of These Nights (1975)
One of These Nights
Too Many Hands
Hollywood Waltz
Journey of the Sorcerer
Lyin' Eyes
Take It to the Limit
Visions
After the Thrill Is Gone
I Wish You Peace

Erick Steve. 

Eagles - Desperado

Eagles - Desperado 
Lançado em 17 de abril de 1973, Desperado foi o segundo álbum de estúdio do Eagles e marcou uma mudança significativa em relação ao bem-sucedido disco de estreia da banda. Em vez de simplesmente repetir a fórmula do country rock que os havia colocado em evidência, o grupo decidiu produzir um álbum conceitual inspirado na mitologia do Velho Oeste americano e na vida dos fora da lei do século XIX, especialmente a gangue de Doolin-Dalton. Sob a produção de Glyn Johns, o disco apresentou um som mais sofisticado e introspectivo, dando maior destaque às composições de Don Henley e Glenn Frey. Embora não tenha produzido grandes sucessos radiofônicos imediatos, Desperado consolidou a reputação da banda como compositora de obras mais ambiciosas e artisticamente consistentes. A faixa-título, em especial, tornou-se uma das canções mais importantes da carreira dos Eagles e um clássico permanente da música americana.

A recepção crítica na época foi respeitosa, embora não unânime. A revista Billboard destacou a maturidade do grupo, afirmando que o álbum demonstrava "um crescimento impressionante em composição e arranjos". A Variety elogiou a atmosfera cinematográfica do disco e a habilidade dos Eagles em criar uma narrativa coerente do início ao fim. Já a Rolling Stone publicou uma crítica mais moderada, observando que a ambição conceitual do álbum era admirável, embora algumas músicas não alcançassem plenamente seus objetivos dramáticos. No Reino Unido, a NME (New Musical Express) ressaltou a excelente qualidade das harmonias vocais e a influência crescente do country na identidade sonora da banda, ainda que considerasse o álbum menos acessível do que o trabalho de estreia.

Os grandes jornais americanos também reconheceram o esforço artístico representado por Desperado. O The New York Times observou que os Eagles buscavam "expandir os limites do country rock por meio de uma narrativa cuidadosamente construída", destacando a força emocional da faixa "Desperado". O Los Angeles Times elogiou o refinamento instrumental e a evolução das composições, afirmando que a banda demonstrava maturidade incomum para um segundo álbum. A The New Yorker dedicou atenção especial ao lirismo das canções, destacando como a imagem do fora da lei servia de metáfora para solidão, liberdade e fracasso. Com o passar dos anos, muitas dessas análises foram reavaliadas, e diversos críticos passaram a considerar Desperado um dos trabalhos mais importantes da discografia do grupo.

Do ponto de vista comercial, Desperado teve um desempenho apenas moderado em seu lançamento. O álbum alcançou a 41ª posição na Billboard 200, resultado inferior ao esperado pela gravadora, e inicialmente vendeu menos que seu antecessor. A ausência de grandes singles de sucesso limitou seu impacto imediato nas paradas, embora músicas como "Tequila Sunrise", lançada em single, tenham obtido boa execução nas rádios. Com o crescimento extraordinário da popularidade dos Eagles na segunda metade da década de 1970, especialmente após os álbuns One of These Nights, Hotel California e The Long Run, Desperado passou a vender continuamente, recebendo certificações de ouro e posteriormente de platina nos Estados Unidos. Hoje, estima-se que suas vendas ultrapassem dois milhões de cópias apenas no mercado americano, tornando-o um sucesso de longo prazo.

O legado de Desperado cresceu de forma extraordinária ao longo das décadas. Atualmente, críticos e historiadores da música frequentemente o classificam como um dos álbuns fundamentais do country rock e um dos trabalhos mais coesos da carreira dos Eagles. A faixa-título tornou-se uma das canções mais regravadas da música americana, interpretada por dezenas de artistas dos mais variados estilos e constantemente lembrada entre as maiores baladas do rock. Especialistas destacam que o álbum antecipou a sofisticação composicional que culminaria em Hotel California alguns anos depois. Para os fãs, Desperado representa um momento em que a banda demonstrou coragem para priorizar a qualidade artística acima do sucesso imediato. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, o disco permanece como uma das obras mais respeitadas dos Eagles e um clássico incontestável da música popular norte-americana.

Eagles - Desperado (1973)
Doolin-Dalton
Twenty-One
Out of Control
Tequila Sunrise
Desperado
Certain Kind of Fool
Doolin-Dalton (Instrumental)
Outlaw Man
Saturday Night
Bitter Creek
Doolin-Dalton/Desperado (Reprise)

Erick Steve. 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pink Floyd - Ummagumma

Pink Floyd - Ummagumma 
O álbum Ummagumma, da banda britânica Pink Floyd, foi lançado em 7 de novembro de 1969 pela Harvest Records no Reino Unido e pela Capitol Records nos Estados Unidos. Trata-se de um álbum duplo e um dos trabalhos mais experimentais da carreira do grupo. O primeiro disco foi gravado ao vivo, reunindo apresentações registradas em concertos realizados em Birmingham e Manchester, enquanto o segundo é composto por gravações de estúdio nas quais cada integrante recebeu espaço para desenvolver suas próprias ideias musicais. Essa estrutura incomum permitiu que Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason explorassem diferentes estilos, desde o rock psicodélico até a música experimental, a vanguarda e a música concreta. O álbum surgiu em um momento de transição para o Pink Floyd, que buscava consolidar uma identidade própria após a saída de Syd Barrett, afastando-se gradualmente da psicodelia mais convencional em direção ao rock progressivo que marcaria os anos seguintes.

A recepção crítica ao lançamento foi bastante dividida. Muitos jornalistas elogiaram a ousadia do projeto e a disposição da banda em experimentar novas linguagens musicais, enquanto outros consideraram parte do material excessivamente abstrato e pouco acessível. Com o passar do tempo, revistas como a Rolling Stone reconheceram Ummagumma como um registro importante da evolução artística do Pink Floyd, embora nem sempre o coloquem entre seus melhores discos. O The New York Times destacou, em análises retrospectivas, que o álbum representa um laboratório criativo no qual a banda começou a desenvolver ideias que seriam aperfeiçoadas em obras-primas posteriores. Comercialmente, o disco foi bem-sucedido, alcançando o Top 5 das paradas britânicas e obtendo boas vendas internacionais. O lado ao vivo recebeu elogios especiais pelas interpretações expansivas de músicas como Astronomy Domine e Careful with That Axe, Eugene, enquanto o material de estúdio permaneceu como um dos capítulos mais desafiadores da discografia do grupo.

Com o passar das décadas, Ummagumma passou a ser visto como uma peça fundamental para compreender a transformação do Pink Floyd em uma das maiores bandas da história do rock. Embora seja um álbum menos acessível do que The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here ou The Wall, ele documenta um período de intensa experimentação e liberdade criativa, no qual os integrantes buscavam expandir os limites da música popular. Muitos críticos enxergam o disco como uma ponte entre a fase psicodélica iniciada com Syd Barrett e a era clássica liderada principalmente por Roger Waters e David Gilmour. Seu impacto pode ser percebido na influência exercida sobre o rock progressivo, a música experimental e até mesmo gêneros como ambient e space rock. Atualmente, Ummagumma continua dividindo opiniões, mas é amplamente respeitado por sua coragem artística e por registrar um momento único da evolução do Pink Floyd. Para muitos admiradores da banda, trata-se de uma obra fascinante justamente por revelar o processo criativo que antecedeu alguns dos álbuns mais importantes da história do rock.

Pink Floyd – Ummagumma (1969)
Disco 1 – Ao vivo
Astronomy Domine
Careful with That Axe, Eugene
Set the Controls for the Heart of the Sun
A Saucerful of Secrets

Disco 2 – Estúdio
5. Sysyphus – Part 1
6. Sysyphus – Part 2
7. Sysyphus – Part 3
8. Sysyphus – Part 4
9. Grantchester Meadows
10. Several Species of Small Furry Animals Gathered Together in a Cave and Grooving with a Pict
11. The Narrow Way – Part 1
12. The Narrow Way – Part 2
13. The Narrow Way – Part 3
14. The Grand Vizier's Garden Party – Part 1 (Entrance)
15. The Grand Vizier's Garden Party – Part 2 (Entertainment)
16. The Grand Vizier's Garden Party – Part 3 (Exit)

Erick Steve. 

Pink Floyd - More

Pink Floyd - More
Durante um tempo o Pink Floyd ficou meio perdido. Não tinham ainda um disco de sucesso e nem eram muito conhecidos na Inglaterra. Para sobreviver como banda eles decidiram ingressar no mercado de trilhas sonoras. Para isso era preciso ter originalidade, inspiração e talento para músicas instrumentais. E nisso eles eram muito bons. Outro aspecto a se considerar é que naquele momento, logo após a saída de Syd Barrett, eles ainda não tinham decidido quem seria o vocalista principal do grupo. Tampouco sabiam quem iria escrever as letras das músicas. Então era mesmo um momento de indefinição e também de uma certa insegurança sobre os caminhos que o Pink Floyd iria tomar dali em diante. 

A partir desse álbum o Pink Floyd iria chegar de forma definitiva em sua formação clássica básica com David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Richard Wright. Eles apenas não queriam que o Pink Floyd chegasse a um fim prematuro. Era além de tudo uma questão de pura sobrevivência no mercado. Mal sabiam eles que estavam prestes a criar um novo movimento dentro do grande universo do rock. Eles seriam os pioneiros do que depois seria chamado de Rock Progressivo, dando origem a um estilo musical que seria seguido por dezenas e dezenas de grandes conjuntos da época. Isso realmente aconteceu involuntariamente enquanto eles iniciavam uma nova revolução cultural no mundo da música inglesa. 

Pink Floyd - More (1969)
Cirrus Minor
The Nile Song
Crying Song
Up The Khyber
Green Is The Colour
Cymbaline
Party Sequence
Main Theme
Ibiza Bar
More Blues
Quicksilver
A Spanish Piece
Dramatic Theme

Pablo Aluísio. 

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Diana Ross (1970)

O primeiro álbum solo de Diana Ross foi Diana Ross, lançado em 19 de junho de 1970 pela Motown Records. O disco representou um dos momentos mais importantes da história da música popular americana, pois precisava provar que a antiga líder das The Supremes conseguiria sustentar uma carreira de sucesso sem o grupo que a havia transformado em estrela internacional. A gravadora investiu pesadamente no projeto, entregando sua produção à consagrada dupla de compositores e produtores Nickolas Ashford e Valerie Simpson, responsáveis por boa parte da identidade sonora do álbum. O resultado foi um trabalho sofisticado, que combinava soul, R&B, pop e influências do gospel. O primeiro single, Reach Out and Touch (Somebody's Hand), apresentou ao público uma Diana Ross mais madura e independente artisticamente. Embora o lançamento estivesse cercado por enorme expectativa, o verdadeiro impacto viria com o segundo single do álbum, que transformaria definitivamente sua carreira solo. O disco marcou uma ruptura visual e musical com a imagem glamorosa que ela havia cultivado nos anos anteriores, mostrando uma artista em busca de uma nova identidade. 

A recepção crítica foi bastante positiva e muitos observadores enxergaram o álbum como um teste decisivo para o futuro da cantora. O trabalho recebeu elogios pela qualidade dos arranjos, pela produção refinada e pela interpretação emocional de Diana Ross. Críticos destacaram especialmente sua capacidade de transmitir sensibilidade e elegância sem recorrer a excessos vocais, uma característica que se tornaria uma de suas marcas registradas. O álbum alcançou o primeiro lugar na parada americana de R&B e chegou ao Top 20 da Billboard 200, um resultado considerado excelente para uma estreia solo. O grande destaque foi a nova versão de Ain't No Mountain High Enough, originalmente gravada por Marvin Gaye e Tammi Terrell. A interpretação de Diana transformou a canção em um épico soul de mais de seis minutos, alcançando o primeiro lugar da Billboard Hot 100 e rendendo à cantora sua primeira indicação ao Grammy como artista solo. O sucesso confirmou que ela poderia sobreviver artisticamente longe das Supremes e consolidou sua posição entre as maiores estrelas da Motown. 

Com o passar dos anos, Diana Ross passou a ser reconhecido como um dos álbuns mais importantes da transição entre os anos 1960 e 1970 na música soul. Além de lançar oficialmente a carreira solo da cantora, o disco ajudou a estabelecer um modelo para diversas artistas femininas que buscavam independência artística após experiências em grupos vocais. Sua influência pode ser percebida em intérpretes das décadas seguintes, especialmente na forma como combinava sofisticação, acessibilidade comercial e forte personalidade artística. Muitos críticos ainda consideram este um dos melhores trabalhos da carreira de Diana Ross, graças ao equilíbrio entre produção, repertório e interpretação. O álbum também permanece como um dos grandes exemplos do talento de Ashford & Simpson como produtores. Atualmente, é lembrado não apenas pelo enorme sucesso de “Ain't No Mountain High Enough”, mas por simbolizar o nascimento de uma das carreiras solo mais bem-sucedidas da história da música popular. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, continua sendo uma obra fundamental do catálogo da Motown e um clássico da soul music. 

Diana Ross – Diana Ross (1970)
Reach Out and Touch (Somebody's Hand)
Now That There's You
You're All I Need to Get By
These Things Will Keep Me Loving You
Ain't No Mountain High Enough
Something on My Mind
I Wouldn't Change the Man He Is
Keep an Eye
Where There Was Darkness
Can't It Wait Until Tomorrow
Dark Side of the World (presente em algumas edições)[[

Erick Steve. 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

John Lennon - Unfinished Music No. 2: Life with the Lions

Segundo álbum de sons experimentais de John Lennon e Yoko Ono. Esse disco nasceu de uma fase bem conturbada na vida do casal. Eles queriam ter um filho para concretizar de vez seu relacionamento mas para Yoko isso estava cada vez mais se tornando distante, principalmente por causa de sua idade. Qualquer gravidez seria de risco por causa disso. Após várias tentativas finalmente Yoko ficou grávida, o que gerou um grande entusiasmo em John. Infelizmente depois de algumas semanas de gestação ela foi internada às pressas em um hospital de Nova Iorque com problemas sérios que acabaram a levando a um aborto. Lennon obviamente ficou bastante arrasado com o fato mas como sempre acontecia resolveu levar sua dor para sua obra. Ao saber que seu filho teria poucas horas de vida, John pediu à equipe de cirurgiões do hospital que gravassem os últimos batimentos cardíacos dele antes de falecer. Essa gravação ele acabou usando justamente aqui nesse disco “Unfinished Music No. 2: Life with the Lions”.

A foto da capa também registrava esse terrível momento com Lennon sentado no chão ao lado de Yoko na cama do hospital. No meio da emergência da situação não havia uma cama para Lennon no leito de Yoko mas ele nem se importou, ficou no chão mesmo, esperando ela se recuperar da cirurgia. Em uma entrevista recordou depois: “Não havia uma cama para o beatle John. Afinal de contas quem precisa de um beatle?”. Esse é um trabalho que segue a filosofia do disco anterior, ou seja, é um tipo muito especifico de proposta que provavelmente só vai interessar mesmo os mais fanáticos fãs de John Lennon e Yoko Ono.

Não tem nada a ver com os discos comerciais de John ao lado dos Beatles. Analisando bem esse tipo de gravação sempre teve muito mais a ver com a arte de Yoko do que a de John. São apenas sons experimentais, sonoridades ao acaso, unidas sem que necessariamente façam algum sentido. Não deixa de ser interessante, temos que reconhecer, mas dificilmente convida o ouvinte a mais de uma audição. O fã de Lennon conhece esse tipo de álbum mais para matar a curiosidade do que por qualquer outra coisa. Tudo soa como alternativo ao extremo. De qualquer maneira fica aqui o registro para os admiradores do membro mais radical dos Beatles. 

John Lennon - Unfinished Music No. 2: Life with the Lions (1969)
Cambridge 1969
No Bed for Beatle John
Baby's Heartbeat
Two Minutes Silence
Radio Play

Pablo Aluísio.

Roberto Carlos - Roberto Carlos Canta Para a Juventude

Como todo brasileiro eu de certa forma também acompanhei a longa carreira do cantor Roberto Carlos. Confesso que não posso ser considerado um fã de carteirinha mas obviamente conheço todos os seus grandes sucessos, até porque é simplesmente impossível ignorar as músicas mais conhecidas dele, já que estavam a todo tempo tocando nas rádios. Também não sou particularmente interessado no trabalho que ele desenvolveu a partir dos anos 70 mas admito que gosto bastante de seus discos dos anos 60, justamente os da fase chamada Jovem Guarda. Naquela época Roberto Carlos era um cantor jovem cujo público também era jovem como ele. Não é de se admirar portanto o nome desse álbum (um dos poucos a receber um título próprio já que o cantor se notabilizou por ter a grande maioria de seus discos chamados simplesmente de "Roberto Carlos"). O clima aqui é de doce inocência, namoro no portão, enquanto a mãe não chama para dentro de casa. Tudo muito puro e juvenil, bem típico dos jovens daqueles anos. A primeira vez que conheci as músicas desse trabalho foi quando veio parar em minhas mãos um compacto duplo da CBS com as seguintes faixas: "História de Um Homem Mau", "Os Sete Cabeludos", "Parei... Olhei" e "Eu Sou Fã do Monoquini".

Logo que de cara gostei bastante de "História de Um Homem Mau", uma versão de  Roberto Rei para a canção americana "Ol'man Mose". Como sempre fui fã de westerns, ouvir aquela letra, muito bem bolada e simpática, foi realmente gratificante. Já os "Os Sete Cabeludos" de Roberto e Erasmo tinha um certo toque cinematográfico, inclusive com efeitos sonoros bem legais. Uma faixa forte para os padrões da jovem guarda, sempre tão doce e apaixonada. Também gostei bastante de "Eu Sou Fã do Monoquini", que usava uma letra bem cafajeste (no bom sentido) para louvar a nova moda que estava quase estourando nas praias cariocas (e que ficaria conhecida anos depois como "Topless"). Já das faixas do álbum sempre gostei bastante de "Brucutu", outra versão nacional para uma música americana. O estilo satirizando o famoso personagem dos quadrinhos mostrava o quanto o disco era pop e antenado com a cultura jovem da época. Há obviamente faixas bem açucaradas e românticas que são a cara da jovem guarda como por exemplo "Não Quero Ver Você Triste" (que tem uma melodia muito bonita) ou até mesmo a doce "Rosita". No geral Roberto Carlos, apesar da pouca idade, já mostrava sinais de que iria de fato se tornar o cantor número 1 do país. Era um jovem focado, carismático, que acima de tudo cantava muito bem. Um artista talentoso realmente. Além disso discos saborosos como esse ajudaram e muito em sua subida para a fama e o sucesso. Um disco para ser redescoberto, certamente.

Roberto Carlos Canta para a Juventude (1965)
História de Um Homem Mau (Ol'man Mose)
Noite de Terror
Como É Bom Saber
Os Sete Cabeludos
Parei... Olhei
Os Velhinhos
Eu Sou Fã do Monoquini
Aquele Beijo Que Te Dei
Brucutu (Alley-oop)
Não Quero Ver Você Triste
A Garota do Baile
Rosita

Pablo Aluísio.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

The Jimi Hendrix Experience - Are You Experienced

O primeiro álbum de estúdio de Jimi Hendrix foi Are You Experienced, lançado em 12 de maio de 1967 no Reino Unido pela Track Records. Embora creditado ao trio The Jimi Hendrix Experience, formado por Hendrix, Noel Redding e Mitch Mitchell, o disco representou a estreia de Hendrix como líder absoluto de um projeto musical e marcou sua chegada ao cenário internacional. Antes desse lançamento, Hendrix havia trabalhado como guitarrista de apoio para diversos artistas norte-americanos, mas ainda não havia encontrado uma plataforma para desenvolver plenamente sua visão artística. Combinando blues elétrico, rock psicodélico, rhythm and blues e experimentação sonora, o álbum revolucionou a forma de tocar guitarra na música popular. Faixas como Foxy Lady, Manic Depression e Fire demonstraram imediatamente seu talento extraordinário. Além disso, canções como Purple Haze e The Wind Cries Mary, incluídas em algumas versões do álbum, ajudaram a transformar Hendrix em um dos músicos mais comentados de sua geração. O disco apresentou ao público uma combinação inédita de virtuosismo técnico, criatividade e intensidade emocional.

A recepção crítica foi excepcional e rapidamente colocou Hendrix entre os artistas mais inovadores dos anos 1960. A Rolling Stone, em avaliações posteriores, classificou Are You Experienced como um dos maiores álbuns da história do rock. O The New York Times destacou o impacto revolucionário de sua guitarra, enquanto inúmeros críticos apontaram o disco como uma redefinição completa das possibilidades sonoras do instrumento. O álbum alcançou enorme sucesso comercial no Reino Unido e também teve excelente desempenho nos Estados Unidos após seu lançamento americano alguns meses depois. A combinação entre técnica, inovação e acessibilidade permitiu que Hendrix conquistasse tanto o público underground quanto as grandes audiências. Muitos músicos da época ficaram impressionados com sua capacidade de criar timbres inéditos utilizando feedback, distorção e efeitos eletrônicos de maneira musicalmente coerente. O disco também ajudou a consolidar Londres como um dos centros criativos mais importantes do rock durante a segunda metade da década de 1960. Em pouco tempo, Hendrix deixou de ser uma promessa para se tornar uma das maiores estrelas da música mundial.

Com o passar das décadas, Are You Experienced consolidou-se como uma das obras mais importantes da história da música popular. O álbum influenciou profundamente gerações de guitarristas, incluindo Eric Clapton, Stevie Ray Vaughan, Eddie Van Halen e inúmeros outros músicos. Sua mistura de blues tradicional com experimentação psicodélica ajudou a moldar o rock moderno e abriu caminho para o hard rock, o rock progressivo e até o heavy metal. Muitas das técnicas popularizadas por Hendrix continuam sendo estudadas e utilizadas por guitarristas em todo o mundo. O álbum também é frequentemente citado em listas dos maiores discos de todos os tempos e permanece relevante para novas gerações de ouvintes. Mais de cinquenta anos após seu lançamento, sua sonoridade continua surpreendentemente moderna e inovadora. O legado de Are You Experienced transcende o simples sucesso comercial, representando um dos momentos mais revolucionários da história da música gravada e o nascimento artístico de um verdadeiro gênio da guitarra.

The Jimi Hendrix Experience – Are You Experienced (1967)
Foxy Lady
Manic Depression
Red House
Can You See Me
Love or Confusion
I Don't Live Today
May This Be Love
Fire
Third Stone from the Sun
Remember
Are You Experienced?

Erick Steve. 

Raul Seixas - Raulzito e os Panteras

Raulzito e os Panteras
Quanto Raul Seixas gravou esse disco (o primeiro de sua carreira) ele era apenas um jovem baiano cheio de sonhos e esperanças de fazer sucesso pelo Brasil afora. Ao ouvir o álbum vemos claramente que Raul tentava, ao lado de seus companheiros de banda, embarcar na onda da jovem guarda. O disco é claramente nesse sentido, com sonoridade bem de acordo com esse movimento musical que fazia grande sucesso no Brasil na época. Só que um artista como Raul jamais ficaria preso numa caixinha, afinal ele era mesmo um cantor e compositor fora da casinha! Tanto isso é verdade que quando você ouve o disco percebe logo que há uma estranha mistura aqui. A sonoridade é da jovem guarda, mas algumas das letras traz toques de pura filosofia! Além disso que artista poderia arriscar de cara uma versão de um dos grandes clássicos psicodélicos dos Beatles logo em seu disco de estreia? E todos vestidos de figurino dos Beatles na primeira fase! Só o maluco beleza mesmo para ter esse tipo de ousadia. 

Infelizmente o disco não fez qualquer sucesso. Como explicaria anos depois numa entrevista, Raul foi percebendo que a gravadora não iria fazer nada pelo disco. Não trabalhou para promover o álbum, não enviou cópias para as rádios, não fez nada. Com isso o disco não vendeu nada. A filial brasileira da EMI apenas gravou o disco para preencher uma cota de LPs que a matriz inglesa exigia. Foi feito apenas para constar no catálogo. Uma pena! Logo o primeiro disco de um dos maiores roqueiros do Brasil ser tratado assim com tanto desprezo pela gravadora. De qualquer forma Raul não iria desistir. Ele continuaria no Rio, trabalhando como produtor na CBS, até o dia em que finalmente teria sua grande chance para mostrar seu talento musical, só que dessa vez como artista solo. O resto é história! 

Raulzito e os Panteras (1967)
Brincadeira
Por quê? Pra quê?
Um Minuto mais (I Will)
Vera Verinha
Você Ainda Pode Sonhar (Lucy in the Sky with Diamonds)
Menina de Amaralina
Triste Mundo
Dê-me tua Mão
Alice Maria
Me Deixa em Paz
Trem 103
O Dorminhoco

Pablo Aluísio. 

Janis Joplin - Big Brother and the Holding Company featuring Janis Joplin

Janis Joplin - Big Brother and the Holding Company featuring Janis Joplin
O primeiro álbum da cantora Janis Joplin foi Big Brother & the Holding Company, lançado em agosto de 1967 pela Mainstream Records. Embora seja creditado à banda Big Brother and the Holding Company, este foi o primeiro trabalho de estúdio a apresentar Janis Joplin como vocalista principal e, consequentemente, o início oficial de sua carreira fonográfica. Na época, a cena musical de San Francisco vivia o auge do movimento psicodélico, e o grupo era uma das atrações mais populares do circuito underground local. O álbum reúne elementos de blues, rock psicodélico e folk, mas ainda não captura totalmente a força artística que Janis demonstraria pouco tempo depois. Mesmo assim, sua voz poderosa, rouca e profundamente emocional já se destacava em faixas como “Bye, Bye Baby” e “Women Is Losers”. As gravações ocorreram antes da explosão de popularidade da cantora no lendário Monterey Pop Festival de 1967, evento que transformaria Janis em uma das artistas mais comentadas do rock americano. Por isso, o disco possui um caráter quase documental, registrando uma artista em pleno processo de descoberta e amadurecimento artístico. Embora a produção seja relativamente simples, ela permite perceber o talento extraordinário que estava prestes a conquistar o mundo.

A recepção crítica inicial foi modesta e o álbum passou quase despercebido no momento de seu lançamento. Muitos críticos consideraram a produção fraca e apontaram limitações técnicas da gravadora, que não conseguiu registrar adequadamente a energia que a banda apresentava ao vivo. No entanto, após a consagração de Janis Joplin em Monterey e o enorme sucesso de seu álbum seguinte, Cheap Thrills, o interesse por este trabalho aumentou consideravelmente. Análises posteriores da Rolling Stone destacaram o álbum como um importante retrato das origens da cantora, ainda que inferior artisticamente aos trabalhos posteriores. O The New York Times também observou que o disco oferece uma oportunidade rara de ouvir Janis antes de sua transformação em ícone cultural. Comercialmente, o álbum teve vendas discretas inicialmente, mas ganhou nova vida após a fama da cantora, sendo relançado diversas vezes ao longo das décadas. Muitos fãs passaram a vê-lo como uma peça essencial para compreender sua evolução artística. Além disso, o disco documenta um período importante da contracultura americana, quando o rock psicodélico começava a se tornar um fenômeno internacional.

Com o passar dos anos, Big Brother & the Holding Company passou a ser valorizado menos por sua perfeição técnica e mais por sua importância histórica. O álbum registra os primeiros passos de uma das vozes mais marcantes da história do rock, uma artista cuja intensidade emocional redefiniu os limites da interpretação vocal dentro da música popular. A influência de Janis Joplin pode ser percebida em cantoras como Stevie Nicks, Melissa Etheridge, Pink e inúmeras outras intérpretes do rock e do blues. Embora não seja considerado seu melhor trabalho, este álbum permanece essencial para quem deseja compreender suas raízes musicais e a evolução de seu estilo. Atualmente, é visto como um importante documento da cena psicodélica de São Francisco e um registro do nascimento artístico de uma das figuras mais influentes da história da música. Mais de meio século após seu lançamento, continua despertando interesse entre críticos, colecionadores e admiradores da cantora. Seu legado está diretamente ligado ao surgimento de Janis Joplin como uma força transformadora dentro do rock dos anos 1960.

Janis Joplin - Big Brother and the Holding Company featuring Janis Joplin  (1967)
Bye, Bye Baby
Easy Rider
Intruder
Light Is Faster Than Sound
Call on Me
Women Is Losers
Blindman
Down on Me
Caterpillar
All Is Loneliness
The Last Time (presente em algumas edições posteriores)
Coo Coo (presente em algumas reedições)

Erick Steve. 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Rolling Stones - Out of Our Heads

Rolling Stones - Out of Heads
Nem adianta negar. Na década de 1960 os Rolling Stones andaram lada a lado com os Beatles. Sonoridade, letras, arranjos, os Stones realmente seguiam o modelo padrão das bandas de rock daquela época e quem determinava esse padrão era justamente o quarteto de Liverpool. Veja o caso desse Out of Our Heads, terceiro disco dos Stones. O álbum segue os passos dos Beatles, mesmo que alguns centímetros atrás. Enquanto os Beatles começavam a mudar ainda que discretamente seu som, os Stones também procuravam trazer inovações para o grupo. Esqueça os Stones de hoje em dia. Aquilo ali é uma empresa multinacional, uma corporação S.A. e não mais um conjunto de Rock mas em 1965 eles ainda eram de fato um grupo de rock. Hoje em dia Jagger e Keith Richards se odeiam tanto que mal se falam mas na época do lançamento desse trabalho eles eram realmente amigos e trabalhavam em harmonia. Por falar em amizade aqui os Stones surgem com sua formação clássica completa, a saber: Mick Jagger (vocal, harmónica, percussão), Brian Jones (guitarra eléctrica e acústica, harmónica, orgão), Keith Richards (guitarra), Charlie Watts (Bateria e percussão) e Bill Wyman (baixo). Essa aliás é a formação perfeita dos Stones, sem tirar nem colocar mais ninguém. Curiosamente é que para melhorar ainda mais a qualidade musical do disco eles ainda chamaram outros craques: Ian Stewart no piano e o produtor maluco beleza Phil Spector para dar algumas canjas de baixo.

O resultado é dos melhores. Considero o álbum um dos mais pertinentes do grupo em termos de melodia e arranjos. Os primeiros discos dos Stones deixavam muito a desejar nesses aspectos mas aqui a sonoridade melhora muito. Um exemplo perfeito do que digo surge logo na primeira canção, "She Said Yeah" com suas linhas de guitarras furiosas. Apesar de ser um cover é uma das melhores gravações dos Stones. No quesito garra e pique poucas vezes eles fizeram algo melhor do que isso. É interessante perceber que nessa fase inicial eles ainda não estavam muito seguros como compositores, preferindo se apoiar em material escrito por outros compositores. Assim temos apenas três canções escritas pela dupla Mick Jagger e Keith Richards: "Gotta Get Away", "Heart of Stone" e "I'm Free". Note que a versão do disco britânica que estamos comentando aqui foi bastante diferenciada da americana pois nos EUA a gravadora ianque incluiu o megasucesso "(I Can't Get No) Satisfaction", que não fez parte da seleção musical inglesa. Era como se o Help dos Beatles saísse com "Yesterday" em sua versão americana mas não na inglesa. Deu para sentir o drama? É óbvio que por essa razão a edição USA é bem superior à britânica mas como sou tradicionalista ainda prefiro a discografia original do grupo para ouvir (e na minha opinião a discografia original é exatamente a de seu país de origem, ou seja, Made in England). Assim lhe deixamos a dica. Esqueça esses Stones que estão aí celebrando 50 anos de carreira ou mais. Isso tudo é puro marketing. Prefira os caras em seus primórdios, quando eram apenas cinco amigos tentando dar o melhor de si para vencer no mundo da música. Isso aconteceu antes da morte de Brian Jones e da saída de Bill Wyman. "Out of Our Heads" é perfeito nesse sentido.

Rolling Stones - Out of Our Heads (1965)
She Said Yeah
Mercy, Mercy
Hitch Hike
That's How Strong My Love Is
Good Times
Gotta Get Away
Talkin' 'Bout You
Cry to Me
Oh Baby (We Got a Good Thing Goin'
Heart of Stone
The Under Assistant West Coast Promotion Man
I'm Free

Pablo Aluísio.

The Doors - The Soft Parade

The Doors - The Soft Parade 
Na segunda metade dos anos 60 os Beatles lançaram um disco que abalou o mundo da música: "Sgt.Pepper's Lonely Hearts Club Band", já ouviu falar? Se sua resposta for não, então você é definitivamente um tapado em termos de Rock'n'Roll. O Rock, antes considerado uma arte menor, ganhou status de arte maior com esse trabalho, levando todos, inclusive os mais conceituados críticos musicais a ouvirem esse marco da história mundial. Criou-se assim, pela primeira vez, o conceito de grande arte ao mais popular gênero musical do planeta. De uma hora para outra todas as bandas de rock do mundo se sentiram desafiadas a aprimorar e tentar, se não a superar, ao menos se igualar ao revolucionário disco do grupo inglês.

Os Doors, principalmente Krieger e Manzarek, chegaram a conclusão que deveriam enriquecer seu próximo disco com orquestrações e arranjos mais bem elaborados. Então o grupo se trancou em estúdio e durante mais de um ano tentou todas as combinações e experimentos possíveis. O estúdio gastou uma fortuna, todo mundo ficou esgotado, principalmente Jim que não gostava de super produções. Gravado em oito canais entre novembro de 1968 e junho de 1969, no Elektra Sound Studios (Hollywood, CA) o disco só foi lançado oficialmente nos EUA no dia 18 de julho de 1969. Novamente o grupo foi produzido por Paul A. Rothchild. The Soft Parade foi o disco dos Doors que teve a mais longa e cara produção. Foi lançado em julho de 1969 (depois de quase um ano de preparo), mas não foi bem acolhido pela crítica, talvez motivado pelo escandaloso show de Miami, ocorrido poucos meses antes.

O público também estranhou o resultado, dizendo que a banda não era mais a mesma, que havia se vendido. Mas a verdade é que esse é realmente um disco bem diferente do que os Doors já haviam lançado anteriormente, com arranjos orquestrados e repletos de instrumentos estranhos à banda, como trombone, conga e violino (que aparecem logo na espalhafatosa introdução de Tell All the People). Além disso, uma outra voz é ouvida, já que o guitarrista Robby Krieger canta o refrão da canção Runnin' Blue. Um outro detalhe intrigou os fãs: a autoria das canções, antes creditadas a todos os integrantes, dessa vez era dividida entre Morrison e Krieger. Estariam os Doors passando por uma crise interna? Não era possível dizer. Mas logo o episódio de Miami foi (parcialmente) esquecido e o single "Touch Me" invadiu as rádios e elevou as vendas dos álbum, que se tornou mais um sucesso. Singles nas Lojas : Touch me / Wild child - Em dezembro de 1968 a banda lançou o primeiro single deste disco, aliás o primeiro de quatro, o que foi um recorde para o grupo.

O lado A trazia "Touch Me". Quem ouviu já sacou: Jim estava levemente embriagado quando gravou essa faixa, mas tudo acabou dando um toque especial a música. Outro dado: esta canção é na verdade, uma mistura de muitos takes diferentes, por isso se nota também uma certa diferenciação no vocal de Jim ao longo da canção. "Wild child" é um boa canção, principalmente pela introdução envenenada da guitarra de Krieger e mais uma vez Jim aparece com seu estilo vocal dúbio, de quem acabou de sair de um bar. Em suma: Blues etílico.

Wishful, Sinful / Who scared you? - Em fevereiro de 69, os Doors lançam um novo single, deixando todo mundo surpreendido. "Wishful, Sinful" é uma balada triste, puxada para blues (mais uma vez!). O grande problema dessa canção e das outras do disco, é que há tantos instrumentos ao mesmo tempo que a voz de Jim acabou ficando ofuscada, sendo afogada numa verdadeira overdose musical. No Lado B do compacto foi colocada uma canção fraquinha que acabou não entrando no disco, "Who scared you?" é tudo o que um lado B é: totalmente descartável. Tell all the people / Easy ride - Tá legal, todo mundo fala mal de "Tell all the people", mas absolutamente não concordo com esse tipo de opinião. Gosto muito da canção, aliás a considero a melhor de todo o disco. De todas é a que apresenta a melhor harmonia entre a orquestra. Além disso Jim está em ótima fase vocal, tudo aliado a bonita melodia. Nota 10! "Easy ride" é uma música rápida que cola na sua mente com força. Facilmente assobiável e tudo o mais, ela também é um ótimo momento do disco, por isso dos quatro singles extraídos do disco, este é disparado o melhor de todos.

Running Blue / Do it - Mas quem diabos é este que canta com Jim durante "Running blue"? Ora é Robbie, que como vocalista é um ótimo guitarrista! Essa foi a única vez que Jim dividiu o microfone com alguém da banda (graças a Deus!). Talvez a existência desse quarto single (um exagero!) tenha sido uma forma de homenagear o guitarrista e compositor da banda. Mas sinceramente, Krieger acabou com sua própria música, sendo muito ruim sua participação. Ponto final. No lado B do single "Do it" com algumas inovações durante a execução, mas que nada mais são do que fruto do complexo de Lennon/McCartney de Krieger. O single foi lançado em agosto de 1969.

Enquanto isso, fora dos estúdios...
Nesta fase de gravação de "The Soft Parade" o single "Hello, I Love You" estourou na Europa, levando os Doors à sua primeira e única grande turnê internacional, que passou por países como Inglaterra, Alemanha, Holanda, Dinamarca (foto) e Suécia. Foi uma das excursões mais alucinadas da história do Rock, com muitos escândalos promovidos por Jim Morrison, com muito excesso de drogas, mulheres e bebedeiras, levando o vocalista a bater seus próprios recordes de extravagâncias. Em Londres eles se apresentaram no Roundhouse, uma tradicional casa de shows da Inglaterra. Os britânicos definitivamente não estavam preparados para Jim, ele entrou no palco totalmente narcotizado e bêbado, mas mandou ver em um dos melhores shows da banda. Depois o grupo foi para a Alemanha, em Frankfurt e Jim se sentiu em casa. Conhecida como uma das cidades mais sofisticadas da Europa, aqui a banda fez um show que entrou para a história da cidade. Jim terminou a noite em um bar de strip tease da cidade e a imprensa alemã não deixou este fato passar em branco.

Em Amsterdam aconteceu o pior: Jim estava totalmente fora de controle, O Jefferson Airplane abriu o show dos Doors naquela noite, mas no meio de sua apresentação, Jim apareceu no palco, para surpresa de todos, com uma garrafa de whisky na mão, totalmente embriagado, tentando acompanhar o Airplane que totalmente atônico, ficou sem saber o que fazer! Jim continuou dançando ao som da música da banda, num espetáculo trágico e engraçado ao mesmo tempo! Na verdade ele deu um vexame daqueles, na frente de todo mundo! No final ele mal conseguiu deixar o local, de tão chapado que estava, sendo carregado para o hospital mais próximo. Mas nem por isso os Doors deixaram de realizar o show, a banda entrou sem Jim mesmo, pediu desculpas e interpretou todas as canções sozinhos. Jim estava sempre bêbado e drogado e depois confidenciou a um amigo que "Não se lembrava dos shows dos Doors na Europa"!

Essas apresentações viraram um especial para a TV inglesa chamado The Doors Are Open, que mais tarde também foi lançado em vídeo. Antes do lançamento do quarto disco da banda, o orquestrado e exagerado The Soft Parade, ocorreu o que é tido como o começo da queda de Jim Morrison. Dia 1 de março de 1969 é a data do famoso show de Miami, onde Jim, completamente bêbado, foi acusado de exibir seu pênis para a plateia, incitar baderna e proferir discursos obscenos. Ninguém sabe ao certo se tudo isso ocorreu ou não, mas o vocalista foi a julgamento e acabou condenado a seis meses de detenção. Além disso, praticamente todos os shows agendados foram cancelados e a banda se tornou "persona non grata" em todo o território americano.

Enquanto os advogados apelavam da decisão judicial, tentando abrandar a pena do vocalista, aos poucos os shows foram se tornando mais frequentes outra vez, e a banda começou a gravar suas apresentações para o lançamento de um álbum ao vivo. Esse material foi lançado em 1970 como um LP duplo chamado Absolutely Live, que misturava canções já conhecidas com algumas inéditas. Em seguida, mais um de estúdio, batizado com o nome Morrison Hotel. Os que achavam que os Doors haviam entrado em decadência com The Soft Parade encontraram muito vigor no novo trabalho, que deixava as orquestras totalmente de lado para fazer um rock cru e mais blues do que nunca. Mas essa é uma outra história que vamos contar no mês que vem... até lá.

The Doors - The Soft Parade
Existem pessoas que não gostam desse disco dos Doors. Chegam a dizer que é o disco do grupo que menos se parece com sua sonoridade habitual. Ora, esse tipo de mentalidade é bem equivocada. A verdade é que uma banda de rock sempre deve procurar por inovação e não ficar na mesma tecla, álbum após álbum. Assim se esse disco foi inovador na carreira dos Doors, então palmas para eles. A busca por inovação sempre será muito bem-vinda.

O disco abre com uma faixa que até considero bem convencional. Trata-se de "Tell All the People". O único maior diferencial digno de nota é o abrasivo arranjo de metais logo em seu começo. Certamente não era algo que um fã dos Doors estava esperando encontrar. Porém tirando esse pequeno detalhe tudo o mais parece bem de acordo com o tipo de música da banda em seus álbuns anteriores.

Jim Morrison não gostou muito dessa letra que foi escrita totalmente pelo guitarrista Robbie Krieger. Aliás a música é inteiramente dele, desde sua letra, até sua melodia. Morrison, como já era óbvio naquela fase da carreira, preferia mesmo cantar seu próprio material. A maioria de suas músicas apenas adaptavam sua poesia. Era uma poesia cantada. De qualquer forma como Jim gostava muito de Robbie, ele procurou dar o melhor de si na gravação, em sua performance vocal. E ficou muito bom, temos que reconhecer.

A canção inclusive foi escolhida para ser lançada depois também como single, o terceiro extraído das faixas do disco. Não fez muito sucesso, é verdade, ficando apenas na posição 57, mas de qualquer forma foi um espaço a mais dentro da discografia dos Doors para o trabalho composto por Krieger, que era um músico talentoso, mas também uma pessoa bem tímida, que nunca procurava se impor aos demais membros do grupo.

Pablo Aluísio.